O LEITOR ESCREVE
Previdência
Por três vezes em diferentes governos, em períodos marcados por um alto nível de corrupção e falhas administrativas, fui chamado a dirigir a Previdência Social. Da realidade que tínhamos aos dias de hoje, não tenho dúvida de que houve um salto de qualidade no atendimento à população e conseguimos reverter uma tendência histórica de achatamento dos benefícios, com ganhos reais para aposentados e pensionistas.
Passados três anos da aprovação da reforma, as manifestações contrárias ainda carecem de bom senso e de argumentação técnica. Duas cartas recém-publicadas nesta seção de Antônio Lopes Coca (dia 29) e Paulo José Zanetti (dia 23), diretor de Relações Previdenciárias da Associação dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical de Curitiba mostram claramente essa situação.
Aliás, os ataques à reforma, quando não demonstram desinformação se escudam sob o manto ideológico da mera oposição política. Escrevi três livros e quase 200 artigos sobre o assunto, que nunca foram questionados tecnicamente por sindicalistas ou especialistas em previdência.
Em geral, repetem que a reforma foi contra os trabalhadores mais pobres que vivem no interior e que trabalham na lavoura desde os 12 anos, mas esquecem que esses sempre tiveram uma idade mínima para a obtenção da aposentadoria, portanto não foram afetados por ela. Da mesma forma, não foram afetados quase 40 milhões de trabalhadores de renda menores.
As classes melhor situadas, sim, perderam certos privilégios como a eliminação de regimes especiais de deputados, senadores e aposentadorias milionárias, entre outras distorções. Enfim, pode-se dizer que a Previdência Social foi salva da falta de dinheiro para pagar as futuras aposentadorias. Ou seja, os trabalhadores que agora mantêm o sistema vão usufruir dos mesmos direitos dos que hoje estão aposentados. Agora, não posso ser responsabilizado pelo fato de os aposentados ganharem pouco, pois, lamentavelmente, assim acontece com a maioria dos trabalhadores brasileiros. A responsabilidade recai sobre a estrutura econômica do País que precisa ser mudada.
Como técnico em previdência posso assegurar que a reforma da Previdência baseou-se em estudos demográficos e atuariais e incorporou princípios e fundamentos doutrinários consagrados em todo o mundo. Os que falam contra se esquivam dessa verdade, pois estão incluídos nos segmentos que gozam de situações diferenciadas e lutam para não perdê-las.
- REINHOLD STEPHANES, ex-ministro da Previdência Social, Curitiba
Energia
Poderosas entidades de defesa de consumidores pediram ao Congresso a suspensão dos programas de desregulamentação da geração americana, tendo em vista a enorme crise que começou na Califórnia. No mesmo dia, o jornal Los Angeles Times noticiou que 18 estados norte-americanos já interromperam este processo, para estudar melhor as causas da crise. Aproveitando a súbita recaída nacionalista de alguns setores nesta guerra do boi, não seria conveniente estudarmos melhor o que está acontecendo na Califórnia, antes de cometermos os mesmos erros?
Seria desastroso para nossa economia se um acordo para subir preços da energia, aproveitando uma eventual escassez, como ocorreu entre geradoras e distribuidoras da Califórnia, deixasse nossos produtos mais caros no mercado internacional. Aí não seriam só os produtores de carne a amargar enormes prejuízos.
No mercado globalizado, energia é fator fundamental de competitividade. Uma discussão que precisa ser muito mais técnica do que ideológica. E principalmente, sem prazos políticos, como o de eleições para governador, a determinar seu desfecho ou prazo de conclusão. Como aliás, parece estar ocorrendo no Paraná. com a injustificada tentativa acelerada de vender a Copel. Ou poderemos amargar o caos. Afinal, os governantes mudam. Já as dívidas, não.
- IVO AUGUSTO DE ABREU PUGNALONI, engenheiro eletricista e consultor em energia, Curitiba
Vaca louca
Neste final de semana fomos bombardeados não só com a notícia, mas também com fortes imagens na televisão de comerciantes canadenses obrigados por seu governo retirando estoques de carne bovina brasileira e seus derivados das gôndolas de seus estabelecimentos, sob alegação de que a nossa carne sofre do mal conhecido como doença da vaca louca.
Esta doença, como é sabido, é originária dos países europeus, sobretudo na Inglaterra e na França, e pelo que consta dos controles sanitários, esse mal ainda não atravessou fronteiras, graças às medidas rápidas e efetivas adotadas pelas autoridades daqueles dois países.
Só para se ter uma idéia do que a exportação da carne bovina representa para a nossa economia, o Brasil vendeu no ano passado US$ 5 milhões para o Canadá e US$ 120 milhões para os Estados Unidos.
O que se esconde nesta iniciativa do governo canadense nada mais é do que a pendenga existente entre Canadá e Brasil em torno da disputa entre as empresas Bombardier e Embraer pelo mercado aeronáutico mundial, no qual os brasileiros são altamente competitivos, episódio por demais conhecido e em litígio na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Com esta versão distorcida da verdade, o Canadá dá uma demonstração de força e mostra, de forma clara e cristalina, disposição de retaliar ao organizar um verdadeiro conluio trazendo os demais integrantes do Nafta, Estados Unidos e México.
Pela reação imediata das nossas autoridades, não tenho dúvidas de que, mais dia, menos dia o Canadá se verá forçado a recuar. Não tenho dúvidas de que podemos, inclusive enfrentar as grandes nações com seus grandes mercados.
- WILLIANS RAFAEL, advogado e deputado estadual pelo PL, São Paulo
Portal da Esperança
Brindou-nos o médico João Dias Ayres com um livro precioso, Portal da Esperança, relato de uma caminhada longa e dura na busca de um marco feliz. A descrição de todos os momentos é feita de linhas minuciosas e exatas. Nada há de romance, mas uma realidade sem exageros, uma fotografia nítida. Agradou-me acompanhar o viajor pelos trilhos custosos que levam ao distante Eldorado o que todos tentamos no incessante peregrinar. É digna de reparo a sua preocupação pela saúde.
O médico sanitarista enfoca o tema numa explanação diluída de todos os cuidados profiláticos indispensáveis ao corpo humano. Acresce que repassa seus alertas, com inteligência e coração, para a saúde do espírito. Seus longos anos de medicina foram um sagrado e benfazejo sacerdócio. É evidente que tinha que triunfar. Hoje ele usufrui do maior prêmio: um nome luminoso, anos adiantados de lucidez e fidalguia.
- EDUARDO AFONSO, professor, Londrina
Bonde (1)
Sempre acesso a página do Bonde aqui do Japão. É muito bom ficar por dentro do que acontece no Brasil, principalmente na nossa região.
- MAURO, Japão
(Através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br)
Bonde (2)
O objetivo deste e-mail é parabenizá-los pelo site da Folha. Ele é simplesmente maravilhoso.
- RITA DE CÁSSIA SIMÕES MARTELINI
(Através do site da Folha no portal www.bonde.com.br)
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





