O LEITOR ESCREVE
Inflação de reprises
Os anos 90 têm se caracterizado quase exclusivamente como década de revisão, refluxo, acomodação e de consequência de revoluções passadas. Mesmo agora, em meados de 1997, quando já se faz projeções não para 2000, mas para 2010, vemos essa inflação de reedições e fatos já vividos. Enquanto muitos acreditam piamente viver um tempo absolutamente novo, as revistas semanais, na falta de assunto, dedicam suas capas a... Che Guevara e Cazuza. Na literatura, os veteraníssimos Manoel de Barros, Carlos Heitor Cony e Raduan Nassar são os destaques da temporada. Nas telas, uma insossa refilmagem de ‘O Cangaceiro’ tenta passar como ‘renascença’ do cinema brasileiro. Uma cantora da defunta MPB recebe elogios pela ‘criatividade’ de uma música que nem é dela e foi composta em 1972. Nas idéias, um Sartre datado (‘O Ser e o Nada’) aparece com 54 anos de atraso. Ha história, Hong Kong volta ao seio da mamãe China. Na economia o Plano Real ‘melhorou como nunca’ o consumo das classes menos favorecidas, como se nunca tivesse havido getulismo, JK, milagre brasileiro, plano cruzado etc.
Mas talvez o exemplo supremo do tom farsesco da atualidade seja essa nova e repetitiva missão em Marte tratada como se fosse acontecimento inédito e revolucionário. Confirmo nos livros que não estou sonhando: aquelas fotos coloridas de 1976 continuam lá, com as mesmas paisagens hoje vendidas como inéditas, os detalhes da sonda, os sulcos mecânicos na terra marciana, as pedras, o horizonte, o céu avermelhado, tudo registrado em fotos batidas há 21 anos. Nesse ritmo, daqui a pouco vão mandar uma sonda não tripulada para a Lua e meio mundo vai se embasbacar como se isso fosse prova absoluta do imbatível e veloz progresso tecnológico dos anos 90 e sua exclusiva superioridade sobre o resto da história.
- CARLOS JOSÉ RIBEIRO, Londrina
Convênio saúde
Como usuário dos planos de saúde e autogestão quero registrar meu protesto sobre o que está acontecendo em Londrina. Enquanto a Associação Médica de Londrina radicaliza e impõe uma tabela de preços e exclusividade na contratação coletiva desses serviços, os usuários desses planos de saúde sofrem por falta de atendimento. Por um lado os convênios, mantidos pelas empresas patrocinadoras, dizem que não têm condições de atender plenamente a tabela dos médicos porque quebrariam todas. Por outro lado a Associação Médica não abre mão da pretendida tabela.
Esse jogo de braço está levando ao desespero aproximadamente 45 mil usuários desses planos de saúde. O problema é que muitos deles existem nacionalmente e o foco de resistência está apenas em Londrina. Isto leva a um impasse, ainda maior, porque os grandes centros estão com o atendimento normalíssimo, inclusive em Curitiba.
Estou sendo obrigado a procurar um outro convênio particular, mesmo que para isso tenha um grande prejuízo, que vai comprometer enormemente minha renda familiar. Sinto-me forçado a tomar esta decisão. O problema é saber qual seria o convênio a escolher, uma vez que o risco é grande em todos. Quem garante que amanhã não virá a acontecer o mesmo com o outro convênio que eu escolher? Atenção Congresso Nacional, governos, Executivo e Judiciário. Vamos botar um basta nisso, com leis fortes e apropriadas. A saúde do povo é a suprema lei. Ou não?
- JOÃO AMBRÓZIO DE OLIVEIRA, Londrina
Passeio de trem
Considerada uma das mais belas ferrovias do mundo, a Estrada de Ferro Dona Isabel, que liga Curitiba a Paranaguá, pode ser uma excelente opção para as férias curitibanas.
Muitas vezes não visitamos pontos turísticos de nossa região, deixando sempre para depois. Entretanto, quando estamos em terras distantes, queremos conhecer tudo para usufruir da oportunidade.
Mas, que tal aproveitar o período de férias para conhecer ou rever este magnífico percurso ferroviário? Também estaremos privilegiando o que é nosso...
- DÉBORA SANDRA LITWINSKI RIBEIRO, Curitiba
Lixo urbano
Gostaria primeiramente de cumprimentar o jornalista Lucio Horta pelo sucesso em retratar a situação da coleta e disposição do lixo urbano em Londrina. Como declarou o presidente da AMA, Nelson Kohatsu, a população tem uma grande parcela de culpa no processo de acumulação de lixo nos fundos de vale, mas o que tem sido feito pela AMA em termos de orientação aos cidadãos? Existe algum programa deste tipo, ou ainda envolvendo as instituições de ensino de Londrina? Talvez a solução seja concentrar os esforços aí, na raiz do problema, e não na coleta do material disposto incorretamente.
A mesma idéia pode ser aplicada ao caso das pessoas trabalhando no lixão. A usina de reciclagem e os processos de reciclagem na fonte não podem ser negligenciados ou esquecidos. Sabe-se que se pode reaproveitar a maior parte do lixo urbano, e estas tecnologias devem ser utilizadas em Londrina. Talvez a AMA possa recorrer ao NEMA (Núcleo de Estudos sobre o Meio Ambiente) da UEL para implementar soluções mais apropriadas e ‘‘rentosas’’ que o cadastramento de pessoas ‘‘garimpando’’ no lixão e a retirada do lixo jogado nos fundos de vale.
- L.C.BUSATO, Londrina
Mototáxi
A reportagem sobre mototáxi publicada dia 20 na ‘Folha’ me dá o direito de questionar. Ela buscou a verdade sobre a irregularidade de uma coisa ilegal, o mototáxi, mas prefiro essa modalidade de transporte do que as peruas. O mototáxi dá ao pobre condições de velocidade, pois ele não tem possibilidade de tomar um táxi convencional, principalmente porque não pode perder o domingo, quando chega atrasado no serviço.
O mototáxi dá o direito de ir e vir ao trabalhador. A tarifa dele é compatível com seu mísero salário, de R$ 120. Há menos de um mês sofri uma cólica renal, cuja dor não suportava. E não tinha dinheiro para o táxi. Telefonei a todos os hospitais de Londrina em busca de ambulância, mas disseram que não havia forma de me atender. Fui salvo pelo motociclista Argemiro. Não sei para quem ele trabalha.
A reportagem retrata perfeitamente o que nos permite o salário mínimo para exercitar o direito de ir e vir. A reportagem informou que pirueiros viriam para Londrina a fim de atender pessoas que têm dinheiro para pagar conforto. A classe de trabalhador precisa de mototáxi como opção de quem precisa se locomover.
- AMARILDO GONÇALVES DA SILVA, Londrina

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