O LEITOR ESCREVE
Lei de Responsabilidade Fiscal
Na edição da Folha de quinta-feira, dia 1º, foi publicada uma carta do economista Ismael Mologni, onde o mesmo tece comentários de como devem se comportar os administradores públicos, face aos rigores da Lei de Responsabilidade Fiscal.
A Diretoria Executiva do Sindicato dos Contabilistas de Londrina, concorda em parte com o assunto publicado, ressalvando que o economista quando exerceu as funções de secretário municipal de Fazenda, praticou exatamente o contrário do que escreveu. É interessante agora o ex-secretário se manifestar sobre a lisura nos gastos públicos, quando toda a comunidade londrinense sabe das operações praticadas pelo mesmo.
Diferentemente de Maringá, onde toda a sociedade está execrando de maneira contínua e publicamente os corruptos, aqui em Londrina, alguns deles estão começando a voltar a ativa, achando que nossa sociedade está esquecida dos fatos. Uns, começando a falar em programas de rádio, outros escrevendo em jornais.
- MARCUS VINÍCIUS KELLY, diretor executivo do Sindicato dos Contabilistas de Londrina
Provopar
O Programa do Voluntariado Paranaense é uma empresa (sociedade civil) de utilidade pública - que deveria ser sem fins lucrativos - com a missão precípua de socorrer as pessoas conviventes com a miserabilidade emergencial, ocasional ou passageira.
Acontece que esse socorro vem tendo o destino indevido: pessoas inescrupulosas têm se apoderado dos recursos (públicos e doações), que deveriam pertencer aos nossos semelhantes situados abaixo da linha da pobreza, cujas pesquisas demonstram ultrapassar em 10% o total da população londrinense. Tirar o pão, o medicamento, o cobertor, o leite da criança e do idoso, que estão prestes a morrer de fome, é um ato, no mínimo, monstruoso.
Certamente, os irresponsáveis, direta e indiretamente, contribuíram para aumentar a revolta e o desajuste familiar, a violência, o crime, o alcoolismo, o desespero e a morte de muitas inocentes criaturas que poderiam ser evitadas. Enquanto a caneta do poder estiver nas mãos de tão inconsequentes criminosos e, após os fatos esclarecidos, continuarem livres, zombando de nossa indignação, infelizmente as estatísticas dos problemas sociais só tendem a se agravar.
A população está ansiosa pela punição dos culpados - todos - bem como a devolução do dinheiro roubado. Doa a quem doer! O que não pode é continuar a dor dos 45 mil londrinenses miseráveis, que não suportam mais a comemoração dessa orgia fúnebre.
- FÉLIZ RIBEIRO, vereador, Londrina
Corrupção
A manchete da Folha de domingo, dia 4, Fim da corrupção depende da sociedade, é intrigante, quando parte de alguém ligado ao Judiciário brasileiro. Parece que o senhor Milton Pereira, ministro do STJ, age como nossos políticos tentando inverter as responsabilidades, alegando que a falta de ação do cidadão brasileiro faz dele conivente, acomodado e por isto o poder Judiciário não consegue enquadrar os corruptos, e como ele mesmo alega, inclusive analisar crimes atribuídos a deputados e senadores.
Temos que admitir que nosso povo ficou muito tempo apático com as coisas públicas, mas seria diferente se ao menos sentisse que o poder Judiciário servisse como trava nos inúmeros processos desta natureza que ocorreram nos últimos anos. Quando decisões que ao invés de travarem atos de corrupção, incentivaram os roubos que ocorrem com muitíssimo mais frequência. O resultado gera no povo mais apatia, deboche, descrédito e, ao invés de clamar pelo bem público, passa a pensar mais em si mesmo.
O sentimento da impunidade é o mais forte anestésico que nosso povo teve nos últimos anos. E nos juízes, inclusive aqueles de notório saber jurídico indicados por políticos como Sarney, Collor, Itamar, etc, foi depositada a responsabilidade de equilibrar a situação. Ao contrário, agiram e ainda agem nos rigores da lei, observando vírgulas, prazos, detalhes técnicos das leis, quando não estão reclamando.
Acho que o ministro Pereira tem suas razões e ao pedir que a sociedade seja mais atuante não deve desejar que o povo passe a agir com badernas e atos de violência, pois uma forma radical chamaria a atenção dos governantes. Ele, sim, deve tentar convencer seus pares que um país só cresce com decência se tiver magistrados determinados, corajosos, prudentes e que entendam que são brasileiros privilegiados e, por isso mesmo, devem buscar a justiça.
- ROBERTO TAVARES DE SOUZA, gerente de vendas, Londrina
Educação (1)
A palavra mancha pode não ser a mais adequada, mas somos tentados a usá-la quando pensamos no estrago que o elevado índice de analfabetismo causa à um país, tornando inútil seus esforços para obter respeito e credibilidade da comunidade internacional. O Brasil quer se livrar desse peso e o MEC promete, até 2002, reduzir o percentual de 12,3% para um dígito. A única solução é dar um passo por vez: elaborar e sustentar uma política continuada.
E que providências já foram tomadas? Temos o Alfabetização Solidária, que já beneficiou 1,5 mil pessoas em mais de mil municípios, e treinou 70 mil alfabetizadores nas comunidades atendidas, que agem como agentes transformadores. Mesmo que a iniciativa vingue, está na hora de secretarias municipais e estaduais tomarem para si a tarefa: fixando padrões para o funcionamento dos cursos.
Mil sugestões podem ser pensadas: bancos de emprego nas escolas, convênios para a oferta de cursos profissionalizantes, promoção de debates sobre assuntos de interesse comunitário e por aí afora. O sistema deve provar que para usufruirmos plenamente nossos direitos como cidadãos, ter respeitado nosso direito de acesso à educação é condição sine qua non.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO, presidente da Associação Nacional dos Centros Universitários, Rio de Janeiro
Educação (2)
Vamos analisar a forma com que o nosso governador Jaime Lerner e nossa secretária de Educação, Alcyone Saliba, vêm tratando a educação no Paraná.
Implantaram o Proem, programa que acabou com os cursos técnicos nas escolas públicas que davam, ao menos, um pouco de preparo para a disputa do mercado de trabalho. Agora, só quem tem condições de pagar pode fazer um curso técnico. Depois o Paraná Educação, que é um projeto de privatização das escolas públicas e também vem forçando a autonomia destas escolas, deixando de repassar verbas para a manutenção.
Recentemente a Secretaria de Educação baixou uma resolução de que no ensino médio o número mínimo seria de 45 alunos por sala. Após o encerramento das matrículas, a secretária de Educação disse que essa resolução foi um equívoco e que 45 é o número máximo de alunos por sala. Várias salas de aula, além de escolas inteiras, foram fechadas. Os jovens estão frequentando os supletivos, onde a qualidade de ensino dá a
formação mínima. Isso é bom somente para os governos estadual e federal, pois podem mostrar aos exploradores estrangeiros que estão conseguindo acabar com os grandes índices de baixa escolaridade da população, mas na verdade só estão distribuindo diplomas.
Isso é vergonhoso! Não podemos deixar a educação chegar a esse ponto no nosso Estado e no nosso País. Vamos cobrar, denunciar, questionar a falta de compromisso destes governantes.
- RAFAEL AUGUSTO, presidente da União Londrinense de Estudantes Secundaristas (ULES)
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





