O LEITOR ESCREVE
Lixo
Acompanhando o desenrolar da questão do lixo em nossa cidade, queremos contestar algumas informações na reportagem Reciclagem depende de conscientização, veiculada na Folha Cidades no dia 16.
Afirmar que os materiais recicláveis retirados na usina na reciclagem e compostagem são de péssima qualidade não expressa a realidade, pois existem várias unidades em operação que não encontram dificuldade para comercializar seus produtos, como as unidades de Assis/SP e Arapongas/PR, bem como a informação de uma possível contaminação/poluição no processo de compostagem.
O tratamento do lixo está diretamente relacionado com a questão cultural, sendo um problema que se arrasta ao longo dos anos e que recentemente vem despertando a atenção de governantes e governados. Diversas correntes têm surgido para solução do destino do lixo, dentre elas a da coleta seletiva, a do aterro sanitário, desidratação do lixo, e extração de energia.
O ideal para a solução do problema do lixo seria a implantação de um programa integrado que contemple a coleta seletiva, o tratamento através da usina de reciclagem e compostagem e o aterro sanitário, como o destino final dos rejeitos e materiais inertes. Na usina de reciclagem e compostagem, as matérias orgânicas, que representam aproximadamente 65% na composição do lixo urbano, e principal agente poluidor causador do gás metano, chorume, etc., transformam-se em composto orgânico, o qual tem utilização em diversas atividades agrícolas, como comprovado e atestado pela Universidade Federal de Viçosa/MG. Diversos projetos existem apoiando e incentivando o programa de reciclagem e compostagem em nosso País, disponibilizando-se recursos oriundos do Fundo Nacional do Meio Ambiente, do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério da Saúde.
Concluindo, sugerimos à atual administração que viabilize a operacionalização da usina de reciclagem e compostagem de lixo, de propriedade do município, a fim de que esta medida solucione o problema do lixo em nosso município, e também evitando que o erário público continue sendo mal utilizado.
- GLADISTON GONÇALVES GOUVÊA, consultor na área de tratamento em destinação final de resíduos sólidos, Londrina
Talento
Li Arrigo Barnabé na Folha2 do dia 22 de fevereiro. Gostei e não resisti ao ímpeto de comentá-lo. Sou inveterado apreciador de coisas e pessoas elevadas. Quero dizer daquelas que não voam nos baixos planos, mas têm impulsos de topos elevados. Sobretudo na música onde hoje, no Brasil, a arte maior paira rasteira no domínio do barulho e do gingaginga.
Arrigo é uma notável inteligência musical. Não é um improvisador e, muito menos, um imitador servil. Estudioso do clássico, pesquisador consciencioso, basicamente original, sabe o que quer e produz o que quer. Não trabalha na linha definida da sobrevivência, linha que moveu inclusive grandes gênios do passado. Trabalha por vocação, gosto e competência.
Não sou músico, nem dela entendo, por isso quero mais comentar o escrito de Arrigo: Londrina, uma cidade cheia de lembranças. Bonita página e saborosa para nós que, há 40 anos, pisamos pé na cidade do barro vermelho. É um desabafo do menino que aqui nasceu faz 50 anos. Chegou lá onde queria chegar na consciência de que era aquele o seu caminho, e aquela era a meta prefixada. Hoje Arrigo tem a aceitação de qualquer crítica séria e faz valer sua valiosa presença.
Espanta-me, porém, e muito, o desconhecimento dele na cidade que o deve ter orgulhosamente como filho ilustre. Justa sua declaração: em 20 anos de Festival de Música recebi três convites para participar, acho isso discutível. E eu, Arrigo, acho isso lamentável! Das duas uma: ou você não cabe no Festival, ou o Festival não quer apequenar-se com você. Será que vale aqui a palavra do Cristo em Nazaré: nenhum profeta é bem-aceito na sua pátria? Fique sabendo, meu amigo, que hoje, por essas bandas paranaenses, não há - e nem houve!, quem mais capazmente manejou a pauta do que o Arrigo Barnabé.
Que Londrina bata no peito e se redima de sua cegueira, ou de sua surdez. Colho a oportunidade para dar uma curva e abraçar seu Pai, o meu grande amigo Fagundes, e agradecer-lhe pelo não menor filho.
- EDUARDO AFONSO, professor, Londrina
Trigo
Milton Alcover, recentemente falecido, PhD de Esalq, que em pesquisa no Instituto Agronômico de Campinas e do Iapar, estudou a fundo as mais minuciosas e científicas variedades de trigo que se adaptassem nos diferentes solos brasileiros. Para a região Sul, de solos ácidos, surgiu, então, a variedade IAC-5, e o Paraná pôde produzir em condições de abastecimento e exportação. O Estado inteiro pôde colher volumosas safras do IAC-5, variedade de cereal resistente a várias pragas e com grande produtividade. Tudo isso acontecia sob bons augúrios, até que o governo brasileiro resolveu firmar um acordo comercial com a Argentina, sobre a importação daquele importante cereal para consumo brasileiro.
A consequência, inevitável. O grande consumo do trigo no Brasil passou a sofrer a concorrência do trigo argentino. Uma competição desigual, pois a Argentina dada a natureza de seus solos planos, não erudidos, portanto, conservados e apropriados para o trigo, além de uma tradição agrícola de primeira linha, pelos seus produtos qualificados na agricultura foram fatores predominantes na sua exportação para o Brasil. Nossa insuficiente produção, embora incrementada pelo Iapar e pelo Esalq, tornou nosso produto inviabilizado pelo alto custo de sua produção.
Hoje, o trigo, para um país com 160 milhões de compradores tornou-se um grande mercado para a pressão de uma atividade em pleno desenvolvimento dos campos de produção argentinos. O pão nosso de cada dia piorou em qualidade, pois temos a impressão que o produto que deveria ser de consumo obrigatório, tem sido misturado com amido (da mandioca e outros cereais menos nobres) nos moinhos de trigo oficializados, para exclusiva distribuição.
Fato é que o trigo mais o germe de trigo na mistura tem um potencial quatro vezes mais elevado em vitamina B, indispensável para crianças e gestantes, e em todas as atividades que requer reforço intelectual que os bem nutridos possuem, ou os que se habituaram a um estado nutritivo dentro das modernas concepções.
- JOÃO DIAS AYRES, médico, Londrina
Corrupção
Parabenizo o autor do texto, Corrupção e neobobismo de JK, do senhor Pedro Mendonça, publicado na Folha no dia 21, pois este assunto reflete bem o que os nossos governantes fizeram para nossa educação nestes longos anos.
- MARCOS ELIAS ISSA, vendedor, Londrina
Correção
Diferentemente do que foi publicado ontem na Folha2, o concerto Viva Verdi, que será apresentado hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina, faz parte do projeto Série de Concertos, com o incentivo da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, que prevê a realização de três concertos. A empreendedora é Maria do Carmo S. Duarte e o projeto total é que está orçado em R$ 25 mil e não apenas o concerto Viva Verdi.
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