Hidrelétrica
Se a Copel insistir em impor a construção da Usina Hidrelétrica de São Jerônimo na bacia do Rio Tibagi, os prejuízos previstos serão irreparáveis para a população atingida, meio ambiente e os povos indígenas caingangue, guarani mbya e xetá. Será uma agressão à terra, história, tradição e cultura destes povos.
Além de inundar uma parte considerável da Mata Atlântica e mais de 700 alqueires da área caingangue, a pesca, que garantia e garante o alimento ao povo caingangue será afetada. Tudo aponta para a inconstitucionalidade, uma vez que as comunidades indígenas não estão sendo respeitadas, o Congresso ainda não discutiu e não há uma lei complementar, regulamentando a forma de consulta às comunidades atingidas.
A quem interessa a destruição da natureza e a ameaça às comunidades indígenas? A quem interessa iludir a população desinformada dos impactos da barragem com falsas promessas de progresso? Por que não se utilizar das formas alternativas de geração de energia? Quem de fato vai lucrar com a construção dessa barragem? O que está por trás do ávido interesse da Copel em forçar a construção de barragens?
A entrega do patrimônio público tem sido a tônica do desgoverno Lerner. O povo do Paraná precisa erguer a cabeça e não deixar que nosso Estado seja dilapidado e entregue nas mãos do capital privado. As estatais precisam ser moralizadas e não privatizadas como querem os lacaios de plantão.
Aos que ousam gritar um basta a esta situação, nossos parabéns. Salvemos nossos rios, nossa água, cada vez mais escassa e desde já objeto de disputa. Água para a vida e não para a morte.
- JORGE TARACHUQUE, membro da regional sul do Conselho Indigenista Missionário, Guarapuava
Desenvolvimento sustentável
Energia e lixo em destaque na Folha. Destaque para a promotora de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, que defende os direitos da sociedade e, na questão do gasoduto para o Norte do Paraná, aponta falhas no processo, questionando o andar do trem do progresso.
A sociedade está entregue aos mecanismos da propaganda. Impossível argumentar diante das promessas de tantos empregos que vão ser criados, da tecnologia de Primeiro Mundo e da economia de milhões. Uma criança queria saber ‘‘o que será feito com tanto gás na nossa região?’’ O técnico da Compagás respondeu: ‘‘isso não é de minha competência, só posso garantir que o gás é mais limpo que a gasolina’’. A criança não só surpreendeu o técnico, que não soube responder, como também atingiu o centro do nosso problema. Termelétrica para queimar lixo significa que lixo é combustível. Conclusão: vamos continuar a produzir desenfreadamente lixo.
Muito mais do que vender progresso, deveria o nosso sistema se preocupar em estabelecer regras como sugere o desenvolvimento sustentável. O termo, infelizmente mais usado como uma arma de marketing, originalmente define um casamento perfeito entre os interesses sociais, ambientais e econômicos. Não há uma receita de como deve ser um desenvolvimento sustentável. Portanto, precisa-se perguntar as pessoas o que elas querem (social), qual é o seu ambiente (ambiental) e que meios dispomos (econômico). E por isso não em audiências públicas onde somos paralisados com tantas maravilhas e políticas progressitas.
A ordem é outra, a população convoca e os técnicos e políticos escutam. A vida não é um jogo de futebol onde só um time ganha. Todos temos o direito de ganhar. Para chegarmos lá, informação, organização e, como orientação, desenvolvimento sutentável.
- DANIEL STEIDLE, agricultor e ambientalista, Rolândia
Vaca louca
‘‘Esta terra tem dono’’, já proclamava há séculos o intérprete másculo da nossa cidadania, o índio Guairacá. Mitologia ou não, isso é significativo de uma das características de nossa personalidade cabocla, herança indígena. Fica aí o reparo. Há no mundo que agora se proclama globalizado, um grande desconhecimento de nossa existência como nação – onde se fala uma só língua em todo território, um continente, mais de 8 milhões de quilômetros de extensão, e 6 mil quilômetros de mares piscosos onde barcos pesqueiros vêm apanhar seus cardumes de anchovas e atuns com navios-fábrica.
Analisamos o que acontece quando uma nação como a nossa é agredida pelas pressões de um distante país, situado próximo ao Círculo Polar Ártico, chamado Canadá, país bilíngue. Disse muito bem o senador Osmar Dias, antes do ‘‘coffe break’’ no Hotel Sumatra, em Londrina, auditório cheio de agropecuaristas e de lideranças agrícolas e sindicatos rurais: grande era o interesse em prestigiar não só nossas lideranças locais, como não podia deixar de ser, nosso senador com sua mensagem sobre ‘‘Prescrição Rural’’.
Salienta-se na mensagem do senador um tópico da maior importância: a necessidade de um adido nas embaixadas e no Ministério do Exterior, um homem autêntico da nossa principal atividade econômica, a agricultura e as atividades correlatas.
Nosso gado consome capim e, quando em confinamento, farelo de soja e algodão; nunca farinha de carne ou seus derivados como na Europa. Que fique a lição. Vieram, viram e constataram o óbvio. ‘‘O Brasil não consome farinha de carne.’’ Nada tem a agricultura nacional com os demais problemas gerador pela concorrência internacional com Bombardiers.
- JOÃO DIAS AYRES, médico sanitarista, Londrina
Não estamos juntos
Com relação à notícia publicada na edição do dia 15 da Folha, página 5, sob o título ‘‘Belinati continua com os bens indisponíveis’’, tenho a informar o seguinte: 1) Subentende, no texto, que o ex-prefeito está tentando reverter a indisponibilidade dos seus bens e dos ‘‘outros 14 réus’’, inclusive os meus. Pelo que sei, ele tenta reverter a indisponibilidade ‘‘apenas’’ de seus próprios bens, não o dos outros; 2) Outra incorreção: ao contrário do que insinua a notícia, eu e meu irmão não estamos sendo ‘‘acusados de desviar R$ 78,8 mil’’, através de ‘‘uma licitação fraudada no valor de R$ 148,9 mil’’. Não desviamos nada. O que existem, contra nós, são suspeitas de termos sido beneficiados de uma parte daquele dinheiro o que, diga-se de passagem, também não é verdade. Participar do ‘‘desvio’’ de dinheiro ou ‘‘fraudar’’ licitações, como subentende a notícia a nosso respeito, é bem diferente de ser ‘‘beneficiado’’, até porque qualquer um poderia ser considerado beneficiário. Resta saber se é beneficiário de maneira deliberada ou involuntária, como é o meu caso.
- ALEX CANZIANI, deputado federal, Brasília
Chafariz
Questiono a Prefeitura de Curitiba quanto ao desativamento do chafariz da praça da Rua da Cidadania, no Bairro do Pinheirinho. Queremos viver socialmente em cidadania plena o que envolve visual ambientamente correto. No Calçadão da XV foi erguido um belo chafariz, e aqui na periferia foi desligado. Por quê?
- CÉLIO BORBA, Curitiba
Correção
- Título correto do quadro cronológico dos acidentes causados pela Petrobras, publicado na edição de ontem, página 7 (Geral), é ‘‘Principais vazamentos da Petrobras em 2000’’.
- O nome da primeira-dama do Paraná é Fani Lerner e não como foi grafado na edição de ontem na coluna da jornalista Ana Clara Garmendia (Folha Gente), página 4.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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