O LEITOR ESCREVE
1º de Abril
Consta na agenda o dia 1º de abril como o Dia da Mentira e da Abolição da Escravidão dos Índios, que foi em 1680. Surge o questionamento, o que uma coisa tem a ver com a outra?
Nas ruas, em dia de chuva fraca, uma índia carrega seu filho nu e tenta vender balaios. A cena é comum, mas pode render uma boa foto. A miséria, o exótico, o belo, o misterioso, o desconhecido. Não temos tempo nem lugar para o que eram uma vez os índios. Dia da mentira é mais divertido. Gostamos da ilusão.
- DANIEL STEIDLE, Rolândia
Tapinha
Dói, um tapinha não dói. Um tapinha não dói! É o que canta a letra do atual sucesso cultural, neste momento. Mas, um tapinha não dói, só serve para a mão que desfere o tapa, porque, para a cara esbofeteada, dói muito. Principalmente quando a cara esbofeteada, é a cara suada dos trabalhadores; marcada pela espera das promessas não cumpridas pelos políticos, enrugada por anos de trabalhos e sacrifícios, anos de esperanças vãs, desfeitas a cada plano econômico frustrado, a cada gestão pródiga em gastos supérfluos e corrupção e a cada desmanche do patrimônio público construído com o suor de todos.
A dor sentida na cara rude, triste e angustiada do povo trabalhador, é muito maior quando a mão que desfere o tapa, é a mão lisa e bem cuidada do poder. Nestes últimos anos já vimos muita truculência por aqui, e olha que a ditadura militar já se foi. Estamos em plena democracia. Já vimos professores serem pisoteados por cavalos, sem-terras serem assassinados, manifestantes serem detidos, grevistas serem perseguidos, caminhoneiros serem humilhados, mas com uma diferença; todas as vezes que levamos na cara, os caras-de-pau do poder livram a cara dizendo que este é um episódio ou um fato isolado, provocado por um cara despreparado para lidar com situações conflituosas. Mas com que cara ficamos depois do ocorrido em Maringá em que o professor da UEM levou um tapa na cara, desferido por um cara que constitucionalmente representa o Estado?
Sei não, acho que o estapeador-geral, digo, procurador-geral, quis mostrar com o tapa que este é um recado para que o povo não meta a cara com os caras do poder, ou então, será que é um sinal de que vamos quebrar a cara toda vez que ousarmos mostrar a cara? Pois bem, então vamos amarrar a cara, e dizer um não nas próximas eleições e, deixá-los com cara de tacho. Mas, até que outubro de 2002 não chegar, vamos encher a cara de coragem e cidadania e começar dizendo em uníssono um baita não à privatização da Copel.
- LUIZ ANTONIO CALDANI, diretor do Sindicato Dos Engenheiros do Estado do Paraná, Campo Mourão
Cooperativas de crédito
Tem se alastrado como instrumento de apoio à
produção agropecuária uma rede de Cooperativas de Crédito, há alguns anos, vinculada ao Banco do Brasil. Hoje em caráter autônomo, com status de rede bancária, sob a denominação de Sicredi. Tal sistema apresenta vantagens em relação ao sistema bancário, representado esperança ao homem do campo.
Mencionarei um exemplo recentemente verificado junto à Cooperativa de Crédito Rural da Região de Cornélio Procópio, ante a qual um proprietário rural pleiteou e obteve uma linha de crédito em conta corrente de R$ 3 mil, além de um empréstimo a prazo fixo de outros R$ 12 mil. Passados cerca de dois anos, após inúmeras renegociações e renovações, a instituição credora estava lhe exigindo um total acumulado de quase R$ 300 mil, a pretexto de que se tratava do principal, mais os encargos de mora avençados.
E tal valor acha-se documentalmente provado, vez
que a citada Cooperativa de Crédito inscreveu a dívida num determinado cadastro de devedores inadimplentes, espelhando falsa condição do mutuário, como se fosse devedor de tão vultosa quantia, à beira de superar o valor de todo o seu patrimônio, conduta essa que configura crime de cobrança abusiva, tipificado no artigo 72 do Código do Consumidor.
A bem da verdade, em que pese serem os juros
contratados já bastante extorsivos (de 9% a 15% ao mês), desconforme com a natureza e finalidade do Sistema de Crédito Cooperativo, mormente quando se sabe que não existe autorização do Banco Central ou do Conselho Monetário Nacional para que tais cooperativas cobrem juros acima de 12% ao ano, é bom que se diga que referida dívida hoje, passados cerca de 5 anos da ocorrência de tal episódio, acha-se totalizada, em cálculos da Justiça da comarca de Cornélio Procópio, em pouco mais de R$ 100 mil.
Que os sócios de tais Cooperativas de Crédito
abram os olhos, fiscalizem a gestão de suas diretorias, porque do contrário serão todas condenadas pela Justiça a indenizarem os mutuários prejudicados, e o prejuízo correspondente acabará por ser suportado por todos os cooperados, uma vez mais frustrando-se qualquer possibilidade de um futuro melhor para a categoria dos produtores rurais, que tanto o merece.
- JOSÉ ROBERTO SAPATEIRO, advogado - Londrina.
Combate à dengue
Sem uma mudança de hábito, com calor e chuva, sempre vamos ter a ameaça de dengue, mesmo com o uso de inseticidas e as visitas de guardas sanitários. Foi o que disse o ministro da Saúde José Serra, no dia 19. Ou seja, o ministro culpa os brasileiros, joga a toalha e oficializa a falência da saúde pública, apesar da nossa tradição histórica e invejável em saúde pública. Por que não nos espelhamos em Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e Adolpho Lutz, entre muitas outras figuras proeminentes, que trabalharam e encontraram solução para muitas das endemias que hoje nos atucanam?
Mudança de hábito, senhor ministro, não se faz num toque de mágica. Para se mudar de hábito, é preciso motivação, além de boas escolas, bons serviços de saúde pública e de uma boa dose de brasilidade.
Precisamos também de bons exemplos, sobretudo dos homens que governam o País. O Brasil tem uma enorme carência de homens públicos honestos, idôneos, abnegados e que tenham como princípio de vida o bom caráter e o respeito à sociedade. Infelizmente, não é o que vemos no currículo da maioria dos homens que lidam com a coisa pública no Brasil. Quando um presidente da República e muitos governadores entram no corpo-a-corpo para afundar a sujeira que veio à tona, usando de todos os males contidos nos sacos de maldade, o que se pode esperar do povo senão o desânimo? Nossos governantes nos enchem de vergonha e estão roubando as nossas esperanças.
Como pode o ministro da Saúde cobrar a mudança de hábito de um povo que só conhece a boca torta de quem tem o hábito horroroso de fumar o cachimbo do poder? O que nos remete à advertência do jornalista Gaudêncio Torquato, publicada na Folha do dia 4 de maio de 99, de que muito tempo no poder acostuma o governante a ver as coisas pelos olhos de bajuladores, políticos fisiológicos e frios burocratas. Mais que inexpugnáveis perdem o senso da realidade.
- UESLEI TEODORO, Maringá
CPI da Corrupção
Através da imprensa fiquei sabendo que dos três senadores que tem o Paraná, somente o senador Roberto Requião assinou a CPI da Corrupção. Está faltando os senadores Osmar Dias e Alvaro Dias assinarem a CPI e o que é que eles estão esperando? Quero lembrá-los de que o ano que vem teremos eleições e que foi feita uma pesquisa nacional mostrando que 84% da população é a favor da CPI.
- JORGE BELLANTANI, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





