O LEITOR ESCREVE
Coragem
Oceano, espaço ao contrário e tão insondável quanto.
Adeus Adilson, Charles, Emanoel, Ernesto, Geraldo, Josevaldo, Laerson, Luciano, Mario, Sérgio...
Mas esqueçamos o fato crudelíssimo de que um engenho formidável foi a pique e nos concentremos na motivação coletiva de uma equipe que, desgraçadamente, sucumbiu ante a maior das responsabilidades: zelar pela vida dos companheiros num momento indescritivelmente estarrecedor!
Lográssemos êxito (como os esperançosos 23 graus de inclinação obtido na madrugada), o país se inscreveria (se já não o está) por definitivo na honrosa galeria das nações adultas, construídas por uma (ou mais) raça de fibra, digna de respeito de toda a humanidade.
Não foi desta vez, mas que ninguém nos diminua por não termos tentado. Lá estávamos nós, mesmo sabendo que o seguro cobriria toda e qualquer perda.
Coragem é para muito poucos, como o primata que decidiu por sua conta aventurar-se fora das árvores, arriscado, atrevido e curioso, razão fundamental de nossas medrosas e pouco experimentadas existências.
Lembranças, sim, aos que morrem todos os dias no mundo do trabalho insalubre, mas as homenagens deixo-as aos sobreviventes de toda espécie, trazendo-nos paz, conforto, segurança, ordem e progresso.
Já pensaram que maravilhoso país célere não construiríamos, caso nossos homens públicos tivessem uns 10% do sangue de apenas um desses petroleiros? Que Deus nos ouça!
- CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ, arquiteto, Londrina
A inveja na política
No início deste ano assumiram vereadores e prefeitos eleitos. Aos prefeitos, em sua maioria, por precaução, coube a nomeação de seus assessores diretos, de confiança, para administrarem o bem público.
Muitos prefeitos se elegeram presos aos compromissos de honestidade, austeridade e de trabalho propostos durante a campanha. Já alguns vereadores, que só conseguem eleição à custa do dinheiro e promessas de favores, hoje encontram dificuldades para conciliar-se com um prefeito honesto, alheio à política do favorecimento, e com propósitos voltados ao futuro de seu povo e do município que administra. Daí surgem desavenças, críticas sem fundamento e até o abuso da boa-fé de pessoas humildes, instigadas a participarem de reuniões da Câmara visando favorecimento próprio, sob o apoio da vereança que busca promoção.
Vemos aquele que se coloca no lugar do Arrelia ou do Pimentinha, usando da tribuna como se fosse um picadeiro, transformando uma reunião da Câmara num verdadeiro circo com direito ao aplauso pelas suas chacotas infantis. Não é isso que um povo quer. Também não foi para isso que a maioria dos eleitores votou. Entendemos que não é por aí o caminho certo. Se existem arestas, que sejam resolvidas em local próprio e mais adequado, de uma forma mais democrática.
Entendemos que não será colocando apelidos, e ofensas a seus desafetos, que um vereador fará o exercício correto do cargo eletivo. Atitudes como essa, tomadas em desrespeito aos próprios colegas que se fazem presentes, devem ser rechaçadas para que toda uma reunião não caia no ridículo aplauso. É uma desfaçatez com os colegas menos preparados, que a tudo ouvem e nada falam. O exagero descontrolado e desequilibrado deve ser impedido por quem dirige uma sessão, senão em pouco tempo não se terá mais controle aos abusos cometidos em plena reunião da Câmara. A inveja do poder é muito grave, mas quatro anos passam depressa e todo cidadão de bem poderá ter sua chance. Só os cidadãos de bem, porque a maioria do povo está aprendendo a votar.
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, advogado, Jaguapitã
Compromisso
Existem três reinos: animal, vegetal e mineral. Todos os animais são dotados de instintos, isto é, dotados de um impulso interior que os leva a uma ação dirigida à conservação ou reprodução da vida. Ao homem foi dado algo mais que o faz diferente e superior aos outros animais: a capacidade de imaginar ou prever acontecimentos futuros. Essa capacidade é que dá fundamento a outro dom que o homem recebeu de Deus: o dom da liberdade, a capacidade do homem de poder optar, escolher entre duas ou mais coisas.
Diante dessa teorização podemos dizer que é fácil viver. Acontece que o homem, usando mal sua liberdade, permite que sua imaginação seja corrompida e dirigida pelos ídolos individualistas do ter e do poder. Aí, cria-se o círculo vicioso do quanto mais tem, mais quer. Com isso a vida perde o sentido. Não adianta o ter e o poder, pois cria-se o vazio que martiriza o homem. Normalmente, quando se chega nessa situação, busca-se preencher o vazio buscando refúgio no álcool ou outras drogas, tolhendo ainda mais a sua liberdade.
Não precisamos procurar para perceber que grande parte da humanidade padece dessas causas e efeitos. Tem saída? Claro que tem! Basta retornar ao plano que Deus tem para cada um de nós, que é convivermos no seio de uma família estruturada, crítica, que em qualquer situação busca no recolhimento, no estudo, na reflexão e na oração forças para discernir entre o bem e o mal e exercer dignamente nossa liberdade.
Pela desordem que impera no mundo, todos temos uma parcela de responsabilidade. É preciso revertermos o processo e isso só será possível quando fizermos uma revisão histórica e assumirmos um verdadeiro compromisso de amor à vida.
- LUIZ GONZAGA DE MELO, Ibaiti
Fitas
Fontes seguras informam que, na última semana, a Província Alpha foi atingida por várias fitas gravadas, disparadas provavelmente da Província Kappa. Os petardos provocaram danos de moderados a graves. Entre as vítimas, algumas tiveram apenas leves distúrbios de pressão arterial, insônia, perda de peso e apetite. Outras, mais intensamente afetadas, estão sob tratamento com antidepressivos ou foram atentidas em institutos de cardiologia e escritórios de advogados.
As Províncias vizinhas Beta, Gama e Delta estão em estado de alerta diante da possibilidade de serem envolvidas no conflito que, ultimamente, tem tido constantes surtos de agravamento. Fontes não oficiais asseguram que tem havido um aumento considerável no estoque estratégico de fitas, em todas as Províncias e na capital do Império, e muitas dessas armas já estão ativadas para possível uso. Em alguns setores há intenso movimento para que o fato seja levado a um Centro Promocional Intensivo (CPI) do Império.
Se pertinente ao caso, ou não, um informante lembrou curiosamente, um diálogo acontecido entre Stalin e Milovan Dillas (ex-vice-presidente da antiga Iugoslávia) e narrado por este último em seu livro Conversações com Stalin. Quando Stalin perguntou-lhe a razão dos frequentes desentendimentos na Iugoslávia, entre sérvios, croatas e montenegrinos, Dillas respondeu que eles lutavam pela honra e pela glória. Ao que Stalin, com aquele seu jeitão característico completou: É, cada um luta por aquilo que não tem.
- RICARDO SATHLER, cirurgião-dentista, Londrina
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