O LEITOR ESCREVE
Exposição
Como venho fazendo já há décadas, fui prestigiar
mais um evento da região. A caminho do Parque Ney Braga, vendo nuvens carregadas no horizonte às 16 horas de domingo, duas coisas me incomodaram
na paisagem: Blimps no ar (pequenos dirigíveis da
época da guerra, agora usados como merchandising)
e o já tradicional helicóptero branco dos passeios
sobrevoando o Recinto, o que me fez comentar: Estranho, esses balões já deveriam estar recolhidos e o helicóptero deveria ter interrompido os passeios, pois vem sempre uma forte rajada nessas nuvens pesadas.
Não deu outra: a pressão do vento arrancou do chão um ou dois dos cinco dirigíveis, representando sério perigo nas várias rotas aeronáuticas, e o helicóptero, a despeito da brusca tempestadade, seguia sua rotina fascinante, cujo piloto comprovadamente hábil mereceria elogios durante um resgate aéreo qualquer, não fosse sua negligência indesculpável.
Um outro Blimp, desgovernado, despencou ao solo sobre dezenas de visitantes e stands, provocando correria. Mas o pior ainda estava por vir: o dirigível enlouquecido enroscou-se nos fios de alta tensão do Parque, causando chuvas de faíscas na multidão e a explosão de um transformador próximo, cujo estrondo foi ouvido por todos que lá estavam, deixando a Exposição às escuras por algum tempo e interferindo nos negócios ali agendados.
Poderia ter sido bem pior. Um pouquinho mais de CREA nesses eventos, aliado a fiscalizações in loco, seria o mínimo de se esperar num lugar bucolicamente interessante e cheio de famílias com suas crianças, ainda que não haja nada de fundamentalmente novo para se conhecer - exceção aos equipamentos e serviços que ganham cada vez mais espaço.
- CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ, arquiteto, Londrina
Horário do comércio
A quem interessa a não-abertura do comércio de Londrina aos domingos e feriados? Primeiramente devemos nos lembrar que já não somos mais a pequena Londrina de muito tempo atrás, onde um pequeno comércio e a cultura de subsistência davam o tom do perfil econômico da nossa cidade. Éramos totalmente dependentes de outras cidades, no que tange aos recursos médicos, industriais e educacionais.
O tempo passou e já fomos a capital do café, perdemos o título e o estamos retomando novamente. Hoje somos um pólo econômico regional dos mais importantes. Nosso comércio, nossas indústrias, nossas instituições de ensino superior e nossos núcleos médico-hospitalares, se especializaram e cresceram. Uma vasta região, composta de um sem-número de cidades, depende da nossa Grande Londrina. Pessoas de toda parte aqui vêm, na falta da oferta de algum produto ou serviço em suas cidades, para comprar, passear - enfim, o que é mais importante -, movimentar a nossa economia, gerando novos empregos e aumentando o poder aquisitivo da nossa população.
Não podemos continuar raciocinando como provincianos, isto é, fechamos nosso comércio ao fim da tarde e aos domingos e feriados não se trabalha nesta cidade! Inclusive poderíamos pesquisar junto a algumas cidades, tais como Presidente Prudente, Apucarana, Ribeirão Preto, Campinas e tantas outras, do por que se abrir os supermercados aos domingos e feriados. Que benefícios isso traz? Geraria mais empregos? Qual o custo-benefício desta empreitada?
Conheço um velho árabe que tem o dom do comércio nas veias e sempre diz: o freguês não tem hora pra chegar, pode ser à noite, aos domingos ou nos feriados - e você não pode estar com as portas fechadas, porque ele vai embora e talvez não volte mais.
- WALTER ABOU MURAD, biomédico, Londrina
Educação
É lamentável o que vem ocorrendo com o ensino público. As coisas não vão bem e ninguém se manifesta. Onde estão os representantes e defensores dos funcionários? Cadê os sindicatos, os nossos políticos eleitos para nos defender? Parece que não vivemos o pluripartidarismo, não há posição nem oposição.
Os governantes manipulam tudo, congelaram os salários há seis longos anos. Eles estão quietos, irreversíveis na posição dura de não ceder nada de aumento salarial. As secretarias de Educação e Administração do Estado dão ordens drásticas que prejudicam alunos e professores, comandam insensivelmente e todos obedecem sem questionar. Aumentam hora/aula, excluem disciplinas importantes, cortam benefícios, fecham escolas, cobram pedágios aos que vão se aposentar e acabam com cursos profissionalizantes.
Está errado, temos que lutar contra isso. Tem que haver união de pais, alunos, professores. Os administradores têm que encontrar uma saída. O governo corrige a energia elétrica, telefone, combustíveis, água, casa própria, alimentos necessários à vida que não condizem com a realidade de um salário estagnado. Se a educação não vai bem, se o professor e o funcionário não têm salários dignos, se os pais estão descontentes com o ensino público, de quem é a culpa?
Pensam em uma paralisação, o que é lamentável para todos, havendo a fragmentação do ensino, alunos em casa, professores em assembléias. Vamos todos quebrar o silêncio. Junto com os sindicatos vamos dialogar com o governo, seriamente, sem politicagem, com tentativas democráticas para sensibilizar a Secretaria de Educação do Estado.
Se não houver uma mudança na maneira de olhar a Educação, por parte do governo, a deterioração ideológica vai crescer e cai a qualidade do ensino. As maiores nações do mundo valorizam e respeitam o professor, que tocam o futuro, de maneira sofrida, enfiado em salas de aula numa labuta diária, estafante e absorvente, atendendo turmas heterogêneas com alunos, às vezes, em excesso. Sem educação, ninguém põe ordem nas coisas e pode pensar em dias melhores.
- OSVALDO CARDOSO RIBEIRO, Londrina
Patriota
Todos os dias me pergunto onde está e para aonde vai a Nação Brasileira. O sentido da palavra nação está perdendo suas propriedades quando se trata de Brasil. Não temos mais nacionalistas, no verdadeiro sentido do termo, ou se temos não sabemos onde estão. O País sofre, o povo sofre, porque o sentido de nação a cada dia que passa não quer dizer nada. O Brasil chora, choram Marias e Clarices ao ver o País em meio a prostitutas e ladrões, ao ver um governante sem crédito usar de meios no mínimo estranhos para não deixar que se instaure uma CPI em seu governo. Ora, quem não deve não teme.
É triste admitir, mas em nosso País impera cada vez com mais força, a famosa lei do Gerson, onde tudo deve ser vantajoso para alguém ou para alguns. Temos vergonha ao ver uma Seleção Brasileira que já foi chamada de pátria de chuteiras, não ser mais nem seleção, quanto mais pátria. Onde estão as nossas aulas de OSPB (Organização Social e Política Brasileira) e de EMC (Educação Moral e Cívica)?
A juventude do nosso País nos assusta pelo desinteresse, não por culpa deles próprios, mas por culpa de um sistema político partidário nojento e asqueroso, onde as pessoas, os políticos que nos representam, não nos transmitem confiabilidade, mas nos passam a idéia de que são hipócritas e calhordas.
Só vamos ter alguma melhora quando deixarmos de ser analfabetos políticos, e quando o sentido de nação
novamente nos imbuir. Como diria Renato Russo: Vamos cantar juntos o Hino Nacional.
- MIGUEL PEDRO ABUDI JÚNIOR, universitário, Campo Mourão
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





