Copel
Prezado diretor-superintendente da Folha, José Eduardo Andrade Vieira: queremos parabenizá-lo pelo editorial da Folha do dia 22. Sua posição contrária à privatização da Copel soma-se a de todos nós que acreditamos ser a energia um insumo estratégico para o desenvolvimento de nosso Estado e de nosso País.
Sua lúcida crítica ao capital selvagem estrangeiro cuja única preocupação é o lucro farto, sem risco, e rápido, aponta para o comprometimento do desenvolvimento nacional em razão do processo acelerado de desnacionalização de nossa economia. Ninguém melhor do que Vossa Senhoria, que já esteve à frente de um dos mais importantes grupos econômicos de nosso Estado, orgulho dos paranaenses e que sucumbiu diante da irracional política econômica do governo federal, para perceber os riscos dessa aventura.
Diz bem ainda quando desqualifica os argumentos do governo estadual para a venda daquela empresa, quando indaga sobre para quem serão efetivamente as vantagens se ela for privatizada. Melhor ainda quando denuncia que não haverá mais competitividade no setor e que as tarifas não sofrerão reduções até porque já foram acordadas com o FMI e que asseguram maior faturamento aos compradores, isto é maiores lucros.
Acertadamente critica o uso do BNDES para o financiamento de multinacionais na compra dos grandes ativos públicos brasileiros, ‘‘únicas com cacife para se candidatar aos benefícios desta negociata’’.
- CLAIR DA FLORA MARTINS, vereadora, Curitiba
Taxas
Concordo com o leitor Eduardo Henrique Moura Sampaio, em sua carta ‘‘Pé- Vermelho’’ publicada na Folha no dia 24 (sobre expectativa dos londrinenses de recuperação moral depois dos escândalos na administração). E, também, lendo o artigo do advogado Bruno Sacani Sobrinho, não posso ficar calada. Minha mãe, a aposentada Maria Magdalena Modesto, residente no Jardim do Sol, é isenta do IPTU, mas da taxa de coleta de lixo, de R$ 52,10, não. Segundo o advogado Sacani, esta taxa é inconstitucional. O que nós, os pobres, precisamos fazer para acabar com as injustiças? Até quando os pobres vão pagar as contas dos ricos?
- VALDENE LOPES BRENZAN, Londrina
Esporte londrinense
Enquanto o esporte londrinense capenga a duras penas, o governo de Curitiba continua esquecendo que após São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) ainda é Paraná e que Londrina é a segunda cidade do Estado. Recordando os mais esquecidos, o Londrina Country Clube, há alguns anos, conseguiu classificar (com dificuldade) seu time de vôlei feminino para a Superliga. E o que fez o governo de Curitiba? Ao invés de ajudar um time já criado e que conseguiu sua vaga por seus méritos, patrocinou o time do Rexona.
Resultado: Londrina é último na Liga; Curitiba primeiro, é claro. E no basquete então? Lutamos como loucos para manter o time da cidade na Liga, com um modesto orçamento de R$ 60 mil. Equanto isso em Curitiba, o time do Paraná (melhor seria Sul-Paraná) possui uma verba de R$ 150 mil.
Isso sem esquecer que foi chamada Hortência, na época da criação do time de São José dos Pinhais, para ficar à frente do projeto, com a atleta recebendo não se sabe quanto. Isto reflete a postura do governo. Não venham dizer que o governo é estadual e não de Curitiba e região. Por favor, demonstrem com fatos que esta missiva é absurda e retiro tudo o que disse.
- EDSON CÂMARA COSTA, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
Irresponsabilidade política
Vivemos a fase do capitalismo em que a política perde toda a centralidade, sendo colonizada de modo absoluto pela economia, que, por sua vez, é dominada pela lógica financeira. O processo democrático de tomada de decisões coletivas em favor do bem comum; o lócus do consumidor é o mercado, governado pelo princípio utilitarista da maximização pelo indivíduo dos seus próprios benefícios, através da compra e venda de mercadorias materiais e imateriais.
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é expressão atual desta ditadura do dinheiro sobre a vida. Ela está sendo apresentada pela mídia como um instrumento para acabar com a corrupção. Mas a sua inspiração é outra. Imposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a lei visa tornar a política um capítulo da economia capitalista mundializada. As elites tentam nos convencer de que, porque o Estado não deve gastar mais do que arrecada, somente pode haver escola, remédios, terra, moradia, se o governo tiver dinheiro para isso.
A Lei Fiscal é o coroamento das renegociações efetuadas nos anos 90, voltadas a punir Estados e municípios, transferindo e centralizando recursos na União, para que o País produza os superávits fiscais exigidos pelo FMI. A lógica de morte que preside a nova lei pode ser percebida com o seguinte dado: dos R$ 95 bilhões arrecadados em 1999 com as contribuições sociais, constitucionalmente destinadas ao custeio da Seguridade Social (Previdência, Saúde e Assistência Social), pelo menos R$ 20 bilhões foram desviados pelo Tesouro para produzir superávits fiscais, ou seja, para pagar rentistas nacionais e estrangeiros.
A isso se presta a Lei de Responsabilidade Fiscal, a lei da irresponsabilidade política: a privilegiar o dinheiro frente à vida. Ante a dor e o sofrimento da população, cumprir a lei é quase um crime. Quando começará a desobediência civil dos prefeitos e governadores honestamente comprometidos com o povo?
- SAMUEL GOMES, advogado e professor universitário, Curitiba
Assalto legalizado
Impressionante é o que o ‘‘governador de Curitiba’’ (não) fez pelo trecho que une as duas maiores cidades do interior Estado, Londrina e Maringá: permitiu que uma empresa salteadora instalasse seus postos de ‘‘arrecadação’’ no decorrer do seu trecho, simplesmente para mantê-la sem acostamento, esburacada e perigosa com, no máximo, uns ‘‘olhinhos de gatos’’ para tapear aqueles mais inocentes, cuja benfeitoria é insignificante frente a arrecadação neste lote de tráfego tão intenso.
Digo isso porque, voltando da minha viagem de férias, depois de ser rendido pela salteadora por cinco vezes e numa distância de 3 quilômetros do posto de atendimento da dita empresa, um volumoso objeto na pista acertou o carro que estava à minha frente e, em seguida, a parte inferior do carro que eu estava, ocasionando o vazamento de toda a água do radiador. Tudo estaria bem se pudéssemos parar no acostamento e, de alguma forma, resolver o problema. Contudo, tivemos que contar com a sorte, logo numa subida de serra muito movimentada, sem acostamento, em forçar o carro até que queimasse o cabeçote do motor, somente num pequeno acesso a um casebre.
Tenso, requisitei que outros motoristas avisassem o posto para que viessem me socorrer quando, uma hora depois, um ‘‘caminhão de perguntas’’ chegou e, friamente, levou o carro até o próximo posto de combustível. Relatar esse ocorrido para todos é o que eu posso fazer como forma de protesto, descarregando o meu sentimento de revolta e tristeza face essa cilada armada contra nós, cidadãos!
- RONALDO GUSMÃO, servidor público municipal, Londrina
Correção - Diferentemente do que foi publicado na edição de ontem, o novo horário de atendimento ao público no Detran do Paraná, adotado desde ontem, vai das 12h30 às 18h30. O horário divulgado – das 12h30 às 19 horas – corresponde ao expediente administrativo.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

mockup