O LEITOR ESCREVE
Agradecimento
Agradeço publicamente ao cabo Ademir Schupchek Maciel e ao soldado José Otto, da Polícia Rodoviária Estadual, pelo atendimento que me prestaram quando sofri acidente automobilístico, dia 12, no km 125, da BR 466, entre Pitanga e Manoel Ribas. Sabemos das dificuldades que sofre a Polícia Rodoviária em todo o País, especialmente as encontradas para desenvolvimento das funções num posto de serviço de localidade pequena, razão pela qual o atendimento prestado pelos militares citados enaltece e honra a instituição. Eles merecem toda consideração e agradecimento.
- JOSÉ CARLOS BUENO DOS SANTOS, Londrina
Ganância
Ficamos revoltados com a exploração por parte de laboratórios farmacêuticos. Somos cardíacos e dependemos de medicamentos de uso diário e contínuo. Um deles é o dinitrato de isossorbida, cujas cápsulas de 40 mg devemos tomar duas vezes ao dia. O preço tabelado nas farmácias é de mais de 100 por cento de um laboratório para outro. Exemplo: caixa de 30 cápsulas de 40 mg de dinitrato de isossorbida, do laboratório Asta Médica, custa R$ 4,64. O mesmo produto (Isordil AP 40 mg), do laboratório Wyeth, R$ 10,25.
Não podemos deixar de tomar o remédio e sempre procuramos o de preço mais em conta, mas muitas vezes não o encontramos e somos forçados a nos submeter ao preço exorbitante. Deve haver algum órgão governamental para fiscalizar e punir os laboratórios gananciosos.
- FRATERNO MARIA NUNES, Campo Mourão
Parque Arthur Thomas
Lamentável a expressão ‘ecologistas de plantão’ utilizada pela diretora de turismo da Codel - Marcia Maria Bonassar, em relação às pessoas que se manifestaram contra a criação de um parque de diversões dentro do Parque Arthur Thomas, em Londrina. Embora respeite o seu modo de pensar, ela foi infeliz porque é fato que qualquer pessoa de bom senso sabe que a existência do ser humano está intimamente relacionada à sobrevivência e à preservação de outros seres da natureza. Se ocupar e destruir florestas trouxessem bem-estar econômico e social, o Paraná, que dizimou praticamente toda sua cobertura florestal, não teria tanta gente marginalizada e na miséria, pessoas social e economicamente sem perspectivas. Londrina, por exemplo, não teria hoje uma favela em proporção descomunal na região sul, sem contar outras de menor porte. Quanto ao fato de os cofres públicos se beneficiarem com isso, parece que a própria diretora não está convicta. Ela diz no final da carta: ‘Terceirizado, o Arthur Thomas poderia evitar despesas para os cofres públicos e, quem sabe, gerar novos recursos, dinheiro novo. É isso mesmo: Poderia e quem sabe.
Foi infeliz ao usar pejorativamente o termo ‘ecologistas de plantão’ para referir-se a pessoas que no mínimo são bem intencionadas e sabem por que causas lutam. Além do que palavras em tom de chacota não ficam bem quando usadas por pessoa ocupante de importante cargo, principalmente se ela for inteligente. Por outro lado, parabenizo todo londrinense e todo norte-paranaense que não se cala em defesa da mata da Fazenda Doralice, defende a integridade do Parque Arthur Thomas e olha não só para frente, mas para os lados e para trás. Olha para frente e vê que o destino do ser humano será o mesmo que ele der à natureza. Olha para os lados e vê que o crescimento econômico às custas da natureza não foi, não é e nem será suficiente para livrar seus semelhantes da marginalização e da miséria. Olha para trás e vê os prejuízos ambientais de difícil reversão.
Também o fato de cobrar pela visita ao parque é, uma vez mais, excluir os economicamente pobres, de acesso a local público. Evidente que nada temos contra Beto Carrero. Com o dinheiro que tem ele poderia vir a Londrina, recuperar alguma área degradada, plantar milhares de árvores, recompor parte da natureza que se perdeu, despoluir riachos, construir um belo parque de diversões, faturar muito dinheiro (é um direito que lhe cabe), trazer alegria e diversão para crianças e adultos. Enfim, por que não criar uma floresta artificial que, embora sem a importância ecológica da mata nativa, pode se revelar mais atraente e agradável até? Por que não? É necessário que seja no Parque Arthur Thomas?
- ROBERTO KAMAURA, Curitiba
Dignidade do marinheiro
Foi extremamente desagradável e angustiante ver nossos homens mostrados à nação com desdouro, sob a pecha de contrabandistas. Todos tivemos de explicar a familiares, amigos e vizinhos o que estava acontecendo e, por vezes, sofrer com o descrédito nos seus olhos. Tivemos filhos sob risos e chacota de colegas. Calados, ouvimos e lemos notas e comentários ofensivos e irônicos, sempre distanciados da realidade. Agora temos a constatação da Receita Federal de que os navios alvos da denúncia não apresentavam a menor evidência de contrabando. Apenas cobraram-se impostos de alguns poucos, que compraram além da cota.
Ao longo dos anos as normas de conduta foram aplicadas, com a rigidez ou compreensão dos comandantes, a cada caso, a cada homem, a cada circunstância. Alguns determinaram jogar ao mar o que era excesso, outros mandaram deixar no cais o que não tinha registro, outros ainda optaram por recolher e arrecadar à Fazenda Nacional os bens não autorizados. Nos navios à luz das normas, sempre houve controle. Aplicaram-se punições, inclusive aos que fraquejaram na fiscalização.
Há tempos, jovens oficiais introduziram a bordo, clandestinamente, quantidades de determinado artigo. Descoberta a irregularidade o material foi confiscado. Identificados, os autores foram processados e entregues à Justiça. Entre nós não há contrabandistas, pois jamais os permitimos. Oficiais e marinheiros são homens comuns, com qualidades e defeitos. São dignos e se olham nos olhos com altivez. Por isso lamentamos profundamente que nossos belos e modernos navios, regressando de uma operação internacional importante, com notável desempenho e repercussão na imprensa européia, tenham sido, em nosso país, mostrados à nação apenas como objetos de um ultraje. As palavras devem ser usadas na acepção correta. O termo ‘contrabando’ foi empregado de maneira irresponsável ou de má fé. A quem e por que interessa denegrir a imagem da Marinha?
- Capitão de Fragata OSMAR PEDRO DA CUNHA, Capitania Fluvial do Rio Paraná, Foz do Iguaçu

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