O LEITOR ESCREVE
Camisinha
Anjo ou demônio? Apologia ao crime ou um convite à vida? A discussão promete trazer luz, prevenção e conscientização à massa. A ordem Use Camisinha, já é conhecida por quase todos, inclusive crianças. Não se deve dizer com quem devemos ir para a cama. Todavia cabe o esclarecimento que não devemos realizar com qualquer um/a. Toda forma de beneficiar a vida humana, mesmo que ainda no estágio fetal, é sempre louvável aos olhos do Criador.
Não há nada de favorável na troca constante de parceiros, como queiram alguns. O desregramento na conduta sexual traz riscos à vida, coloca em xeque nossa saúde. Parece-nos infantil o apelo para o uso de preservativos, mas uma pesquisa entre universitários demonstrou a falta de intimidade deles para com o produto, desconhecendo também formas elementares de transmissão do HIV, ou simplesmente, Aids. A camisinha não é para prevenção exclusiva da Aids, mas também para outras inúmeras doenças sexualmente transmissíveis, as chamadas DST.
Pensando no calor do trinômio folia, cerveja e sexo, o Ministério da Saúde aposta suas fichas na distribuição de preservativos e de abanador dupla face, onde aparecem sutis camisinhas disfarçadas de anjo e diabo. É válido o lembrete de uma camisinha, eventualmente, ausente. É melhor vestir as muitas fantasias oferecidas no cotidiano a aceitar a fantasia de paciente de nossa própria negligência, porque depois não adianta lamentar-se em tom macunaímico: Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são. Preservativos à parte, a vida é um jogo no qual não pode dar zebra.
- VALDEMI GOMES DE BRITO, funcionário público, Londrina
Cidadania
Os adolescentes deste final de século absorvem uma espécie de educação para o futuro que já é presente: a educação dos sentidos. Aceitam a educação técnica mais que a familiar. O poder de autoridade é contestado sem justificativa aparente. Normas, valores, regras coletivas e metas sociais têm pesos variados, tendentes a não serem exercidos.
Carente de amplas perspectivas políticas, a nova geração não se motiva pela crise de representação de grupos de referência e assim o controle social se torna um problema a mais, de êxito imprevisível. Era preciso colocar em evidência o jovem como ser social e quais os modelos de desenvolvimento político, econômico e social predominam.
Os programas de educação cívica oferecem elementos para que o estudante melhore seu conhecimento como um ser por si mesmo e na sua comunidade. Mas os valores estudados no âmbito estudantil falharam, não se traduzem em convicções, atitudes, ações. Aluno não costuma dialogar sobre o seu papel como cidadão, não crê que do seu voto depende o futuro da Nação.
Assim, inserir valores democráticos não é tarefa do professor, mas sim de oficinas de capacitação cívico-eleitorais. Interessar crianças e jovens na vida política, de forma diferente é possível? Sim. Se a cultura política leva o cidadão ao partido, a candidatura, ao sufrágio consciente e livre.
Portugal, Paraguai e Canadá criaram parlamentos para jovens e criança. E quanto ao relevo do assunto, é bom lembrar: jovens latino-americanos representam 160 milhões. Em 2.050 ainda serão 100 milhões com menos de 15 anos. E mais um dado: 2% do eleitorado brasileiro é formado por garotos de 16 e 17 anos.
Sabemos agora para quem podemos desenvolver modelos de cidadania participativa e sabemos ser possível levar adiante projetos desta natureza, seja na África ou América Latina. Basta querer. A verba? virá na esteira da primeira tomada de decisão.
- NOELY MANFREDINI, coordenadora de Comunicação do TRE-PR, Curitiba
Responsabilidade fiscal
O setor público é regido por um ordenamento jurídico bastante eficiente, quando obedecido na aplicação em sua plenidade. A Lei de Responsabilidade Fiscal é mais um elemento jurídico para forçar os administradores públicos no enquadramento do equilíbrio fiscal, isto é, gastar somente o que arrecadar.
No entanto, a maioria dos municípios, está com déficit acumulado e com isto, aumentando tributos na expectativa de equilibrar o referido equilíbrio fiscal. O salário do funcionalismo representa o maior gasto no lado das despesas. O limite imposto pela nova lei, passado de 60% para 54% da receita corrente, procura ajudar os prefeitos na tomada de decisão quando do corte de pessoal, principalmente os não concursados.
Os grandes municípios-metrópoles sempre serão deficitários, e portanto, propensos ao não-cumprimento da lei, não por desobediência, mas sim por serem aglutinadores, convergentes, de migração urbana, oriundo dos pequenos municípios.
A postura de deixar despesas ou dívidas a pagar para o próximo prefeito, não é demérito algum e tampouco ilegal, uma vez que a rolagem e o escalonamento da dívida faz parte da programação orçamentária de governo. O exemplo mais próximo trata dos precatórios cíveis e trabalhistas. O governo federal é o exemplo mais próximo de rolagem das dívidas.
Diante do exposto, é preciso deixar do receio de adiar decisões importantes, e administrar com rigor técnico na obediência da Lei, e atender aos anseios da comunidade, nos limites contributivos dos tributos pagos pelos cidadãos residentes no município.
Assim sendo, não há necessidade de novas leis, mas sim, profissionalismo público administrativo no cumprimento das normas já existentes, quando vestido no cargo de agente público, e ou, detentor de mandato democrativamente eleito pelo povo.
- ISMAEL MOLOGNI, economista, Londrina
Universidade
De modo geral, as instituições de ensino superior precisam inovar, e há espaço para isso. A legislação quase chegou a destruir a criatividade dentro do ambiente educacional. Temos que ser promotores da inovação. Qualidade, inovação, ousadia e esperança são condições para crescer e sobreviver, ou a universidade não tem razão de existir. No Brasil, há situações distorcidas e, em alguns casos, um tanto perversas. Muitos que não precisam têm educação gratuita. Um minoria tem acesso ao ensino superior, ou seja, cerca de 13% dos jovens, contra, por exemplo, 40% na Argentina e 30% no Chile.
Não haverá solução, se esperamos somente pelo governo. O Brasil necessita de cidadãos envolvidos na promoção humana. Procuramos mostrar que a sociedade e a Igreja esperam muito de cada um de nós, para continuarmos a evoluir na direção do bem, da ordem, da paz e do progresso. Lutamos por uma Universidade Católica e um mundo melhores em todas as dimensões: ética, espiritual, familiar, social, e não só na dimensão material.
- CLEMENTE IVO JULIATTO, reitor da PUC/PR, Curitiba
Correção
- O escritor e consultor de empresas Gilclér Regina, de Maringá, não citou o nome do procurador-geral do Estado Joel Coimbra na entrevista concedida à Folha em notícia publicada no domingo. Ele falou que as revelações do ex-secretário da Fazenda da Prefeitura de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, durante o segundo depoimento à Justiça Federal chegaram tarde e que havia ficado surpreso com alguns nomes citados como do ex-governador Alvaro Dias.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





