Erros do passado
Na década de 70, uma importante reunião de negócios mudou o rumo da economia brasileira. Com a participação do então ministro Paulo dos Reis Velozo, o convidado especial, Delfim Neto, e empresários de todo Brasil, a reunião realizada no Iate Clube de Brasília foi um marco na história de nosso País.
A reunião teve como objetivo discutir a assistência gerencial à pequena e média empresa e a criação do SEAG, hoje SEBRAE. O novo órgão governamental estava sendo criado para dar assistência aos pequenos e médios empresários, uma vez que 85% das pessoas empregadas no Brasil eram contratadas pelas pequenas e médias empresas. Dado que permanece até hoje.
A reunião que visava facilitar a cobrança dos encargos tributários também resultou na criação de uma faixa de crédito denominada 366, que permitia empréstimos com 1% de juros ao mês, quando a inflação mensal era em média de 7%.
As medidas propostas nesta reunião foram colocadas em prática e em pouco tempo o Brasil passou a colher os resultados. Com o aumento da produção, passou-se a beneficiar mais e consequentemente a vender mais. A balança de pagamentos experimentou um superávit de 2,6 bilhões. O PIB cresceu e atingiu a casa dos 10%. Foi a chamada década das ‘‘vacas gordas’’.
Também foi neste período que mais se construiu no Brasil. As usinas de Itaipu e Angra I e a ponte Rio Niterói, são exemplos deste progresso. Os salários também cresceram, havendo dois reajustes anuais: março e novembro. Nessa época perpetuou-se a frase de Delfim Neto que dizia: ‘‘Quem correr ficará onde está e quem parar será atropelado.’’
Mas todo esse progresso foi barrado com o contrastante governo de José Sarney. Tão logo assumiu o poder, os pequenos e médios empresários tiveram seus privilégios tirados, resultando no fechamento de muitos estabelecimentos comerciais.
Com o caos estabelecido, o presidente José Sarney entregou o comando do país com uma inflação mensal de 83,34%. Ao perseguir os comerciantes, as vendas despencaram e tivemos a pior recessão da história, resultando em falência e demissões em massa.
O governo de José Sarney serviu de exemplo para provar que onde não há comércio, não há produção, não há emprego e não há crescimento. Para se produzir mais é preciso vender mais. Esperamos que os erros de ontem sirvam de lição para os políticos de hoje.
- SINÉSIO SCUDELER, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região
Defensoria pública
Recentemente esteve em nossa cidade o senhor ministro do Supremo Tribunal Federal, Humberto Gomes de Barros, e ficou pasmo pelo fato de não contarmos com uma Defensoria Pública. Disse mais, que o direito ao acesso à Justiça está cada dia mais restrito às pessoas que podem pagar.
No estado de Direito e Social, cabe ao Poder Executivo manter instrumentos necessários ao acesso do cidadão à Justiça. Os poderes Executivo e Legislativo são responsáveis pela garantia de que esse direito básico seja ofertado à população.
Segundo o presidente nacional da OAB, Rubens Approbato Machado, em uma reportagem publicada pela Agência Estado, com o título, ‘‘OAB vai liderar mutirão judiciário para avaliar prisões’’, o não-cumprimento da lei de Execuções Penais ‘‘é, hoje, a raiz do problema das rebeliões nos presídios brasileiros’’. Approbato explicou que o mutirão proposto pela OAB, deverá ser realizado com o apoio do Ministério Público, do Judiciário e de Advogados.
Isto posto, rogo ao juiz Roberto Ferreira do Vale, corregedor da Comarca de Londrina, e aos advogados Lauro Zaneti, presidente da subseção da OAB em Londrina, e Artur Piancasteli, presidente do Conselho de Segurança de Londrina, para que gestionem com as autoridades constituídas e junto aos políticos de nossa cidade e região, para a criação e implantação de uma Defensoria Pública, que inclusive é constitucional.
Para esse mister, solicito o empenho de Vossas Senhorias, para a contratação de advogados que pertençam à ‘‘terceira idade’’, e que estão alijados do mercado de trabalho. Muito tem se falado sobre o idoso, mas pouco se tem feito por eles.
Nossa mão-de-obra é intelectual, é experiência nas lides forenses, conclamo também aos colegas advogados para que marchem nessa luta que é de todos.
Por ser de Justiça, esse é o meu pleito para as autoridades nominadas, e à OAB Nacional, na pessoa de nosso presidente, doutor Approbato.
- VICTOR PEREIRA DA SILVA, advogado, Londrina
Bem-estar social
Dia desses assistia a uma entrevista com um importante escritor brasileiro da atualidade, o jornalista Ruy Castro, que, através de seus excelentes trabalhos, tem imortalizado personagens brasileiros como Garrincha, Tom Jobim e Nelson Rodrigues.
Assistia ao programa com uma amiga que acabara de chegar da Dinamarca, onde, segundo ela, absolutamente tudo o que é feito nas cidades leva em consideração o bem-estar das pessoas.
Pensando nelas que os projetos de mobiliários urbanos são estudados e executados. Recordei-me então de uma passagem durante os anos em que trabalhei na AMA.
Num certo dia, durante a gestão do então prefeito Antonio Belinati, organizamos um seminário com especialistas e autoridades para discutirmos os problemas da precária arborização de Londrina. Estavam presentes vereadores, secretários municipais, técnicos da COPEL, professores universitários e pesquisadores do IAPAR.
Durante minha explanação, quando mostrava um slide, percebi que além da árvore em questão, a foto mostrava alguns blocos amarelos de concreto que a prefeitura havia recentemente instalado nas esquinas do Centro da cidade, visando coibir o estacionamento de veículos nestes locais.
Naquele momento, percebi que minha pesquisa havia me levado a refletir sobre assunto completamente adverso do proposto. Aproveitei o momento para alertar as autoridades que tal intervenção poderia causar acidentes, pois os blocos estavam sendo instalados sobre o asfalto, ainda que nada tivesse a ver com o tema do seminário. As cidades devem pensar, antes de qualquer coisa, em seus habitantes.
Mas ficou por isso. O Projeto de arborização não recebeu a atenção das autoridades e os tais blocos de concreto continuam instalados. Passados três anos, Londrina assustou-se com as chuvas dos últimos dias (dezenas de árvores caíram) e eu me acidentei com minha moto num cruzamento, sobre os tais malditos blocos amarelos. Poderia ficar paraplégico, mas certamente dormiria tranquilo, pois saberia que não há nenhum carro estacionado onde não deve. Que bom!
- MARCELO RUBENS MACHADO, professor, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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