Nota de desagravo
Tendo em vista as declarações públicas, equivocadas e improcedentes, contra o deputado federal Luiz Carlos Hauly, por ocasião da recente votação do FEF (Fundo de Estabilização Fiscal), tornamos pública nossa integral solidariedade ao ilustre deputado, e o fazemos pelas seguintes razões:
1 - Na fase de negociações e de votação do FEF o deputado Luiz Carlos Hauly esforçou-se sempre em buscar, como vice-líder do governo e municipalista autêntico, uma alternativa entre a proposta da área econômica federal que não previa nenhuma compensação financeira aos municípios e a proposta apresentada pela Associação Brasileira de Municípios.
2 - Juntamente com dezenove deputados federais da bancada do Paraná, e os parlamentares de outros Estados que formam a base do governo no Congresso Nacional, terminaram por aprovar uma proposta conciliatória, com ampla margem de votos.
3 - Essa decisão desagradou a muitos prefeitos do Paraná e do Brasil. Assolados por dívida e sem recursos para fazer face aos mais diversos e procedentes pleitos de suas comunidades, os prefeitos têm todo o direito de exigir o repasse de recursos estaduais e federais, que são ou que deveriam ser destinados aos municípios que dirigem.
4 - O que não é tolerável é a crítica individualizada, que busca rotular um ou outro deputado como antimunicipalista, responsabilizando-o pessoalmente por uma decisão do Congresso Nacional, tomada por mais de dois terços dos seus membros. Essa crítica é particularmente injusta e improcedente em relação ao deputado Luiz Carlos Hauly, considerado um dos mais influentes parlamentares do Congresso Nacional e um dos dois mais operosos representantes do Paraná naquela instituição, além de exercer a função de vice-líder do PSDB e de presidente da importante Comissão de Finanças da Câmara Federal.
5 - Mais do que isso. É injusta e improcedente referida crítica pois o deputado Hauly tem-se constituído, nos seus 25 anos de vida pública, em um dos mais intransigentes defensores da causa municipalista, por entender que o município tem condições de aplicar melhor e mais adequadamente as verbas públicas, razões suficientes para demonstrar que jamais votaria contrariamente a tais interesses.
- HELIO DUQUE, presidente do PSDB/PR
Motoqueiro
Quando pequeno, eu era fascinado por motos. Cultuava as marcas, os modelos, os tamanhos dessas máquinas de também andar. Mas como? De também andar? É verdade. Porque além dessa reconhecida utilidade, elas também matam, deixam pessoas sem pernas, braços, sequelas graves nas mãos e, em grande parte dos ocorridos, jovens inválidos em cadeiras de rodas ou ‘descansando’ em colchões d’água para tristeza e desespero eterno de suas famílias. Quantos plantões em pronto-socorro eu for acompanhar, quão número de acidentes de moto certamente irei presenciar.
Certo dia prestei atendimento a um acidentado, que deitado, totalmente estirado no asfalto, quase sem vida, ainda portava o capacete, só que na cabeça errada. Estava protegendo a cabeça do rádio (um osso do cotovelo). Ah, mas diria um deles: Doutor, eu estava de capacete. Sim, descendo a JK a 100 km/h, cruzando o sinal vermelho da Rio de Janeiro, com, sem ou apesar do capacete, talvez o único destino seja um pequeno portão logo à direita, no meio do quarteirão.
E como é difícil. Andando corretamente, ainda assim às vezes os carros passam literalmente por cima. Imagine fazendo ziguezague, cortando filas, empinando, ‘voando baixo’. Quantas campanhas de prevenção de acidentes são feitas? Quanto não se fala exaustivamente nas mortes ocorridas na cidade por acidentes de moto? Existe alguém que precisa se conscientizar mais do que quem está sobre a mesma moto? Deus me livre. Diria meu avô se ainda vivo. Olhando tudo isso que acontece a cada plantão de Pronto-Socorro, eu apenas diria reportando à minha infância, que tenham muito cuidado porque eu também quero bem as motos, só que agora bem longe de mim.
- LUDOVICO PIERI NETO, médico em Londrina
Padre Antonio Vieira
Célebre jesuíta, orador sagrado de relevante quilate, primoroso epistológrafo, grande missionário em terras brasileiras. Nasceu em Lisboa, mas veio para o Brasil com oito anos de idade. Educou-se na Bahia e aí se fez jesuíta. Tornou-se logo reconhecido pela sua arrebatadora eloquência. E pôs-se, também, de corpo e alma, na defesa dos índios contra a selvagem perseguição que lhe movia a insaciável cupidez dos portugueses. Meteu-se força das circunstâncias nas urdiduras políticas, o que lhe trouxe momentos de angústia, inclusive prisão e banimento. Mas foi sempre de caminhos retos e elevados.
Brilhou qual estrela de primeira grandeza no manejo da língua portuguesa. Nenhum escritor lusitano, nem brasileiro se lhe pode comparar na riqueza e propriedade dos vocábulos, na variedade das expressões. Pregou diante de reis e de papas e jamais tergiversou da verdade e da justiça. Suas obras abrangem 26 volumes, que compreendem cerca de 200 sermões e mais de 500 cartas. Morreu na Bahia com 90 anos no dia 18 de julho de 1697, cem anos depois de Anchieta. Ambos grandes, este nos clarões da santidade, Vieira nos rebôos da genialidade. O Brasil não pode esquecê-los. Celebrá-los é dever cívico. E os ensinamentos e exemplos que nos deixaram guardá-los com carinhosa gratidão e sincero empenho de imitação.
- EDUARDO AFONSO, professor em Londrina
Encantos da natureza
Durante muitos anos trabalhei na Amazônia Legal, principalmente no Mato Grosso, Pará e Maranhão, e observei no dia-a-dia fatos interessantes sobre as aves.
Iapuru - Segundo a lenda sertaneja e indígena, o Iapuru é a ave da felicidade. Tem canto assobiado em três tons maravilhosos. É muito difícil de ser localizada, principalmente cantando. Quem o fizer está com tudo e será feliz para sempre. Quando ela canta, toda a passarada silencia na mata. Quando ela termina de cantar, a passarada faz festa, cantando em homenagem ao grande cantor do sertão. Em 1971 eu trabalhava em Carolina, no Maranhão. Num dia de folga eu e meus companheiros fomos buscar castanhas e orquídeas, na margem direita do Rio Tocantins. Lá ouvimos o grande cantor. Não o vimos porque era fechada a mata. Mas valeu a pena escutar o cantar mavioso nos três tons característicos da ave. Só não fomos beneficiados pela felicidade porque só ouvimos o cantar e não avistamos o grande cantor.
- ABÍLIO ALVES DA SILVA, Curitiba

mockup