O LEITOR ESCREVE
Mal-educado (1)
O leitor e neurologista Lincoln Brasil e Silva, de Londrina, mostrou ontem nesta seção que está entregue a maus pensamentos e encontra-se em transe oposicionista. O Paraná se orgulha de Londrina, e a industrialização, que é uma das marcas do governador Jaime Lerner, faz muito bem à cidade.
É só correr os olhos nos distritos industriais da região para constatar que há vários empreendimentos apoiados pelo Estado com incentivos fiscais note bem, incentivos, não renúncia fiscal; portanto, não há perda de receita, mas a concessão de um prazo de até 48 meses para que a empresa recolha cada centavo de imposto gerado aos cofres públicos. O que vale para as montadoras, vale também para as empresas que se instalaram em Londrina. A lei é uma só e não há privilégios.
Quanto aos empregos gerados, estes não têm carência: o benefício é imediato. E este é, socialmente, o efeito positivo mais desejado pela política de industrialização do governador Jaime Lerner.
No caso da Chrysler, a empresa está promovendo estudos para a definição de um novo modelo a ser produzido na planta de Campo Largo. Na hipótese remotíssima de que isso não acontecesse, o vencimento do ICMS enquadrado nos incentivos fiscais seria antecipado e a empresa teria de recolher de uma única vez o imposto gerado até agora, cerca de R$ 94 milhões. Sem nenhum prejuízo para o Tesouro Estadual. Quem disser o contrário está mal informado.
Quanto às 458 escolas com menos de 160 alunos no Paraná, as medidas de racionalização adotadas pela Secretaria da Educação implicam apenas na vinculação administrativa dessas unidades a escolas maiores. Não haverá fechamento de escolas. Só se fecha uma escola por falta de alunos. Enquanto houver alunos, a escola existirá. A racionalização administrativa não traz qualquer prejuízo pedagógico a essas unidades e a comunidade escolar sabe disso.
- RAFAEL GRECA, deputado federal e secretário da Comunicação Social do Paraná, Curitiba
Mal-educado (2)
As cartas publicadas nesta seção nos dias 7 e 8 traduzem bem o que os londrinenses pensam do governador-turista. O que ele deseja é a completa subserviência diante do desrespeito que demonstra pela população. Ele pensa que todos são como a maioria dos deputados estaduais: submissos como vaquinhas de presépio.
Demonstrar surpresa em face às reações democráticas a ponto de ter que sair pela porta dos fundos, mostra a distância que separa o governador do povo. Estão certos os leitores João Botelho, Joselito Hajjar e Lincoln Brasil e Silva.
Não venha o fiel escudeiro do governador defendê-lo com palavras bonitas. No entanto, o que queremos como cidadãos é saber por que não se permite a instalação de uma CPI para tornar públicos os contratos de concessão de exploração do pedágio, os mais caros do Brasil.
Outro exemplo: tornem públicos os contratos e protocolos que beneficiaram as indústrias instaladas no Paraná. Também queremos saber por que o escândalo da Banestado Leasing foi varrido para debaixo do tapete e o ex-presidente nomeado secretário. Não podemos esquecer, também, o engavetamento da CPI da venda da Sercomtel para a Copel. Quanto dinheiro público usado sem que se permita esclarecer!
Se não quer ser surpreendido e nem ter que sair pela porta dos fundos, que o governador permita que tudo seja esclarecido, que os culpados beneficiários sejam punidos, e que, principalmente, o dinheiro seja devolvido aos cofres públicos. Isso será a resposta que queremos e não a retórica banalizada do escudeito-mor naufragado nas comemorações dos 500 anos.
- EDGAR BAER, advogado, Londrina
Comércio
Londrina tem um compromisso com o Estado e com toda a região do Norte do Paraná. Como cidade-pólo, a população vizinha vem a nossa cidade para utilizar serviços médicos, hospitalares, laboratoriais, mercados, hotéis, comércio, universidades, entre outros.
A tendência seria solidificar a posição de terceira maior cidade do Sul do País. Mas isso não vem ocorrendo, razão pela qual a prefeitura, os vereadores e o Sindicato dos Empregados do Comércio em Londrina deveriam evitar o populismo e pensar em ações que proporcionassem crescimento da cidade.
Não é vetando a flexibilização do horário do comércio, que Londrina conseguirá incentivar o seu turismo e estabelecer-se melhor como cidade-pólo. Na opinião dos comerciantes, que apoiados na sentença do mandado de segurança 384/98 abriram suas lojas aos sábados a tarde, a vantagem desse novo horário é expressiva e de extema importância para o crescimento das lojas e contratação de novos empregados.
Pelas razões expostas, solicitamos humildemente que o prefeito, os vereadores e os representantes de entidades cessem o populismo. O horário praticado pelo comércio de Londrina é um entrave para o crescimento da cidade, não gera empregos e, pior, leva à dispensa dos que hoje já estão empregados.
Desde que saiu a sentença 384/98, os comerciantes do centro de Londrina não tiveram um único final de semana de paz. Mesmo estando com a lei ao lado deles, sofreram pressões de todos os lados e viram seus consumidores confundidos, num jogo de braço que prejudicou o próprio consumidor.
A flexibilização do horário visa tão somente o crescimento da cidade, o aumento da arrecadação, a geração de empregos e a solidificação de um comércio que vive às margens da globalização.
- SINÉSIO SCUDELER, presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Londrina
Responsabilidade
Os contribuintes que, mesmo fazendo sacrifícios, pagam em dia seus impostos e recolhem os tributos devidos, não podem deixar de ficar muitíssimo indignados e de se sentirem tremendamente injustiçados, quando governos e organizações de serviço público oferecem vantagens especiais aos maus pagadores e aos inadimplentes das contas públicas. Renegociando a dívida destes, dispensam multas, diminuem juros, rolam o prazo da dívida, estabelecendo um faz-de-conta de pagamento em prejuízo de muitos.
Tal atitude e medidas, que são acobertadas por leis casuísticas, produzidas para atender grupos de interesse e pessoas chegadas, traduzem-se em compadrio e conivência com o descumprimento e desatendimento ao zelo pelo bem público ao interesse do povo. Nessa situação se enquadra o Refic, que dá férias aos bolsos dos maus pagadores.
Esta é uma das razões pelas quais a nossa Previdência está quebrada; que governos não têm fluxo de caixa; que não há remédios nos postos de saúde; que nossas escolas são paupérrimas em materiais pedagógicos; que os nossos jovens têm maus exemplos da vida pública e ficam desestimulados a agir de modo correto e construtivo.
Estamos falando da ação responsável que às autoridades compete cumprir para, com sua atitude passarem aos jovens um exemplo positivo, estimulante ao espírito de luta e desenvolvimento.
- HELOÍSA LÜCK, professora, Curitiba
Correção
- Na notícia sobre acidente de trabalho, publicada no dia 8 em Folha Cidades, os 200 mil registros de mortes, no período entre 1972 até 1998, correspondem a óbitos nacionais registrados no Ministério da Previdência e Assistência Social.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





