Mal-educados (1)
Após um ano, quando foi vaiado no Estádio do Café, em Londrina volta o governador a ser escrachado em público na cidade, motivado pela inauguração de uma reforma de escola. Vaiado, assustado, ele foge pelos fundos. Que papelão! Sem dúvida foi uma visita infeliz, inoportuna, descabível para um governador que precisa ter equilíbrio, postura, ser aberto para o diálogo, enfim, atender ao povo. Ele sequer desatou a fita alusiva à inauguração, deixando perplexos os presentes por esta atitude indigna de um homem público.
Será que o dinheiro do povo é lixo? Gastam uma fortuna com jatinhos, despesas com comitivas, mordomias, para nada. Ele sequer foi capaz de concretizar um simples ato. Fazem lambanças, orgia com o erário. Onde está a Lei de Responsabilidade Fiscal? Ou o Paraná é terra de ninguém, da impunidade?
Sabe governador, o senhor efetivamente não mereceu nossos votos, não tem sensibilidade com coisas públicas, vive fora da realidade, não tem preparo para o cargo que ocupa. Quem é eleito pelo povo tem obrigação de trabalhar pelo povo, pois é pago pelo povo. Tem que ouvir as críticas, sugestões, pois o senhor é um homem público, não um rei.
Votamos mal. Tanto é verdade que o senhor foi reeleito. Não temos nenhum deputado estadual, nenhuma liderança que se destaque, vereadores que legislam em causa própria não obedecendo o censo do IBGE, mesmo indo de encontro à emenda 25 da Constituição, que não cabe interpretação e sim, o cumprimento da lei, mantendo seus salários; religiosos que deixam suas funções para se tornar cabos eleitorais, movimentos populares sem nenhuma ideologia. Apenas querem levar vantagens, conseguir uma ‘‘boquinha’’.
Resta-nos a seguinte conclusão: no Norte do Paraná temos trabalho, e no Sul do Paraná, riqueza. No caso de Curitiba, mordomias para a nobreza.
- MOISÉS DOS SANTOS, Londrina
Mal-educados (2)
Demolir para reconstruir; drenar o abcesso para retirar o pus; amputar um membro necrosado para salvar o paciente; retirar a erva daninha para salvar a plantação. Tudo isso é necessário quando a deterioração chegou a tal ponto que somente medidas extremas podem resolver os problemas.
Assim foi feito em Londrina e Maringá, que cassaram seus prefeitos. Assim ‘‘quase’’ foi feito com o ex-prefeito de Ponta Grossa, salvo pelo gongo. O desrespeito que o ‘‘governador-turista’’ tem pelo povo do Paraná é imenso e, já está a merecer uma ‘‘CPI das viagens do governador’’. Eu pergunto: quem paga suas viagens? Será de seu próprio bolso? Duvido.
Parabenizo Edgar Baer, de Londrina, que em sua carta do dia 10 desafiou esse governo a não bloquear as tão necessárias CPIs do Pedágio, Copel-Sercomtel, Jogos Mundiais da Natureza, Banestado Leasing, apenas para ficar nas mais ‘‘cabeludas’’.
Foi brilhante o editorial da Folha do dia 8, ‘‘A união que falta’’, que diz que ‘‘não é difícil conter seus desmandos nem apeá-los do poder (os governantes)’’. Ensina-nos que basta união e muita determinação do povo para que os governantes o respeitem e, se não o fizerem, devem ser cassados!
É urgente uma reforma política neste País para que os governantes não se encastelem no poder de maneira arbitrária e tirânica, protegidos por um verdadeiro escudo de segurança que são as câmaras de vereadores, as assembléias legislativas e o Congresso, cometendo todo o tipo de desmandos e nós, cidadãos honrados, impotentes para agir.
Um exemplo: no Paraná, o único espaço que temos para protestar contra tudo isso que está aí, é esta seção. A não ser que, como diz o editorial, a sociedade toda se una para exigir que tais CPIs sejam instaladas e a verdade esclarecida.
- SANDRA FISCHER, advogada, Curitiba
Justiça
Em relação à palestra realizada sexta-feira no Hotel Sumatra, em Londrina, sobre Comissões de Conciliação Prévia e Prescrição Trabalhista, onde estiveram presentes Almir Pazzianotto, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e o senador Osmar Dias, além de inúmeras pessoas importantes no cenário político, estudantes de Direito, renomados advogados, autoridades policiais e magistrados, gostaríamos de manifestar nossa indignação junto à população de Londrina e principalmente junto aos profissionais da área do Direito, quanto ao comentário do ministro ao relatar um caso ocorrido nesta semana em seu gabinete em Brasília. Ele disse que foi procurado por um colega que é presidente do tribunal de uma das regionais trabalhistas do País, para comentar indignado que sua esposa teria que fechar a fábrica que tinha por ter perdido uma ação trabalhista.
Após referir-se ao caso, Pazzianotto comentou sobre o volume de ações trabalhistas e disse: ‘‘Pasmem colegas, as ações trabalhistas atingem até aos magistrados’’, como se os magistrados por aplicarem a lei se encontrassem acima dela. É realmente inadmissível que pensamentos desta natureza povoem a cabeça dos nossos ministros. Nestes momentos devemos pensar muito bem sobre a súmula vinculante que poderá ser implantada no País, pois desta forma correremos o risco de ficarmos subordinados a decisões de pessoas com essa mesma mentalidade. Enquanto existir este tipo de pensamento proveniente das próprias pessoas que deveriam fazer justiça viveremos em sistema que só funciona para os que vivem à sua margem.
- SABRINA ELOISA DE FREITAS, universitária, Londrina
Maioridade penal
A questão de rebaixamento da responsabilidade penal é polêmica e mobiliza mais ainda os estudiosos do tema a partir das propostas às emendas constitucionais de nº 18 e 20, as quais sugeriram a alteração do artigo 228 da Constituição Federal, passando a responsabilidade penal para maiores de 16 anos. Dada a relevância do tema, é necessário analisar as razões favoráveis e as contrárias. Porém é necessário ainda trazer a conhecimento o significado e objetivos da punibilidade em razão de delinquência.
É de conhecimento geral, que a pena tem por função principal proteger a sociedade, garantindo a paz às pessoas e a ressocialização do criminoso. Pune-se para proteger a coletividade de novos delitos, bem para readequar o criminoso à vida em sociedade. Porém, em nossa realidade, tem-se um sistema carcerário falho em ambos os aspectos: a sociedade não se encontra protegida, o grande número de aprisionados em condições desumanas bem como a carência de preparo e recursos do funcionalismo que lida diretamente com os nossos presídios e delegacia, favorecem as fugas em massa; bem como muito raras exceções, cumprem o seu papel de ressocialização.
É preciso estarmos conscientes de que o menor infrator não é impune, mas inimputável. Ao infringir normas de obediência imperativa é punido, punições que variam da imposição de medidas socioeducativas à privação de liberdade estabelecidas na lei especial. Diante da situação carcerária atual não é preciso fazer uma análise minuciosa para verificarmos as consequências de tratar o adolescente delinquente como adulto criminoso, pois corremos o risco de transformá-lo em verdadeiro criminoso.
- JOSIANE RIBEIRO DOS SANTOS, universitária, Cambé
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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