O LEITOR ESCREVE
Londrina linda
No período do vestibular, quando a cidade aumentou em milhares de pessoas, confesso que fui tomado por nostálgico sentimento de cidadania por este maravilhoso município. O cosmopolitismo de Londrina, seu leque étnico ilustrando nosso mais belo patrimônio: nossos 500 mil habitantes. Tudo aqui fica completo e mais familiar ainda quando vindos de várias regiões do País, os vestibulandos colorem nossos logradouros enchendo-os de alegria, movimento e sons. Não sou londrinense de nascença, mas de coração. Sou seu filho adotivo mais pródigo.
Quem conhece Londrina não a esquece jamais. Nunca permite que ela parta da memória e do coração se conseguir ir embora. Se retorna, a toma com vontade, arregaça as mangas e planta aqui seus sonhos, não tardando a ver seus frutos. Uns suados, outros mais fáceis, mas sempre frutos viçosos de um latossolo frutífero e promissor. Somos filhos da terra. Plantamos esta cidade há 63 anos, sonho eclético de nações diversas que se tornou único sonho, o sonho de vencer dignamente, o sonho que nunca acordou nem dormiu.
Em cada canto da cidade-luz já me vi fazendo algo. Conheço suas ruas, postes, praças, bancos, parques, bares, nascentes e poentes, edifícios e terrenos baldios, asfalto, terra, chão, zerão e lago, shopping e boteco. Conheci os teatros e neles atuei, esquentei bancos na universidade, fiz poesia, chorei de saudade, sorri ao retornar, gargalhei com a vida por acaso. Enfim, vivi. Não foi por acaso que fui feliz aqui, me conheci e aprendi o significado da palavra gente, pessoa. Obrigado por me acolher, Londrina. Eu te amo. Parabéns, ‘Folha’ por saber ilustrar a beleza dessa cidade maravilhosa.
- JOSÉ RICARDO DORTH CAVALHEIRO, Londrina
Paciente inglês
Recentemente o mundo inteiro aplaudiu o filme ‘O Paciente Inglês’. A Academia de Hollywood concedeu vários Oscars àquela película, que retratava as contradições de um cidadão inglês ferido por ocasião da Segunda Guerra Mundial e como foi acompanhado por uma enfermeira durante toda a sua enfermidade. Este filme trouxe à minha mente a realidade dos pacientes brasileiros que necessitam do SUS - Sistema Unificado de Saúde. A imprensa tem relatado o descaso e a indignidade a que são submetidos os pacientes que procuram os nossos hospitais públicos. O governo alega que o problema é gerencial enquanto os profissionais da área dizem que os serviços são péssimos porque não há recursos. Enquanto a polêmica ganha contornos de discussão acadêmica, as pessoas que necessitam de tratamento médico enfrentam enormes filas, são submetidas a torturas psicológicas, tratamentos desumanos.
Os profissionais de saúde, principalmente os que trabalham em serviços de emergência, têm a triste sina de escolher os pacientes que vão morrer e os que serão alvo de tratamento. Creio que grande parcela de culpa desta situação é fruto da herança que recebemos dos governos militares, que tinham uma visão hospitalocêntrica em detrimento da medicina preventiva. Isto gerou uma cultura de que os problemas de saúde só são resolvidos através de internação hospitalar. O cerne da questão está na insuficiência de recursos para o SUS, pois ao analisarmos as receitas da Seguridade Social chegamos a uma conclusão estarrecedora: recursos que deveriam ser aplicados em hospitais públicos são desviados pelo governo federal para pagamento de outras despesas que deveriam ser pagas pelo Orçamento fiscal.
Em suma, os recursos que deveriam ser utilizados para reduzir as nossas profundas desigualdades sociais estão indo literalmente para o ralo. Para se ter idéia dos recursos arrecadados pela COFINS - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e pela CSLL - Contribuição Sobre o Lucro Líquido das empresas, que no ano passado somou a importância de R$ 24,47 bilhões, somente foram aplicadas nas atividades-fins da Seguridade Social R$ 11,63 bilhões. A Lei Complementar nº 70, em seu artigo 1º diz textualmente que ‘‘os recursos oriundos da COFINS devem ser destinados exclusivamente às despesas com atividades-fins das áreas de saúde, Previdência e Assistência Social’’, o que não está sendo praticado pelo governo e, no nosso entender merece uma ação popular, para evitar estes desvios.
- ÁLVARO SÓLON DE FRANÇA, de Brasília
Exemplo coreano
O grupo coreano Kia encontra-se em concordata e correndo o risco de falência. Porém, governo, bancos, sindicatos e principalmente trabalhadores da Coréia estão fazendo enorme esforço para salvar a organização, composta por 38 empresas. Uma atitude que devemos olhar como lição.
Os trabalhadores decidiram devolver à empresa o montante de 11 mil dólares que haviam recebido durante o ano, sob a forma de bônus ou abono de férias. Os trabalhadores se ofereceram para trabalhar aos domingos e feriados sem receber horas extras e se dispondo a aceitar uma redução dos seus salários, pois querem com isso mostrar seu alto grau de identificação com os propósitos da empresa.
Ante o risco de fechamento da Kia, desapareceram divergências e todos se dão as mãos para salvar a empresa. Se nesta emergência os trabalhadores pensassem apenas na busca dos seus direitos, é possível que viessem a receber alguma coisa daquilo a que têm direito, mas à custa da perda do emprego.
O próprio sindicato dos trabalhadores se irmanou à causa, emprestando à Kia 2 milhões de dólares e liderou uma campanha junto aos empregados de outras empresas para arrecadar fundos. Com essa campanha as vendas aumentaram em 40% e os preços dos veículos foram reduzidos em 30%.
Isto tudo é um exemplo para aqueles que pensam em fazer greves, recorrer à Justiça ou até depredar a empresa que por ventura possa estar passando dificuldade. O exemplo mostra claramente que quando as forças que geram uma empresa se unem em pensamentos iguais de colaboração, muita coisa pode ser evitada e com perspectivas de se passar aquele momento difícil, na esperança de que mais adiante a situação financeira da empresa se equilibre para o bem de todos que dela dependem direta ou indiretamente.
- NIVALDO ANTÔNIO PIGATTO, de Londrina
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