O LEITOR ESCREVE
Cultura no desespero
A Escola Municipal de Dança, o Ballet de Londrina e a Escola Municipal de Teatro estão morrendo à míngua. A Escola de Dança e o Ballet foram criados em 1993, a Escola de Teatro em 1995 e sempre foram mantidas com o repasse de uma verba já de praxe constante no Orçamento do município.
Claro que este repasse às vezes atrasou e a Funcart, que dirige estas três entidades, conseguiu fazê-las sobreviver à custa de sacrifícios e da ajuda generosa da população que sempre compreendeu com grande lucidez e tem aplaudido com justiça o belíssimo trabalho que vem sendo realizado.
Para se ter uma idéia, até hoje só o Ballet realizou cerca de 300 apresentações em Londrina, no Brasil e em vários países, divulgando nossa cidade. Ex-alunos da Dança e do Teatro atuam hoje em quase todos os grupos da região e já há alguns nos balés das grandes capitais. Só neste ano haverá 130 espetáculos que atingirão cerca de 33 mil pessoas. A Escola Municipal de Teatro já formou quatro turmas.
Semana passada topei com o diretor da Escola de Dança e Ballet e ele me assustou dizendo que acabava de comer o seu computador e estava tentando fazer o mesmo com seus móveis. Está vendendo tudo para sustentar, por mais uns dias, este trabalho extraordinário que vem realizando em prol de nossa cidade. Os bailarinos e bailarinas que são também professores da escola, há quatro meses não recebem. As escolas estão fechando suas portas e terão que colocar na rua 400 alunos, alguns já no 8º ano do curso.
Estarrecida, a comunidade pergunta: O que está havendo?. Pasmem: o Executivo, no final da gestão passada, retirou ou esqueceu-se de colocar no Orçamento a verba que há 8 anos vem constando do dito Orçamento que é elaborado no ano anterior.
Há uma única, urgente e inadiável saída: o Executivo encaminhar agora um projeto de lei solicitando remanejamento de verba e a Câmara, em regime de urgência, aprovar. Do contrário, a cidade perderá o que construiu em 8 anos, pois será impossível renovar o convênio e tudo ruirá por terra.
Apelo à sensibilidade que o Executivo vem demonstrando e mais ainda à atenção dos senhores vereadores. A solução é fácil. Está nas vossas mãos e a população quer esta solução urgente.
- ALCIDES VITOR DE CARVALHO, diretor da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina
Desemprego
Em missão, o Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Londrina foi ao Lixão da cidade presenciar uma triste realidade: hoje mais de 100 pessoas vivem deste local, separando latas e plásticos.
Um dos diretores do nosso sindicato aproximou-se de uma uma moça e perguntou se dava para sobreviver catando lixo. Ela informou que as pessoas conseguem tirar até R$ 80 por mês. Também comentou que muitos comem no Lixão, recolhendo restos de comida que ficam nas embalagens de marmitex.
Ao dar prosseguimento à conversa, o diretor teve o desprazer de verificar que a opção pelo Lixão se deu pela falta de emprego. Por serem pessoas honestas, que não desejam roubar, não sobrou outra alternativa senão catar lixo e comer os restos dele.
O que nos aborrece é ver essas pessoas comendo lixo pela falta de emprego, enquanto os administradores do País, presentes nos poderes Executivo e Legislativo, aumentam os próprios salários, levando para os bolsos mais recursos do povo. Recentemente a imprensa divulgou que 90% do PIB vai para os 10% mais ricos do Brasil e que os 10% restantes ficam com 90% da população mais pobre. Devemos ter compaixão do desempregado. A falta de emprego leva o cidadão ao desespero, ao roubo, ao vício e à prostituição.
Ao lutar pela flexibilidade de horário de atendimento, este sindicato está lutando pelo aumento de postos de trabalho. Flexibilizar o atendimento não gera exploração. Nenhum empregado do comércio trabalhará mais de 44 horas semanais.
Convidamos nossos políticos para uma visita ao Lixão de Londrina. É uma realidade que comove e comprova a luta de pessoas honestas que, para não roubar, preferem comer restos do lixo. É dessas pessoas que devemos ter compaixão.
- SINÉSIO SCUDELER, presidente do Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Londrina
Pedágio
A maioria dos governantes apresenta propostas no período eleitoral para viabilizar o estudo da população. No entanto, essas caem no esquecimento, ou então, permitem que sejam colocados empecilhos aos cidadãos que desejam aumentar seus conhecimentos.
Uma prova desse descaso ocorreu no dia 4, quando estudantes de uma faculdade estadual, que necessitam passar pelo pedágio de Arapongas, depararam com um aumento de 100% na taxa, na qual estão inseridas as lotações, sem nenhum aviso prévio.
Os estudantes, revoltados, protestaram contra esse aumento, alegando que o fato inviabilizaria o translado e consequentemente, levaria muitos a desistirem de seus cursos universitários.
Portanto, se nenhuma providência for tomada pelas autoridades e população, muito em breve apenas a camada mais abastada poderá usufruir de uma faculdade estadual de uma cidade vizinha.
- YARA ALINE, universitária, Londrina
Educação
A educação é um compromisso de todos família, escola e sociedade porque está intimamente ligada à evolução do ser humano. O mundo de amanhã caminhará segundo os passos das crianças educadas hoje.
A educação hoje está cada vez mais difícil porque as crianças recebem toda sorte de pressão e ataques constantes de um mundo computadorizado e imediatista. E como agravante concorre a constante ausência dos pais nos lares. Assim, muitas crianças estão sendo mal educadas ou abandonadas à própria sorte no aprendizado da vida.
Os homens convivem num mundo que padece de uma crise existencial como nunca vista e muitos, desnorteados, não conseguem distinguir quais valores devem direcionar suas vidas e acabam externalizando de forma descontrolada os seus instintos mais primitivos. A sexualidade e a violência transformaram-se nos elementos básicos de um certo conceito de cultura.
É preciso reverter esse quadro, e aí está o verdadeiro papel dos pais e educadores em estabelecer regras legítimas para seus filhos e fazer com que estas mesmas regras sejam respeitadas a partir do exemplo e da explicação de sua validade para o bem-estar individual e coletivo. É preciso dar ênfase ao bom-dia, por favor, obrigado e desculpe. É preciso praticar o diálogo e aprender a dizer não no momento certo, mesmo que seja difícil, e coibir certas atitudes que sejam prejudiciais à saúde física, mental e moral.
A sociedade, de forma geral, e os poderes constituídos não podem ficar alheiros a esse processo, pois quem governará o amanhã serão as crianças de hoje.
- LUIZ GONZAGA DE MELO, professor, Ibaiti
Bonde
Moro na Dinamarca há quase três meses, mas sou de Londrina. Estou adorando visitar o site de vocês. Parabéns!
- FABIANA BERTIPAGLIA MARTINS, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





