Segurança
Desde os primórdios da civilização o homem busca incasavelmente a paz e a segurança, por saber que uma vida dominada pelo medo, tende a ofuscar as mais brilhantes realizações. Infelizmente, pouco ou quase nada temos aprendido com a história e com a decadência de antigas civilizações.
Alguns governantes incompetentes, de mãos dadas com políticos corruptos, orientados por uma hipócrita elite dominante, aliados com uma parcela da imprensa omissa e covarde, insistem em tratar problemas sociais como se fossem caso de polícia.
Cobram da instituição policial maior empenho no combate ao crime, doando armas pesadas e viaturas de última geração e clamam pela implantação do programa americano de ‘‘tolerância zero’’, mas esquecem que repressão sem investimentos socias não trará a segurança algemada. Todos fingem não saber que a criança desamparada de hoje terá muito maior probabilidade de se tornar o criminoso de amanhã, e pouco futuro se pode esperar de uma nação que não valoriza suas crianças e seus educadores.
Os governantes, a cada nova tragédia, dão mostras de sua costumeira incompetência, substituindo secretários de segurança, transferindo delegados e coronéis e editando novas leis que sequer são postas em prática dada a sua infantilidade, mas nunca demonstram sensatez suficiente para realizar algo de efetivo e duradouro sempre com o argumento da falta de verbas.
Faltam verbas para a educação, transporte, saúde e segurança, mas nunca para o pagamento dos altos salários dos apadrinhados políticos, incompetentes e corruptos, em sua grande maioria, e nem para alimentar os cofres podres e fétidos da corrupção. Talvez um dia, em meio a mais uma catástrofe com dimensões imensuráveis, nossos govenantes acordem para a realidade e percebam que a repressão não alimenta o pobre, e que as sirenes de polícia jamais impedirão que se ouça o ronco dos estômagos.
- CLÁUDIO MARQUES DA SILVA, delegado, Paranacity
Sistema prisional
Segundo levantamento do Sistema de Informação Penintenciária, no Brasil há déficit de 56.074 vagas nos presídios. Para um total de 155.879 vagas, há 211.953 pessoas presas. Claro que nas penitenciárias não está a ‘‘fina flor’’ da sociedade, só que dentre eles existem milhares que não deveriam estar presos. Dentre os presidiários, a grande maioria é formada por pessoas de ‘‘cor’’ e com baixo nível de escolaridade, que com certeza não estariam presos se o Estado oferecesse infra-estrutura que permitisse vida digna a todas as pessoas.
Para as penitenciárias devem ser enviados assassinos, sequestradores, traficantes de drogas e armas, e também políticos e demais autoridades que participam de desvio de dinheiro público, sonegadores de impostos, grandes empresários e malandros que saqueiam e tiram proveito da ignorância do povo.
As autoridades são respeitadas e aplaudidas quando mostrarem competência para punir com rigor os verdadeiros bandidos, os chamados colarinhos-branco. Justiça seria feira se houvesse a revisão de penas e aplicadas sistematicamente: mais humanas, racionais e construtivas.
- FRATERNO MARIA NUNES, aposentado, Campo Mourão
Lixo
Vemos que muitas novas gestões receberam a herança não resolvida do lixo. As administrações municipais dependem de órgãos externos, a dificuldade é geral e soluções grandes não acontecem a contento. A população ainda está despreparada, não se responsabiliza pelo lixo que produz e suja descontroladamente.
Primeiro passo: diagnóstico. Para poder resolver devemos conhecer a fundo o lixo no município. Qual é o tamanho do problema? É só lixão? Quem produz lixo? Em que quantidade e em que qualidade? Quem recicla lixo? Quais as categorias de trabalhadores do lixo? O que diz a lei sobre o destino de cada lixo?
Segundo passo: pequenas ações para grandes resultados. O que posso fazer? O que a escola pode fazer? O que a prefeitura pode fazer? O que os carrinheiros podem fazer melhor? O que o supermercado pode fazer?
Terceiro passo: ações que ajudam imensamente. Restos de poda, grama, folhas secas, não são lixo, portanto não devem ir para o lixão, nem serem queimados, mas serem transformados em composto valioso. Entulhos e restos de construção podem calçar estradas rurais ou fechar erosões. Pneus e pilhas velhas, por lei, devem ser devolvidos aos fabricantes ou a loja onde foram comprados. Grandes quantidades de restos orgânicos de feiras livres, sacolões, restaurantes, hospitais e escolas podem ser compostados. Existe o método indiano de compostagem simples e barato desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina que podemos aprender produzir um excelente adubo no nosso bairro. Animais mortos devem ser enterrados, jornais velhos, latas, plásticos, papelões podem ser dados aos carrinheiros preparados e atendidos.
Quarto passo: sanear e encerrar o lixão. A administração tem que entender antes de tudo a fundo as soluções oferecidas e adaptá-las à realidade do município. Aterros sanitários mal encaminhados e por despreparo das prefeituras e da população são caros, logo se transformam em lixões e têm pouca vida útil.
Hoje, a partir das pequenas ações em conjunto, um lixão pode ser saneado com o próprio lixo compactado em terraços e coberto de terra e grama. As decisões para o problema do lixo precisam ser tomadas em conjunto – administração municipal e população. Pouco resolvem soluções impostas de cima ou de fora. Não podemos continuar a tapar o sol com a peneira, esperando que outros resolvam os nossos problemas.
- DANIEL STEIDLE, agricultor e ambientalista, Rolândia
Projeto Conhecer
O professor Nílton Roberto Cremasco, de Uraí, mostra-se preocupado com o nosso ‘‘Projeto Conhecer’’. Em sua carta, publicada na edição do dia 25, o professor questiona o projeto em si, cujo objetivo é ajudar no processo de valorização da educação.
A respeito de seus relevantes questionamentos, dizemos que os professores, ao contrário do manifestado na carta, não vão se aproveitar do projeto para aplicarem notas altas para seus alunos apenas para terem chance de viajarem a Foz do Iguaçu. Isto porque, tanto os professores quanto os alunos classificados, participarão de um sorteio público para a escolha dos premiados – aqueles que realmente irão viajar. O regulamento foi citado em nosso artigo e entregue às escolas participantes.
É bastante improvável que os professores, ou ‘‘determinados profissionais’’, como classificou Cremasco, se sujeitem a dar notas altas indiscriminadamente. Entendemos, de maneira até imperativa, que a dignidade do professor não se compara com a metodologia aplicada paraa atribuição das notas em sala de aula.
E para demonstrar que estamos atentos, estaremos acompanhando a aplicabilidade do projeto. No final do ano, vamos comparar os índices obtidos (evasão, frequência e notas) com os números coletados nos anos anteriores para avaliarmos a contribuição do ‘‘Conhecer’’.
De antemão, podemos dizer que o projeto é uma pequena colaboração que queremos dar à educação. E, para a nossa alegria, tem sido muito bem-aceito e aplaudido nos doze municípios participantes da etapa deste ano.
Salientamos, por fim, que filosofia do projeto é contribuir e incentivar o aluno dentro da sala de aula, mas que, em nenhum momento, tem a pretensão de ser o pólo e o centro de todo o processo necessário para a valorização educacional do sistema público de ensino.
- ALEX CANZIANI, deputado federal, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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