O LEITOR ESCREVE
CPI
O nosso sistema político e administrativo é deficiente e está carcomido pela corrupção. É preciso reformulá-lo urgentemente. As CPIs somente são instaladas depois que os fatos acontecem. Mesmo assim tem que haver denúncia. Não há no atual sistema fórmulas preventivas para evitar as falcatruas.
As mazelas só vem à tona quando denunciadas por membros do próprio grupo, que se acha prejudicado por um motivo qualquer. O povo fica muito distante desses conchavos, só servem mesmo para votar. As tramas que acontecem dentro do grupo que detém o poder somente são levadas ao conhecimento do povo se houver alguma dissidência entre eles.
A primeira e grande CPI que derrubou um presidente, Fernando Collor de Mello, só foi possível com a denúncia vinda do próprio grupo familiar, seu irmão. Quanta corrupção não tem sido abafada na vida política de nosso País e outras tantas se quer foram mencionadas? Essa CPI que alguns parlamentares tentam implementar no Congresso Nacional, está sendo abafada pelo Executivo, que tem a esconder muitos atos de corrupção.
É lamentável que a maioria do povo votante nesse País não sabe o que está acontecendo. Nem mesmo sabe dizer o que significa a sigla CPI, mas votam.
- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina
Dança dos partidos
Estamos a pouco mais de um ano das eleições estaduais, mas, à medida em que os dias vão passando é frequente e corriqueiro o movimento em torno dos partidos, com os políticos estaduais procurando melhores partidos e situações mais aconchegantes a fim de conseguirem pleito em 2002. Neste embaraço e busca de novos refúgios eleitorais, os pré-candidatos com suas danças partidárias buscam de todas as maneiras passarem idéias positivas a fim de conquistarem um espaço regional, vários partidos ganham ênfase e projeção, mas que na verdade não correspondem a tudo que é dito e prometido.
Diante dessa constatação é que os líderes populares regionais devem ter postura séria e competente, pois à medida em que o funil eleitoral vai se fechando, propostas e promessas absurdas vão surgindo, mas, estas duram somente até o pleito eleitoral, pois a partir dali aqueles candidatos que se elegeram mudam o seu discurso, abandonam a região que até então era o centro de suas atenções, começando a se preocupar em fazer novas áreas para as próximas eleições.
- FRANCISCO BONI, universitário, Santa Cruz de Monte Castelo
Meio ambiente (1)
Nestas últimos tempos temos presenciado um sem número de graves acidentes envolvendo a natureza. A Petrobras tem sido a protagonista de muitos destes acidentes. Alguns com consequências trágicas como o da plataforma P-36, com a morte de muitas pessoas. Todos os dias lemos notícias do desmazelo e da crueldade que o ser humano está impondo a natureza.
Quando lemos na Escrituras que tudo o que Deus criou foi bom, isto nos ensina que Deus está ativamente interessado em saber do estado da sua criação. Não criou ele este mundo e foi descansar ou fazer outra coisa (teoria chamada deísmo). A Bíblia ensina o contrário.
Lamentavelmente, nós os cristãos, temos tido uma postura de distanciamento da natureza. Temos desenvolvido uma ideia de que o nosso negócio é apenas cuidar de almas para leva-las ao céu. Esta visão do mundo não é bíblica. O ensino das Escrituras é que não podemos ter uma visão compartamentalizada das coisas. Tudo está dentro de uma plano único de Deus. Faz parte, portanto, da nossa missão o cuidado com aquilo que Deus criou.
Ao dar ao ser humano o domínio sobre as coisas criadas, Deus não estava transferindo para o homem o todo o poder sobre a natureza. Deus não estava dizendo que o ser humano poderia ser o carrasco da criação e fazer dela como bem lhe aprouver. Nós precisamos entender que precisamos mais da natureza do que ela precisa de nós.
Fica registrado aqui o nosso repúdio e lamento pela atitude descuidada da Petrobrás e dos nossos governantes para com os nossos mares, rios, bosques, parques e lagos. Um bom testemunho que podemos dar nos dias de hoje é o de cuidar, zelar por aquilo que Deus criou com tanto amor e carinho.
- ANTONIO CARLOS BARRO, Revendo da Oitava Igreja Presbiteriana de Londrina
Meio ambiente (2)
Todos os dias vemos em filmes, jornais e revistas fotos de lugares paradisíacos em todas as regiões do Brasil com casas e até mansões as margens de lagos. Basta pegar um caderno de turismo de qualquer jornal para encontrar fotografias de recantos brasileiros de grande fluxo de pessoas com hotéis, restaurantes e tantas outras construções as margens de lagos, rios ou a beira mar.
Pois em Campo Mourão e em mais uma meia dúzia de cidades iluminadas por Deus não pode haver qualquer construção a beira de lago. Pelo menos é o que diz a Justiça. Até parece que a lei que vale aqui não vale no resto do país. Embora a legislação usada para arguir a irregularidade das edificações existentes no lago da Usina Mourão seja federal, portanto aplicável em todo o país, só vale em alguns locais.
Será que a tal lei não se aplica as centenas de construções existentes na Lagoa da Conceição, em Santa Catarina. Ou as margens do Rio Paraná, onde multiplicam-se os clubes e casas. Será que também deverão ser demolidos os edifícios existentes ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Não é demais lembrar que o próprio Clube da Justiça de Campo Mourão funcionou durante muitas anos às margens da Usina Mourão.
Pena que o Ministério Público e os próprios órgãos públicos da área ambiental instalados na cidade não tenham demonstrado este mesmo zelo na década de 70, quando a Usina Mourão esteve completamente abandonada. Quem é de Campo Mourão lembra muito bem da água barrenta, do sumiço dos peixes, da sujeira nas margens.
Ou a tal lei se aplica a todos neste país continental, promovendo-se um mutirão nacional de demolição nas margens de lagos, rios e praias ou jogue-se na lata de lixo a legislação ambiental alegada. Porque Justiça que vale apenas para alguns, tem outro nome: injustiça. Que todos sejam realmente iguais perante a lei.
- ANTÔNIO LUIZ DE MATOS, jornalista, Campo Mourão
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