O LEITOR ESCREVE
Estradas
Em meu tempo de criança ouvia e repetia frases folclóricas que sempre ficam gravadas, tais como quando vamos nos referir a um lugar abandonado: Fica no fim do mundo ou onde Judas perdeu as botas. A situação em que se encontra o asfalto das estradas de nossa querida Região Noroeste nos leva a pensar que estamos vivendo nestes lugares inimagináveis, criados pelo folclore popular. Concluímos que estes buracos são crateras, que tanto estão incomodando a região. São o puro reflexo daquilo que a região está atravessando, do descaso que ela está sofrendo.
A cada dia que trafegamos aumenta ainda mais a nossa indignação. Parece que ficamos perdidos no tempo, que regredimos aos tempos do sertão, em que uma viagem de Monte Castelo a Loanda poderia demorar dias. O esquecimento gera revolta no povo humilde e trabalhador de nossa região, que tanto necessita de nossas rodovias, principalmente nesta época de colheita.
A situação vai criando descontentamento e humilhação. Humilhação por sabermos que não estamos sendo lembrados e valorizados como merecemos, e principalmente por não vermos ações que visem melhoras concretas. Apesar de termos pessoas competentes e de bom caráter, daqui, lutando para melhorar nossa região, sentimos que a atual política estadual não planejou desenvolvimento a nossa região.
Com tal situação, o que devemos fazer é nos unir em um só objetivo de fortalecimento regional, formando uma corrente para recuperar a moral e o respeito perante nossos governadores, e principalmente nos atrelarmos a forças políticas favoráveis, pois senão, daqui a algum tempo, percursos como o citado poderão voltar a demorar dias.
- FRANCISCO BONI, universitário, Santa Cruz de Monte Castelo
Sistema
A globalização teve um papel de subordinação ainda maior da Nação brasileira aos interesses dos países desenvolvidos e do capital internacional. Responsabilidade fiscal é ótima. E a social? Estados, alguns grandes municípios com suas contas renegociadas anteriormente a Lei de Responsabildade Fiscal (LRF) e os pequenos municípios não puderam renegociá-las.
Os R$ 5,5 bilhões de endividamento dos pequenos municípios não puderam ser renegociados mas, quase R$ 2 bilhões para preparação dos municípios para se adaptarem a LRF foi possível. Embora os socialistas preconizem o crack total do capitalismo e, os capitalistas o fracasso do socialismo no mundo imposto por ditadura, a discussão Davos/Porto Alegre e outros títulos semelhantes vão continuar.
A questão nem é tanto de conceito e sim de ética política e transparência com a causa pública, fator importante na redistribuição de renda e riqueza. O foco não deve ser o sistema capitalista, socialista, comunista, social democrata mas sim, o homem e o seu ambiente.
Talvez seja possível um Estado forte, austero, organizado, com políticas definidas e leis sólidas para conviver com o capital. Vide China, por outro lado, Estado gigante, impostor, engessante e corrupto como a velha União Soviética, causa ao cidadão um desastre total.
De outros Estados que ditam igualdade social, homogeneização da renda e riqueza com ditadura, impedindo os seus cidadãos de deixá-lo também não é desejado. Um país pode ser totalmente privatizado mas, com o Estado com rédeas firmes determinando as relações setor privado/Estado, responsabilidade/cidadania e vice-versa. Não estamos aqui reinventando antigos e novos dogmas como absolutismo, liberalismo, neo-liberalismo e socialismo. Ssó estamos falando em ética, justiça social e no homem.
- MÁRCIO ARTUR DE MATOS, deputado federal, Curitiba
Desgoverno
Parece realmente que no Paraná as coisas não são sérias mesmo. Primeiro nosso governador privatiza as rodovias e assalta os motoristas com valores absurdos cobrados nas praças de pedágio. E o resultado disto se reflete agora na greve dos caminhoneiros.
Depois, as fabulosas montadoras que se apropriaram de inúmeros incentivos fiscais e estruturais às custas dos povo do Paraná que sofridamente paga seus impostos. Hoje, este mesmo povo olha de longe estas empresas suspenderem a produção e deixarem todos seus trabalhadores na iminência de perder seus empregos. Isso tudo sem falar da sagaz vontade do senhor governador em privatizar a Copel, uma das mais rentáveis empresas de energia elétrica do País.
Como se não fosse o bastante, este desgoverno de Jaime Lerner parece estar menos preocupado ainda com a educação de nossas crianças e jovens. Inventa uma eleição para diretor, que eu diria que no mínimo foi celetista, e agora vem com esta tal reforma na educação, que visa a extinguir as escolas que, na visão da Secretaria de Educação, só trazem despesa.
O interessante é que tal proposta fere o Estatuto da Criança e do Adolescente que diz que todo aluno tem direito de frequentar a escola mais próxima de sua casa. Imaginemos, então, das escolas que estão em vias de ser fechadas, quantas funcionam nas áreas rurais, distritos e pequenos municípios.
Reduzir custos em detrimento da qualidade de ensino, e num segundo momento pensar na iminente dispensa dos profissionais da educação, nos dá a impressão que também a educação está na rota da privatização. Como aconteceu com as rodovias, com o Banestado, como deve acontecer com a Sanepar e Copel. Conserta-se, saneia-se e entrega-se para a iniciativa privada obter lucros.
Daqui a alguns dias, não vamos mais nem precisar de governo, pois não teremos mais nada que administrar. É hora de todos os paranaenses se envolverem neste debate que tem reflexo direto em nossos lares, pois estamos falando da educação de nossos filhos e do futuro do nosso Estado.
- ODARLONE DE SOUZA ORENTE, vice-presidente da Regional Norte da União Paranaense de Estudantes Secundaristas (UPES), Londrina
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