Mal-educados (1)
Sinceramente, fico devendo essa ao secretário beque-de-espera de um governador, que ainda não entendeu que deveria deixar de ser o perfeito prefeito das montadoras, uma vez que foi eleito por paranaenses, uns 6 milhões, e com os quais se haverá, nas próximas eleições. Secretário: ainda bem que não fomos educados na corte palaciana das ilusões teatrais que tanto gosta de usar, para tentar seduzir a platéia. Amo a cultura, mas detesto vê-la para usos menores, como histrionismos eleitoreiros e oportunismos políticos. Londrina por certo jamais necessitou de sua avaliação, para ser o que é, dizer o que pensar. O senhor e o goleiro-turista não andaram por aqui quando os pioneiros amassaram o barro, rasgaram as estradas, morreram, nasceram, sofreram e, enfim, apesar de toda a incompreensão e a perseguição de setores paranistas interessados no atraso que caracterizava esta ex-província, criaram esta maravilha mundialmente reconhecida, cujo brilho e trabalho tanto o irritam, vulgo torrão de pés-vermelhos (nós).
Há e sempre houve um grande interesse na corte do primeiro-mundinho lá de baixo, em que não tivéssemos direito à educação. Infelizmente para alguns, ficamos melhor do que esperavam ou intencionavam. Afinal, na mesma semana em que R$ 120 milhões foram para o brejo com uma montadora (se verá que todas são iguais; aliás, há quem saiba que são assim, pois ninguém é ingênuo quando se mete com elas; ocorre que há cositas más...), caro secretário beque-de-espera, o seu goleiro-turista mandou fechar umas 400 escolas públicas, alegando... falta de recursos. Pode essa de facilitar US$ 60 milhões para Mercedes-Benz e Chrysler juntas, riquíssimas, e fechar escolas por falta de grana? Pagamos impostos, pagamos pedágio e IPVA (somos duplamente taxados) e ficamos em estradas que o goleiro-governador só vê lá do alto do seu (nosso?) helicóptero, e nós é quem somos mal-educados?
- LINCOLN BRASIL E SILVA, neurologista, Londrina
Mal-educados (2)
Aos leitores João Botelho (de Curitiba) e Joselito Tanios Hajjar (de Londrina): a respeito de carta publicada ontem nesta seção, tenho a esclarecer que: 1) As pessoas que estavam querendo falar com o governador Jaime Lerner, durante a visita Londrina na última segunda-feira, foram convidadas a discutir assunto por assunto em audiências separadas nas salas de aula do colégio que estava sendo entregue à população – um dos 600 novos colégios que este governo recuperou. Nenhuma delas aceitou o convite e optaram por continuar o protesto. Quem não aceita o diálogo, é no mínimo, mal-educado; 2) Vaias e mau humor não destroem obras realizadas como o belíssimo Colégio Marcelino Champagnat, uma das obras que nos enchem de orgulho e que tivemos a honra de entregar novamente aos londrinenses; 3) Não posso realmente aplaudir ‘‘diuturnamente’’ o senador Alvaro Dias porque fui testemunha ‘‘in loco’’ do horror sofrido pelos professores do Paraná na tarde de 30 de agosto de 1988. Eu pessoalmente socorri muitas das vítimas da agressão, ordenada pelo então governador Alvaro Dias. Pena que este fato não foi lembrado pelo nobre leitor entre as ‘‘grandiosidades’’; 4) Sou campeão de votos e isto me enche de orgulho. Não tenho do que me envergonhar, Joselito. Prova disto é que a Caixa Econômica Federal está realizando uma devassa nos bingos de todo o País, consolidando uma proposta apresentada por mim ao presidente Fernando Henrique Cardoso no dia 18 de novembro de 1999. Isto é mais uma prova que tenho do trabalho sério que realizei em Brasília, durante o período em que ocupei o Ministério do Esporte e Turismo. 5) Para encerrar, há um ano e dez dias estou com meus sigilos fiscal, bancário e telefônico abertos, voluntariamente – fato inédito na história política do Brasil, Joselito – sem que qualquer irregularidade contra mim tenha sido encontrada. Não tenho ‘‘telhado de vidro’’. Serei sempre um defensor do diálogo como solução democrática.
- RAFAEL GRECA DE MACEDO, deputado federal pelo PFL-PR, Curitiba
Onda verde
Com relação à carta do estudante Jossan Batistute, publicada ontem nesta seção, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), discorda da afirmação de falta de providências com relação à ‘‘onda verde’’. Devemos lembrar que o planejamento para a área central do início de Londrina era para uma cidade de 30 mil habitantes e hoje suas ruas estreitas no perímetro central contribuem muito, em horários de ‘‘rush’’, para um trânsito mais lento. No entanto, os técnicos desta companhia têm se empenhado na sincronização semafórica, buscando proporcionar uma tranquilidade maior, tanto a motoristas quanto a pedestres. É importante ressaltar que todos temos pressa, mas a ansiedade individual, às vezes é contrária à necessidade coletiva. Para aproveitar o fluxo da ‘‘onda verde’’ é necessário que se mantenha a velocidade média para cada uma das vias em funcionamento. Por isso reforçamos a informação: Av. JK e Av. Tiradentes (50 km/ha); Av. Duque de Caxias, Rua Pará, Rua Goiás, Rua Sergipe, Leste Oeste/Central (38 km/h); Av. Maringá (45 km/h).
- WILSON SELLA, presidente da CMTU, Londrina
Ladrões
Há três dias a propriedade rural do ex-vereador Urze foi palco de um roubo já costumeiro na região de Tamarana e Guaravera. Ladrões entraram e abateram a tiros três reses. Fizeram a limpeza dos animais, levaram toda a carne e deixaram a carcaça. No dia 7 passado, também abateram a tiros, na Fazenda Moema, uma novilha limousin importada, da mais pura linhagem, com genética diferenciada, pela qual se pagou R$ 72 mil. No dia 10, os empregados da Seção Pininga da Fazenda Guairacá foram rendidos logo ao amanhecer, por seis bandidos com revólveres 38 e uma pistola automática, cano médio (tipo minimetralhadora) e colocados presos no escritório. Assim ficaram por mais de duas horas, humilhados, ameaçados, homens, mulheres e crianças. Quatro bandidos foram à mangueira para recolher e embarcar dois caminhos de gado. Quando tentavam recolher um lote de novilhas nelore, os animais estouraram e os bandidos foram ‘‘roubados’’. Mesmo assim, fizeram uma limpa e levaram também uma moto do administrador. Na véspera do último Natal, na Fazenda Santaracy, foi abatido a tiros um boi de engorda, proporcionando uma ceia gorda aos bandidos.
O assalto à Pininga foi imediatamente comunicado às Polícias Civil e Militar. O coronel Fim mandou uma viatura com dois soldados, mas os bandidos já tinham picado a mula e o delegado Márcio Amaro tomou as providências. Ambos demonstraram a maior boa vontade, mas nada de concreto aconteceu. Os roubos continuam e ninguém foi preso. A Polícia, desaparelhada, desestruturada, sem combustível, com armas ultrapassadas, mal paga, preocupa-se mais em se defender dos bandidos do que dar proteção à sociedade. Faz o que pode, pode pouco e faz pouco, infelizmente. E os moradores da zona rural como ficam? E ainda querem desarmar a população indefesa. Depois que isso ocorrer, para levar uma boiada vai bastar um grito: ‘‘Juntem a boiada que nós vamos levá-la.’’ Sem choro nem vela e nem fita amarela.
- GILBERTO SANTOS, empresário, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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