O LEITOR ESCREVE
Educação
Na semana passada, li várias reportagens sobre desvios de verbas da educação, merenda estragada na região Norte do País, paralisações de aulas e protestos sobre transporte escolar etc. Vi que a nossa educação está triste: salas superlotadas, professores com os mesmos contracheques, todos os meses, tudo igual. Por que sempre é tudo igual? Só temos promessas e nada de prático todos os anos, diminuição de carga horária nas escolas a tal da redução de porte escolar. Gostaria que o nosso governador olhasse com mais carinho para a classe dos professores deste Paraná. Ainda estamos esperando, continuaremos a exercer nossa missão de educar neste milênio e sempre.
- MARIZA MANESCO CARDOSO, professora, Toledo
Discriminação
Em companhia de um amigo alemão que me visitava, decidi conhecer um bar que toca música ao vivo à beira do Lago Igapó, em Londrina. Aguardava também um casal de amigos de Fortaleza em férias. Fiquei surpresa quando a mulher subiu ao bar e me disse que não foi permitida a entrada de seu marido, porque ele estava de chinelo de dedo. Chamei o gerente e lhe pontuei o equívoco cometido. Diante da situação, o casal foi para um outro lugar, mais democrático, para onde posteriormente também dirigi. A justificativa para a discriminação foi que era uma norma da casa.
Esse meu amigo é nordestino, tem cabelos compridos, usa brinco e chinelo de dedo. Ele é professor da Universidade Federal do Ceará e é Doutor em Sociologia. Que mal há em usar chinelo de dedo? Isso é discriminação. Com certeza ele não traria problemas para o bar e para as pessoas que estavam nele. Ele sabe muito bem quantas e quais são as diferenças sociais, é especializado em antropologia.
Quem manda nesse bar certamente precisa ser informado que mora num país de Terceiro Mundo e aprender que nem sempre o colarinho branco e gravata revelam quem são as pessoas de verdade. Precisa saber que muitas pessoas do País em que ela vive não têm nem ao menos um chinelo de dedo para colocar nos pés, mas certamente isso não faz delas pessoas mais ou menos decentes e honestas.
Esse bar certamente para mim não é mais maravilhoso e iluminado, não é ponto de referência, é com certeza algo sem brilho que serve para indicar nada em lugar nenhum.
- ESTER GOMEZ, jornalista e servidora pública, Londrina
(Através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br)
Touradas
E dá uma satisfação muito grande quando a gente mata o touro, corta as suas orelhas e é carregado nos ombros pela multidão. Estas palavras, numa reportagem da Folha, dão-me uma revolta muito grande e, pergunto a mim mesmo: Por que meu Deus, pessoas tão boas às vezes têm uma morte tão trágica e gente como Fernandes Rodrigues, que deu a declaração, ainda não morreu espetado nas pontas dos chifres de um touro? Odeio qualquer outro tipo de gente que pratica e apóia este tipo de tortura.
Tenho certeza que Beto Carreiro, o empresário
bem-sucedido e protetor dos animais, abominará a parceria anunciada por Rodrigues. Ou melhor, não deveria nem receber este tipo de gente, esta escória mexicana que veio sujar ainda mais nosso País. Nosso governador deveria expulsar este indivíduo do nosso Estado. Quem acha que touradas como estas que acontecem na Espanha onde o touro é torturado até a morte com estes babacas arrancando-lhes as orelhas, espetando objetos pontiagudos e cortando outras partes enquanto o animal ainda está vivo e agonizando, ou até mesmo a farra do boi de Florianópolis é cultura, com certeza não sabe o significado desta palavra e nem da importância na vida de cada um e da sociedade. Fora do nosso País, estrangeiros inúteis!
- SÉRGIO TORETO, escriturário, Goioerê
Cultura ao lixo
Numa das novelas da TV Globo, uma cena me chamou a atenção: o protagonista, muito irritado, joga ao fogo um exemplar de As Caçadas de Pedrinho, de autoria de um dos maiores escritores para o público infantil, Monteiro Lobato. Em tempos de globalização, quando a busca do conhecimento é tão urgente e necessária, a Globo dá um péssimo exemplo, e como fez Adolf Hitler, põe fogo em livros. Até pouco tempo atrás, a emissora veiculava uma campanha do Ministério da Educação e Cultura, mostrando que o livro era um grande amigo e incentivando os bons cuidados para uma melhor conservação dos livros.
A Globo, apesar de sua quase perfeição, peca em pontos elementares, fazendo parecer que um livro é só um monte de folhas encadernadas, sem conteúdo, e que cultura é um produto supérfluo, desviando a atenção do público para as suas novelas nem sempre muito educativas. Peca também nesse ato impensável, ao esquecer que os maiores sucessos desta rede provêm de novelas ou casos especiais, adaptadas de obras literárias, tais como A Moreninha, Helena, Gabriela, A Escrava Isaura, Porto do Milagres (Mar Morto) e tantas outras dentro desta vasta galeria de obras de autores nacionais. Os responsáveis deveriam sim veicular pelas redes campanhas publicitárias incentivando o uso intensivo do controle remoto, para uma maior seleção e maior qualidade dos programas a serem assistidos pela população.
- WALTER ABOU MURAD, biomédico, Londrina
Valores
Em Lucas 15:8-10, vemos o Senhor Jesus contando a parábola da mulher que perdeu uma de suas 10 dracmas. Era um um bem material perdido dentro de casa e ela só descansou quando o recuperou. Esta estória ilustra a iniciativa de Deus em procurar o perdido, salvando-o da condenação eterna através de seu amor e a alegria dos anjos do céu por um pecador que se converte.
Ainda que metaforicamente, outras lições úteis para a vida podemos extrair desta parábola: em nossos lares, muitas vezes, nos permitimos perder, não riquezas deste mundo, mas princípios e valores espirituais. Nem sempre nos esforçamos em resgatar o respeito, a consideração, o carinho, o diálogo, a fidelidade para com nossos familiares e deixamos nossos relacionamentos deteriorarem.
Se em nossos lares estão despencando o amor, a harmonia e a fé, precisamos fazer como aquela mulher: acender a candeia, varrer a casa e procurar diligentemente até recuperar esses sentimentos fundamentais para a preservação da paz no lar.
- OSLEI NASCIMENTO, reverendo da Igreja Presbiteriana Central de Londrina
Correção
- Festival de Teatro de Curitiba abre inscrições para oficinas na próxima segunda-feira e não neste sábado como foi publicado na edição de ontem da Folha2.
- Notícia sobre a criação da Comissão de Mediação e Intervenção nos Conflitos Agrários (página 8 do primeiro caderno, edição do dia 14) informa que a comissão ficará num anexo da Procuradoria-Geral da União em Curitiba. Na verdade, a sede será num anexo da Procuradoria da República, na Rua XV de Novembro, 575, 2º andar, Curitiba (perto da sede principal da procuradoria). O espaço está sendo cedido gratuitamente pelo procurador-chefe no Paraná, Mário José Gisi.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





