O LEITOR ESCREVE
Tribunal de Contas
A propósito da manifestação do presidente do Tribunal de Contas, doutor Rafael Iatauro, afirmando que em Londrina houve tão somente desvio de finalidade e não desvio de recursos nas contas da prefeitura na gestão do prefeito cassado, Antonio Belinati, o Movimento Pela Moralização na Administração Pública de Londrina vem expor o seguinte:
As afirmações do presidente do Tribunal de Contas espelham, tão somente, a opinião pessoal dele, porquanto não houve um apreciação definitiva pelo próprio Tribunal, já que se aguarda, inclusive, relatório de outros anos.
A sociedade espera que o Tribunal de Contas promova todas as investigações competentes e necessárias para esclarecimento dos fatos, examinando também as contas correntes bancárias de todos os envolvidos nessa imensa fraude já denunciada pela imprensa, havendo até fatos comprovados pelo Ministério Público de Londrina, objeto de ações judiciais. Saliente-se que o sigilo bancário, fiscal e telefônico já foram quebrados pela Justiça.
Os documentos relativos às fraudes, extratos bancários, cópias de cheques e outros podem ser encontrados no Ministério Público e nas ações judiciais em trâmite. Com toda certeza, os membros do Tribunal de Contas, após a análise profunda e sistemática dessa documentação, vão apresentar ao povo de Londrina e de todo o Paraná uma decisão fundamentada em dados concretos, depoimentos testemunhais, contas bancárias, que não deixarão dúvidas quanto à conduta desonrosa dos que ousaram violentar a consciência, o tesouro e até o destino de uma comunidade, desviando-lhe o dinheiro e a esperança.
Assim fazendo, o Tribunal de Contas não só estará cumprindo, efetivamente, o seu papel, como mostrará à sociedade que a impunidade não está entre os seus objetivos, continuando a transmitir esperança de que serão coibidas práticas de lesar o erário público.
- SÉRVIO BORGES DA SILVA, advogado e membro do Movimento Pela Moralização na Administração Pública de Londrina
Auditagem
O trabalho do contador/auditor deve ser acima de tudo técnico. Auditar significa constatar fatos. O serviço do auditor é impessoal. A frieza dos números é que traduz o resultado da auditagem.
Osvaldo Alves de Lima, Osvaldinho como era conhecido em nossos tempos de acadêmico, é uma pessoa simples, humilde, sem aquela arrogância dos empertigados do colarinho branco. Osvaldinho sempre foi apaixonado pela sua profissão, muito competente, idealista pelas causas do bem fazer, e traz como marca de sua personalidade a justiça e a integridade moral.
Faz questão de ser simples, pessoa do povo, mas nem por isso deve ser atropelado pelos empertigados do colarinho branco. Meu caro Osvaldinho, vá em frente que os londrinenses haverão de elogiar o seu trabalho, sobretudo honesto e competente.
- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina
Despedida
Na tarde de sábado, dia 10, comparecemos às últimas despedidas do Coronel da PM, Rubens Mendes de Moraes. Amigos e familiares, consternados e solidários na dor da entrega do corpo à terra, cumprindo a sentença bíblica do pó viestes, ao pó voltarás. Enquanto se desenrolava a cena triste, minha mente gritava pela falta das honras militares, do clarim, da banda de música, dos tiros de festim, do comando forte, da bandeira paranaense sob a qual serviu. Nenhuma palavra foi dita, nem um soluço alto ouviu-se.
Rubens Mendes de Moraes não se restringiu a ser um militar competente e correto, orgulhoso da sua Corporação, dos seus companheiros, de representá-los no campo administrativo, político e no seio da comunidade. Orgulhou a Corporação com letras de dobrados militares. Jamais se furtou a enriquecer os momentos mais solenes da Instituição, quando revelava faces novas aos rígidos protocolos nos roteiros das apresentações públicas de 10 de Agosto, por ocasião dos festejos do Aniversário da Corporação. Logo você, que na noite em que recebeu o título de Vulto Emérito de Curitiba, concedido pela Câmara Municipal aos seus mais ilustres cidadãos, foi homenageado pela Banda da Polícia Militar e por mais cinco corais, que transformaram o Plenário daquela Casa e o ato solene em momento indescritível.
Entretanto, você, meu amigo, que tanto falou e se comunicou, não teve uma só palavra dos que, mudos, assistiram à sua despedida. É como se a única forma de homenageá-lo fosse o silêncio. Com isto, meu amigo, parece que você nos calou a todos. É como se já nos tivesse dito todas as palavras que precisassem ser ditas. Silêncio que rompo agora, contrito, para gritar: temos muito a lhe agradecer pelo seu legado cultural e profissional, Rubens Mendes de Moraes, mas, como pessoa amistosa e carinhosa, sentiremos imensamente a sua falta entre nós. Você, meu amigo, é insubstituível em nossos corações. Descanse em paz.
- ELIZEU FERRAZ FURQUIM, major da Polícia Militar, Curitiba
Esclarecimento
No dia 28 de fevereiro do corrente ano, nos assombramos com um duplo homicídio, que parecia ser de razões políticas, na cidade de Mariluz, região noroeste do Paraná. Pois bem, cinco dias se passaram, e o assombro foi maior, quando preso, o assassino, senhor José Lucas Gomes disse que teria cometido tal crime a mando do prefeito da referida cidade, o padre licenciado Adelino Gonçalves.
De acordo com o depoimento de Gomes não havia mais dúvida, o crime seria mesmo de ordem política.
Nós, cidadãos de bem, católicos ou não, nos vimos
cercados por uma enxurrada de informações, vindas da imprensa. Não sou a favor, pelo contrário, sou extremamente contra qualquer ato que prive a qualquer cidadão o direito à vida, mas neste caso as proporções que foram dadas ao caso, cabíveis e plenamente aceitáveis, têm como foco o fato do suposto mandante do crime ser um padre. Isto é grave e afeta milhões de católicos em todo o mundo.
Mas apesar de tudo isso, de todas as menções dadas ao fato, de todos os depoimentos, a que tivemos conhecimento através da imprensa, ainda não ouvimos manifestação nenhuma da Igreja. O bispo dom Mauro Aparecido dos Santos, da diocese de Campo Mourão, nos deve um parecer público, mesmo que este não venha a elucidar as nossas dúvidas como católicos. Ainda assim nós esperamos, mesmo que tardio ou em momento propício, pelo seu pronunciamento.
Que me perdoe o amigo leitor, mas não posso deixar de expressar aqui o meu sentimento de católico e de
conhecido do padre Adelino (com quem conversei por
apenas uma vez). Sentimento este que me impede de
acreditar que uma pessoa, formada dentre os mais puros ensinamentos da lei de Deus, que permanece até que se prove o contrário com sua índole inabalada, seja capaz de um ato de tamanha crueldade. Mesmo com este sentimento, aguardo o pronunciamento público da Igreja Católica.
- MIGUEL PEDRO ABUDI JÚNIOR, universitário, Campo Mourão
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