PAI
Vamos começar falando de uma qualidade admirável: respeito. Todo homem capaz, todo homem que consegue criar, que consegue produzir com seu próprio talento, tende a admirar os feitos dos outros, pois sabe muito bem quanto custa cada mérito. Tenho certeza que nosso prefeito é um homem que essa qualidade tem de sobra, mas é preciso estar mais atento, pois tem pessoas ligadas a ele, pessoas que falam em nome da instituição Prefeitura Municipal de Londrina, que estão faltando com o respeito para com a população desta cidade. Refiro-me novamente ao nosso PAI famoso, o Pronto Atendimento Infantil.
Quero alertar que pode ser arriscado por demais essa transformação do PAI para atendimento somente a especialidades pediátricas e o atendimento rotineiro lá prestado passando para os hospitais da Zona Norte, Zona Sul, Universitário, Infantil e Posto de Saúde do Jardim Leonor. Esses já não suprem a demanda, já não conseguem atender a todos os casos habituais com o PAI funcionando, e agora querem provar para a população que não haverá problemas.
Todos estamos cansados de promessas, como a do governador Jaime Lerner em sua campanha para reeleição em 1998, de reabrir o Hospital Londrina, mas hoje, já reeleito, reempossado, regozija em Curitiba enquanto o londrinense redobra seus esforços por um atendimento no mínimo justo.
Sugiro que, antes de reestruturar o PAI para um atendimento especializado, primeiro equipem os outros locais acima citados e verifiquem se eles atendem à demanda. Depois, somente depois, se de fato a população de Londrina não ficar novamente largada em filas quilométricas e dias de espera, o PAI transforma-se num Centro de Atendimento Especializado.
Gostaria que, como homens de bem, todos cumprissem sua parte e é muito justo que a primeira parte a cumprir a sua seja a Prefeitura Municipal de Londrina, afinal ela tem o poder legal e a autoridade de não cumprir posteriormente o acordado, caso entenda ser melhor assim na época.
- LUDOVICO JOSÉ BONATO, funcionário público, Londrina
Participação
Li a Seção ‘‘O leitor escreve’’ do dia 21. Sou inveterado apreciador de coisas e pessoas elevadas. Quero dizer daquelas que não voam nos baixos planos, mas têm impulsos de topos elevados como diz o professor Eduardo Afonso. Fiquei satisfeito, e muito, quando li todos os leitores que escreveram na coluna daquele dia. Quero aqui parabenizar e cumprimentar a todos pelos assuntos abordados, como sejam: Sinézio Scudeler pelos ‘‘Erros do passado’’; o advogado Victor Pereira da Silva pela ‘‘Defensoria Pública’’; professor Marcelo Rubens de Machado pelo ‘‘Bem-estar social’’; e a universitária Ivete Mormino Shon pela ‘‘Propaganda eleitoral’’. São comentários que realmente enchem os olhos e causam a maior satisfação por saber que ainda existem cidadãos de bem e que se interessam pelos assuntos ali abordados.
O jornal é, sem dúvida, nos tempos modernos, a maior força que a mão do homem já empenhou. Nem mesmo o rádio lhe leva vantagem. A comunicação com o público por meio dessas instituições, jornal e rádio, tem seus métodos e características próprias. Se o rádio ganha em extensão, o jornal lhe leva vantagem em propriedade.
Pode-se mesmo afirmar que o rádio é aperitivo para o jornal. Enquanto aquele desperta a atenção, esse traz a notícia completa, detalhada, satisfazendo assim, a curiosidade do leitor.
- ROMEO JOSÉ WIEDERKEHR, escrivão, Porecatu
P-36
Por favor, não confundam a Petrobras com a Petrobrax. São duas empresas diferentes, com filosofias e objetivos diferentes. Uma, apesar de ter perdido o acento, tem o nome pela qual ficou conhecida no Brasil e no mundo, nos últimos 47 anos. O outro nome não passa de invenção de gente sem serviço.
A Petrobras é um modelo de eficiência, competência e produtividade, qualidades reconhecidas internacionalmente. A Petrobrax é a empresa das mamatas, dos esquemas nem sempre muito limpos. A primeira é uma estatal construída com sangue dos trabalhadores brasileiros. A segunda corre a passos largos para ser entregue à iniciativa privada.
Todos reconhecem: a Petrobras está sendo sucateada, não há mais investimentos na qualificação de pessoal, grande parte da mão-de-obra foi terceirizada, inclusive no setor estratégico da manutenção. Aliás, não há mais manutenção preventiva.
Há 12 anos a empresa não renova seus quadros profissionais. Dos 60 mil petroleiros de alguns anos atrás, há hoje pouco mais de 30 mil. Com isso, os técnicos ficam assoberbados, com sobrecarga de trabalho, suando para dar conta de duas ou mais funções.
A primeira reação é culpar a empresa, ainda mais diante da dor pela morte dos 11 trabalhadores no fundo do mar. Logo, porém, vem à tona uma informação estarrecedora: a direção da Petrobras havia sido alertada, por técnicos da empresa, três dias antes da explosão na plataforma, que havia problemas sérios. Não tomou nenhuma providência. Foi um risco tremendo, mas, claro, assumido com o pescoço dos outros.
As testemunhas morreram, a área foi bloqueada, as notícias idem. Essas atitudes, mais o enorme prejuízo, as mortes e o desprestígio, devem ser imputadas àqueles que têm interesse na privatização e que se cobriram de ridículo ao tentar impor o ridículo nome Petrobrax.
O afundamento da P-36 representa, ao mesmo tempo, uma denúncia trágica do entreguismo oficial e um monumento a todos os petroleiros, trabalhadores e ao povo brasileiro.
- NATÁLIO STICA, vereador, Curitiba
Humanidade
Habituei-me a ser leitora de jornais, revistas, gibis, onde quer que esteja. São os que nos dão a dimensão de como ‘‘caminha a humanidade’’. Senão vejamos os fatos nas manchetes: Londrina, enxovalhada perante a nação, Maringá idem, por políticos ‘‘virtuais’’ desnecessários.
Em Curitiba, escândalos sobre a dor e a morte, briga de funerárias; exposição de fotos de índios Pataxós desvirtuados de sua natureza; indústrias alimentícias falsificando pesos de ovos em razão da Páscoa que se aproxima; em minha cidade, a indústria Big Frango poluindo os seus arredores sem pudor; plataforma P-36 afunda levando consigo vidas. Tudo isso é reflexo de quê? Falta de retidão moral, solidariedade, fé e crença que todos deveriam ter.
Deixemos de dar um ‘‘jeitinho’’, um escanteio, encobrir falhas, relatórios falsos. Devemos sair de nossa inércia e começarmos a cobrar nossos direitos e praticá-los também. Quando o homem se inteirar que estamos aqui de passagem e pagando mal o aluguel, nada mais do que foi escrito acontecerá. Então teremos cartas sobre paz, cultura e lazer.
- CÁSSIA ASSIS, Arapongas
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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