O LEITOR ESCREVE
Saúde pública (1)
Que bom seria se todos os doentes de câncer pudessem receber a mesma assistência médica que o governo de São Paulo vem dando ao senhor Mário Covas.
- PAOLO MARANCA, São Paulo
Saúde pública (2)
Se, por força da Constituição, todos os brasileiros têm direito a assistência médica por conta do Estado e se, para custeá-la, o Estado arrecada tributos específicos, parece-me absurdo o projeto de lei do senador Lúcio Alcântara, objetivando autorizar os hospitais universitários, todos ou quase todos públicos, a cobrar pela assistência médica que prestem a clientes particulares ou a filiados a planos e seguros de saúde.
Não percebem que os hospitais públicos ou conveniados são obrigados a atender de graça, a quem quer que seja? Um ou outro que eventualamente não use sempre ou, mesmo, nunca use esse direito não renuncia e nem pode renunciar a ele.
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, juiz aposentado, Brasília
Privatização
O Brasil é dos brasileiros. É por essa linha que os governos federal, estadual e municipal devem trilhar, cuidando do que pertence ao povo com o zelo e a responsabilidade. Infelizmente, na maioria dos casos, as decisões da esfera governamental nem sempre são coerentes com este princípio, incluem-se aí as privatizações de empresas.
Para o governo, a palavra de ordem é privatizar, porque lhe falta competência para gerenciamento. Fazer dinheiro com a venda do patrimônio público é o caminho mais fácil. A forma nebulosa como é conduzido o processo das privatizações deixa muitos pontos de interrogação, e isto é inadmissível. Principalmente no caso do Paraná, quando o governo põe à venda uma empresa rentável como a Copel.
A Assembléia Legislativa se mostra omissa e permissiva num momento como este. Deveriam os deputados levar essa questão a debate, pois se trata de um negócio que envolve a mais importante empresa paranaense.
Os contratos nunca são divulgados na totalidade, como no caso da venda das teles. E o que é pior: até o momento não sentimos melhoria nos serviços de telefonia, enquanto os custos praticamente dobraram. Corremos ainda o risco do monopólio e cartelização, pela força do poder econômico, que fazem não ocorrer distorções desta natureza, pois existem cláusulas proibitivas que resguardam o direito do usuário.
Como cidadãos brasileiros, exigimos que os governantes discutam com a sociedade as razões, vantagens e desvantagens de uma privatização, antes de aprová-la. Não basta o governo decidir que é preciso privatizar. Antes é necessário que tenha autorização do verdadeiro dono do patrimônio que propõe colocar à venda, e este dono é o povo.
A privatização da Copel é um exemplo claro do que relatamos. Trata-se de empresa rentável, que tem lucro de R$ 300 milhões ao ano, patrimônio de R$ 4,9 bilhões, gera mais de 6 mil empregos diretos e é considerada a principal empresa de energia elétrica do País, orgulho dos paranaeses. Não pode ser vendida sem a anuência da população.
- ALDEMAR BENVINDO MASCARENHAS, presidente do Sindicato dos Empresários Lotéricos do paraná e vice-presidente da Federação Nacional dos Lotéricos, Londrina
Conduta
Nos últimos meses, fatos ocorridos em São Paulo, no Paraná e em Londrina, envolvendo os governadores dos dois estados e o prefeito de nosso município, fizeram-nos pensar sobre o comportamento de cada um. O governador de São Paulo, Mário Covas, apesar do seu estado de saúde, ao visitar uma universidade em São Paulo e outros locais foi cobrado por grupos descontentes, inclusive profesores, e não se intimidou: enfrentou, fez valer a sua autoridade e, em todas as ocasiões, entrou e saiu pela porta da frente.
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti, por enquanto, governa a cidade pacificamente. Talvez pelo seu comportamento ético, demonstrado durante a campanha eleitoral, anda pela cidade livremente, sem seguranças. No último domingo, dia 11, ele esteve presente em um encontro religioso junto com sua esposa. Chegou no próprio carro, sem seguranças e participou de tudo.
No entanto, o nosso governador Jaime Lerner veio a Londrina e deveria cumprir uma agenda. Por ser cobrado democraticamente, mesmo cercado por seguranças, fugiu ao debate desde que chegou ao renovado prédio do antigo Ginásio Estadual de Londrina. Entrou pela porta dos fundos e por ela saiu. Precisou de um numeroso grupo de seguranças e escudeiros, que nosso prefeito dispensa, e não teve a hombridade e o caráter do governador de São Paulo.
Sempre que Lerner tem que enfrentar problemas, geralmente criados por sua própria administração, prefere se refugiar em Nova York, às nossas custas, é claro. Essa comparação é interessante, principalmente para os eleitores pensarem no que vão fazer em 2002.
- EDGAR BAER, advogado, Londrina
Burocracia
Há mais de um ano perdi meu marido, Alfredo Correia Lima, que era aposentado da Petros, e como contribuinte do INSS, recebia juntamente com os proventos da Petros um benefício daquele órgão. Segundo a Cartilha da Petros, eu deveria me habilitar no INSS, e foi o que fiz. No primeiro mês, recebi normalmente; nos meses seguintes, a quantia foi diminuindo. Aceitei, julgando que deveriam ser os descontos e, mais tarde o benefíio se fixou em quase a metade.
Voltei duas vezes ao INSS, e lá me informaram que a minha documentação estava em Curitiba. Impossibilitada de viajar, pedi ao meu advogado para fazê-lo. Realmente ele procurou agilizar tal situação, pois já estávamos em setembro de 2000 e meu marido falecera em janeiro de 2000.
Daí em diante não recebi mais nada do INSS, que após vários telefonemas informou ao meu advogado já estar tudo faturado e enviado para a Petros me pagar em dezembro. Nada veio. Já estamos em fevereiro de 2001. Notícia da Petros: tudo retornou porque faltou a data do início do benefício e o número do mesmo.
Agora eu pergunto: o jogo de empurra-empurra vai continuar? Por que todos os órgãos são tão rápidos em nos cobrar impostos, dívidas etc., e tão lentos para nos pagar? Será que a era da informática é para um lado e o século passado para outro?
- DORA RYFF CORREIA LIMA, Londrina
Correção
- Foto publicada ontem na página 3 da Folha2 identificou de forma errada os atores Bino Gomes e Paulo Putto como sendo Luiz Eduardo Pires e Rogério Costa. As duplas encenaram o mesmo espetáculo (Dois Perdidos Numa Noite Suja, de Plínio Marcos) em Londrina.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





