Mal-educados (1)
Em uma carta, publicada nesta seção no dia 8, analisei e critiquei costumes e ocupantes, provisórios, de cargos públicos. Em momento algum, interessam-me nomes, pois entendo que o processo democrático está visceralmente atado ao povo e aos seus direitos, tão negados e abusados. Mas, fui citado (ontem na carta do secretário da Comunicação Social, Rafael Greca de Macedo). Ignoro em que meu nome ou profissão possam auxiliar em seus pífios argumentos. Repilo suas colocações políticas e lhe informo que votei no governador-turista e me arrependi profundamente.
Orgulho-me do meu ofício, mas escrevo como cidadão, pai, pagador de impostos, e critico costumes em crônicas sem rabo-preso. Não sei qual sua profissão, nem penso que isso me auxilie nesta resposta. Sei pela imprensa que não navegou na nau Capitânea, poupado por obra e graça divinas, e que navegante certamente não é; ignorava que precisou abrir contas pessoais ao escrutínio da Justiça, mas li que há histórias de bingos e assessores. E parece que até hoje esta nau navega no nevoeiro.
Acho absolutamente chocante que se feche as portas de 458 escolas no Paraná, quando o ‘‘sistema’’ escolar é de nível absurdamente insuficiente, e que as crianças, nossos irmãos, permaneçam massacradas em salas atopetadas, frente a mestres mal pagos e humilhados, enquanto o governador-turista e toda sua troupe, que não se cansam de viajar para o exterior, deveriam passar em um escola pública e contar os alunos em cada sala de aula, e indagar o nível profissional do professorado.
Acho ainda mais chocante que milhões de reais que são tirados dos nossos bolsos ‘‘incentivem’’ firmas que fecham os galpões de montagem a seu bel prazer, e que o senhor seja o defensor delas, novamente pago com nossos impostos. Naturalmente, seu governador não estudou em escolas que, fechadas, obrigarão mestres e alunos a enormes caminhadas.
Tenho vergonha de ser brasileiro quando o assunto são nossos políticos – com as exceções de praxe – quando vejo os usos e abusos de incentivos, de manipulação da mídia via ‘‘comunicação social’’, quando saio do País, mas me reconforto em perceber que finalmente meu bom e laborioso povo está encerrando seu tempo de distanciamento e servilismo. Há uma incontrolável onde de participação popular nos assuntos administrativos públicos, e uma clara decadência na preeminência dos nossos agentes políticos como arrogantes donos da verdade. Arrependo-me, profundamente, pelo voto que dei. Foi uma escolha equivocada.
- LINCOLN BRASIL E SILVA, médico, Londrina
Mal-educados (2)
Diante dos delírios poéticos do ex-ministro Rafael Greca (aquele da festa dos 500 anos), e do governo dos pedágios, Jogos Mundiais da Natureza, montadoras, privatização do Banestado, sucateamento do IPE, escândalos da CPI do Narcotráfico, escândalos das prefeituras da Londrina e Maringá (não podemos deixar de lembrar que Gianoto e Belinati eram aliados de primeira hora de Lerner), só posso desejar que a tão famigerada nau Capitânia mostre alguma utilidade: aporte por aqui em 2002 e leve esse pessoal para bem longe do Palácio Iguaçu.
- JOÃO BOTELHO, Curitiba
Mal-educados (3)
Tornou-se divertido acompanhar esta coluna. Como ocorre em quase todos os meios de comunicação do nosso Estado, críticas ao governador são casos frequentes, mas nesta coluna, o nosso gerente do Estado ganhou um defensor, o deputado Rafael Greca, que insiste em defender o governador e atacar os outros com palavras mórbidas e sem conexão.
Sempre que alguém exprime alguma opinião que envolva o nome do governador, no dia seguinte vem a resposta do deputado, quase sempre em termos enfáticos que desmerecem o povo do Paraná. Pelo lado comunicativo, tal interação é de grande valor, pois assim coloca diálogo entre o povo e o comunicativo deputado, mas, pelo lado defensor, tal atitude só vem a enfraquecer ainda mais a sua pessoa.
O povo do Paraná não está contente com a atual administração estadual e com certeza não serão suas palavras que mudarão esta opinião. São por estas razões que somos contra as respostas do deputado, pois até agora os deseducados foram o governador com sua administração, e o atual deputado com atitudes escandalosas no ministério, que só vieram a envergonhar o povo do Paraná.
Não seria de bom tamanho para o deputado continuar nesta linha de raciocínio. Defender é preciso, mas só para quem merece. E neste momento quem precisa de defesa é o povo do Paraná. Com certeza Rafael Greca possui inteligência e carisma exagerado para prontificar esta defesa. Mas, como pretende ser futuro candidato ao governo, está na hora de mudar seu discurso do companheirismo para o realismo.
- FRANCISCO ANTONIO BONI, universitário, Santa Cruz de Monte Castelo
Mal-educados (4)
Já vou avisando que encerro aqui. O secretário Greca tenta responder cada carta tentando desafiar a inteligência dos paranaenses, lembrando o 30 de agosto e elegendo a industrialização como néctar e bálsamos de todos os problemas. Primeiro, sem plano real não haveria interesse estrangeiro no País. Segundo, o único argumento que a turminha de Curitiba tem contra o ex-governador Alvaro Dias é o erro da Polícia, pois no que se refere a obras, perdem longe. Responde o que lhe interessa. Sobre os protocolos do pedágio e os obscuros procedimentos dos Jogos Mundiais da Natureza, indagados também por diversos outros leitores, ele passa ao longe.
Deveria ser inédito nisso, secretário: apoiar as CPIs do Pedágio e dos Jogos Mundiais. A conta corrente, telefônica e sigilo fiscal do senhor não nos interessam muito, até porque, no campo das investigações o que vale é o que o acusado não mostra. Sem argumento, vocês teimam em discursos velhos do erro da Polícia em 30 de agosto.
Ou Jaime Lerner assume a morte do pastor em Ibiporã, no seu primeiro mandato, também ocasionado por despreparo da Polícia, e que o secretário Greca não veio acudir nem a viúva? Será que quando é no interior e mata não tem problema? Encerro estranhando por que o senhor deixou o ministério já que foi tão correto e bom como deu a entender. Crítica por crítica, o Pedro Malan sofre todos os dias.
- JOSELITO TANIOS HAJJAR, universitário, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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