Vaca louca
Em minha fazenda em Grandes Rios, na semana passada, uma vaca ficou louca de tanto ouvir as notícias no radinho de pilha do retireiro, que fica sempre ligado. Essa vaca já vinha revoltada há muito tempo, pois é sempre caluniada e culpada de muita coisa que ela nunca fez. Quando qualquer coisa é repetitiva vira ‘‘carne de vaca’’, e quando se tem um insucesso, dizem que ‘‘a vaca foi pro brejo’’. Além disso, a carne de vaca no frigorífico vale 20% a menos que a carne de boi. A vaca vende seu leite por míseros R$ 0,20 o litro e ainda é culpada pela desnutrição infantil.
Tem até uma vaca culpando Celso Garcia, que a trouxe da Índia onde era considerada um animal sagrado. Ainda ontem, eu observava a dita cuja num piquete onde ela está presa, quando passou por cima um jato que levava Pratini de Moraes para o Canadá. Vôo fretado, naturalmente. Ela olhou para cima e começou a rir. Riu da palhaçada que a Embraer e a Bombardier estão fazendo, pensando que além de louca ela é burra.
- GUSTAVO LESSA FILHO, Londrina
Terra vermelha
Um velho ditado, porém sempre atual, diz: ‘‘Santo de casa não faz milagre’’. Um dia destes, ganhei de minha filha um livro com o título ‘‘Terra Vermelha’’, o que me fez lembrar do ditado acima. Sabendo que gosto de ler ela disse: ‘‘Pai, dê uma olhada na resenha e se não gostar a gente troca.’’ Vendo que se tratava de um escritor da terra, comecei a ler meio desconfiado. Hoje, para minha tristeza, terminei a leitura. Durante poucos dias vibrei, ri, chorei, e confesso que o livro é de um conteúdo nota 10. Pela clareza e simplicidade não poderia ser apenas um livro, daria um ou mais filmes, os quais poderiam ombrear com ‘‘Central do Brasil’’, e talvez disputar o Oscar.
Quando eu era jovem, fascinava-me com os grandes escritores e oradores, achava mesmo que minha vocação era esta. Não sei se era vocação ou apenas um fascínio, mas ficava horas escutando um Gustavo Capanema, como líder do governo, defendendo Getúlio Vargas, e um Carlos Lacerda a atacar, procurando derrubá-lo da Presidência.
Porém, morando em uma cidade pequena no interior de Minas Gerais, não tive outra opção a não ser estudar Contabilidade, curso voltado para os homens. Vibrando e criticando, rindo e chorando, preencho meu sonho quando deparo com um livro de conteúdo tão atraente como ‘‘Terra Vermelha’’. Nosso Domingos Pellegrini está de parabéns. Rogo a Deus para que seu dom não pare em ‘‘Terra Vermelha’’ e que outros livros sejam escritos para nosso deleite e cultura.
Como em todas as atividades existem aqueles que agradam um percentual pequeno de pessoas e aqueles que pensam e conseguem agradar a maioria, acredito que ‘‘Terra Vermelha’’ é um romance que agradará a muitos. Parabéns Domingos Pellegrini, e um abraço de quem, quando menino, sonhava em ser escritor.
- WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Profissionalismo
Gostaria de expressar meu agradecimento pelo profissionalismo com que a jornalista Simone Mattos tratou a notícia ‘‘Lúcia Camargo assume a direção do Municipal de São Paulo’’. Ao contrário de outros veículos, seu texto trata de informação, de cultura, de cidadania, numa verdadeira mostra do que é compor num pequeno espaço, todas as regras do bom jornalismo. Se pudéssemos contar com profissionais ‘‘clonados’’ em outros veículos, a formação de mentalidade e da massa crítica seria mais efetiva em nossa região. Obrigada pela contribuição!
- MONICA DRUMMOND
(Através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br)
Fusões
A fusão de grandes empresas é um assunto da área econômica pouco coberto pela mídia hoje. As megafusões vêm acontecendo em ritmo tão acelerado: Daimler-Benz e Chrysler, AOL e Time Warner, Exxon e Móbil, cujo verdadeiro signifiado ainda não conseguimos avaliar. Pode ser que estejam difundindo a tecnologia e reduzindo custos, mas também é possível que estejam fomentando o desperdício e criando concentrações de poder perigosas. O fato é que não sabemos onde isto vai dar. As fusões e aquisições corporativas nos Estados Unidos representaram quase US$ 1,5 trilhão em 99, segundo uma empresa de pesquisas de Los Angeles.
Mas qual a origem deste movimento? Temos a economia de escala: compra de concorrentes para economizar gastos, baixar custos de suprimentos, produção e distribuição e ganhar mercado. Há a transformação de mercados antigos: bancos e corretoras que se fundem porque seus negócios estão se juntando no serviço único de complementaridade de negócios e serviços.
O último e mais interessante motivo sugerido para as fusões é a globalização. Com o século XXI se iniciando com o fortalecimento dos grandes blocos mundiais concebidos para incrementar o comércio internacinal, é de se esperar que continue aumentando o movimento de fusão e aquisição de empresas visando a construção de grandes organizações.
O problema que se coloca é quanto ao sentido econômico delas. E como cada associação é única e singular, a questão continua no ar, mas duas teorias podem explicá-la. A primeira propõe que as fusões revigoram a economia, incentivam o desenvolvimento tecnológico e permitem aumentar a lucratividade, promovendo o ‘‘boom’’ econômico. A segunda diz que elas são produtos do boom.
Os altos preços das ações e os grandes lucros levaram os executivos a saírem em busca de associações, que movidas mais pela ambição do que pela lógica, podem acabar minando os lucros, os preços das ações e o próprio boom. Os bons tempos acabam gerando elementos que podem prejudicá-lo. Esta é uma idéia que nos obriga a uma séria reflexão.
- CARLA FUGANTI, administradora de empresas, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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