O LEITOR ESCREVE
Questão do lixo
Nos últimos dias, a imprensa tem tratado a Câmara Municipal de Londrina como um verdadeiro saco de pancadas por causa da celeuma estabelecida na questão relativa ao contrato com a Vega-Sopave.
Sem querer polemizar, mas exercendo meu direito à opinião, posso afirmar tranquilamente que a Câmara jamais quis encerrar a discussão quanto ao recolhimento, transporte e destino final do lixo de Londrina. Muito pelo contrário, a mesma Câmara instaurou uma comissão, da qual eu faço parte, para acompanhar todo o processo de transição entre o presente e o futuro do contrato relativo ao lixo no município.
Os mais afoitos chegaram a levantar suspeitas de possíveis interesses escusos por trás da decisão dos vereadores de proibir a terceirização do lixo. Já imaginaram o que não se diria se fosse o contrário, ou seja, se a Câmara exigisse a privatização do serviço?
Portanto, vamos com calma: modus in rebus!, como diriam os romanos - é preciso, antes de mais nada, serenidade e imparcialidade nas discussões.
Em primeiro lugar, sabe-se que o contrato com a Vega é leonino. O que se paga a título de coleta, transporte e destinação final do lixo em Londrina daria para deixar esta cidade um brinco, sem uma folha, sem um papel de bala no chão e com o aterro sanitário não sendo uma bomba-relógio para nossa cidade.
E já que destinamos uma fortuna a esse serviço, por que não melhorá-lo? Mas para isso é necessário primeiramente que se defina uma política ambiental clara e factível, com objetivos e metas para que privilegiem o presente mas não se esqueçam do futuro. Quantos aterros sanitários e quantos lixões vamos deixar para contaminar as fontes de água de nossos netos? Quantas montanhas de pneus, plásticos e vidros ergueremos como prova de nossa insanidade presente? E a coleta seletiva, quando é que realmente funcionará na malha urbana? Vamos com calma e sem paixão, porque a pressa e a paixão política deram nisso: um serviço ruim, caro e comprometedor de nosso ambiente.
E, como vereador, não quero nem posso comprometer o futuro de minha cidade, já tão castigada ultimamente. Com calma, serenidade e um pouco de paciência, a sociedade com certeza encontrará uma solução melhor e mais barata para a questão do lixo.
- RUBENS CANIZARES, vereador, Londrina
Negligência
Ultimamente a Petrobras tem sido protagonista de inúmeros episódios noticiados pela nossa imprensa. Foi personagem em vários acidentes ambientais, o derramamento de óleo na Baía de Guanabara, em Araucária, Antonina, São Sebastião e em outros tantos que podem não ter sido noticiados. Até tentou trocar de razão social para Petrobrax - gastou uma fortuna dos cofres públicos e que felizmente não deu em nada. A última das peripécias petrobrasilianas foi o que ocorreu na bacia de Campos, onde a maior das plataformas de prospecção de petróleo do mundo, a P-36, foi a pique levando consigo os corpos de nove operários.
Os jornais noticiaram que os problemas já tinham sido diagnosticados três dias antes das quatro explosões na plataforma. O gerente de produção da Petrobras, que recebeu os boletins contendo os dados dos problemas, tentou explicar que no primeiro momento do surgimento dos problemas, foi até cogitada a paralisação das operações de prospecção, mas a conclusão a que chegaram foi de que não havia necessidade para tanto, pois avaliaram que os sensores detectaram um vazamento em quantidade insignificante.
Aliás uma outra agravante é que a P-36 teve a sua funcionabilidade desvirtuada, foi modificada em sua estrutura e função e isso levou ao surgimento de muitos problemas, tais como superaquecimento a 80 graus nas vias de trânsito dentro da plataforma.
Mudanças na Petrobras são iminentes e necessárias, pois não se admite que ocorra uma sequência tão grande de tropeços numa mesma estatal, sem que aparentemente nenhuma providência prática seja tomada. E o que é pior, o próprio presidente da estatal vem a público juntamente com um monte de assessores e como num jogral, dizem que não tem idéia do que possa ter acontecido para a P-36 ter afundado.
- WALTER ABOU MURAD, biomédico, Londrina
PAI
Muito me causou espanto quando abri a Folha do dia 27, com uma reportagem que noticiava a reestruturação dos atendimentos feitos pelo Pronto Atendimento Infantil - PAI. Com as mudanças, os postos e hospitais teriam de absorver os quase 5 mil pacientes atendidos atualmente pelo PAI.
É de conhecimento de toda a população de Londrina e região a precariedade com que os hospitais vêm operando recentemente. Por diversos dias foi noticiado pelos jornais a superlotação do Hospital Universitário - HU. Coincidentemente, no último sábado, dia 24 de março, pude constatar com os próprios olhos a decadência no atendimento de um hospital na região central de Londrina. Informada de que meu familiar não poderia ser atendido pelo Sistema Único de Saúde - SUS, pois só os casos muito urgentes estavam sendo considerados, optei por uma consulta particular.
Após ter deixado um cheque de caução e ter preenchido uma ficha, já dentro das dependências do hospital é que tive a informação de que apenas um médico estava disponível para o atendimento. Como havia muitas urgências, aguardamos por aproximadamente uma hora e meia para sermos atendidos.
A essa altura, meu avô, de 81 anos, que apresentava um quadro de diarréia e vômito, já desidratado, com tremores pelo corpo e febre, teve de ser levado à sala de emergência. Será que vamos ter de esperar que um simples quadro se torne urgente para podermos ser atendidos? Nos postos de saúde a situação não é muito diferente, uma vez que se leva até três meses para verificar o resultado de um exame. Muitas vezes a espera da correspondência com o dia e a hora marcados para consulta já não se faz necessário.
Portanto, espero que nossas crianças, que são nosso futuro, possam ter atendimento digno de um ser humano. Caso contrário, estaremos formando cidadãos que em um futuro próximo não serão médicos ou enfermeiros e sim delinquentes marginalizados.
- ANA CRISTINA PEREIRA, universitária, Londrina
Indignação
Assistindo à televisão na última sexta-feira, deparei-me com uma cena revoltante: a agressão do Procurador do Estado Joel Coimbra contra o professor de Maringá. Ali ficou demonstrado todo o desespero e desqualificação do procurador, que agiu de forma animal e incoerente com a sua função, além de me preocupar bastante quanto as arbitrariedades que este senhor fez em toda a sua vida profissional, pois o mesmo era promotor público. Este cidadão teria que ter vergonha e pedir demissão do cargo no mesmo dia do acontecido, pois somos nós que pagamos tanto sua aposentadoria, como o salário de procurador do Estado.
- LUIZ CARLOS CABRAL, cirurgião-dentista, Arapongas
Correção
- Em matéria sobre a febre amarela, publicada ontem na página 10 do primeiro caderno, os números reais são que faltam 1,8 milhão de pessoas para serem vacinadas, em um universo de 5,5 milhões, e não 1,8 mil e 5,5 mil, como a matéria relatou. Na chamada de capa, sobre o mesmo assunto, a informação correta é que a campanha contra a febre amarela será desenvolvida em 17 das 22 e não das 12 regionais de saúde. A Folha pede desculpa aos leitores.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





