O LEITOR ESCREVE
Caminhoneiros
Pacificamente, ou melhor, de forma letárgica, tem o povo assimilado os rudes golpes desferidos pelos governos estadual e federal contra os interesses da população. A mídia supre regiamente o cidadão com notícias sobre os preços dos combustíveis, aumentos das elétricas, telefônicas etc. Letargicamente, outros poderes a tudo assistem, e pela indefectível passividade, evidenciam o apoio, cego e total, aos desmandos dos governantes de plantão. Nesta linha
anti-social, o respeito é oferecido totalmente aos colonizadores modernos, em detrimento às necessidades da população, o que joga o nome da nossa Pátria para os últimos lugares, no rol das nações socialmente civilizadas.
A administração da moeda é a única preocupação desses dirigentes que se equivocam quanto ao sujeito da oração em benefício dos adjuntos circunstanciais de interesses próprios ou do bando. Dentro deste triste panorama eis que surge um Davi moderno, sofrido, não pela natureza da sua opção profissional, insensível e impiedoso, que lhe onera com pedágios sob múltiplos aspectos inexplicáveis, custos de diesel, impostos inaceitáveis.
Surge o caminhoneiro forte e altaneiro, cabeça erguida e com a força da razão chama para a mesa de negociação aqueles que deveriam ser responsáveis pela felicidade geral e eles, frouxos, negam-se ao diálogo esclarecedor, impondo mais uma vez as consequências às costas dos de sempre.
Aos que não conhecem, recomenda-se estudar um pouco sobre as revoluções Inglesa e Francesa e as suas preciosas lições, e aos que já conhecem é muito prudente procurar não esquecê-las. Esta é a nossa homenagem e palavra de incentivos aos corajosos e valorosos irmãos da estrada.
- CARLOS ROBERTO MIRANDA, industriário, Londrina
Dinheiro público (1)
Ali Babá e seus 40 ladrões transformaram-se em centenas. Não utilizam mais cavernas e sim belíssimas mansões ou apartamentos de luxo. Da ficção para a realidade, eles estão provocando um rombo especialmente no dinheiro público.
Nesse ramo, as coisas parecem mais fáceis e não existe remorso. O dinheiro não tem um dono específico. ele pertence ao povo e acaba não sendo de ninguém. Assim sendo, R$ 169 milhões foram desviados do TRT-SP, R$ 200 milhões em Londrina, R$ 54 milhões em Maringá, R$ 6 milhões em Cascavel e também de tantas outras cidades menores, onde as cifras podem ser pequenas, mas o prejuízos para a comunidade são enormes, já que este dinheiro deixa de ser investido em obras ou ação social.
Parece que não damos o devido valor ao nosso dinheiro. Talvez por não sentirmos que esse dinheiro seja realmente nosso. Diferente seria se esses ladrões entrassem em nossas residências e levassem tudo. Aí certamente sentiríamos e iríamos tentar recuperar nossos pertences.
O dinheiro público é arrecadado através de mais de 50 impostos embutidos em mercadorias, alimentos, serviços etc. Pagamos e nem mais reclamamos, pois se tornou hábito dar uma fatia de nossos rendimentos ao governo. Os impostos nominais são os mais sentidos (IPTU, IPVA, ISS e CPMF).
É bem verdade que o Ministério Público tem realizado um bom trabalho nessa área. Mais ainda existem muitos Lalaus e Ali Babás escondidos atrás de cargos públicos e levando o nosso dinheiro. Porém, cada um de nós deve ajudar. O cidadão consciente de seus direitos e deveres deve estar atento a toda essa roubalheira. Deve denunciar e principalmente manifestar publicamente contra tais quadrilhas organizadas, que acabam por aumentar a miséria de um povo sofrido, tantas vezes afanado por autoridades inescrupulosas e políticos sedentos de dinheiro, poder e fama.
Enquanto se rouba milhões, o brasileiro ganha em média R$ 300 por mês e a reforma tributária continua enterrada no Congresso.
- MAURO IGNÁCIO, administrador de empresas, Curitiba
Dinheiro público (2)
O público em geral tem grande expectativa e muita apreensão com relação as ações que o Ministério Público está desencadeando contra os malandros que roubam nosso dinheiro, nossas esperanças e até nosso espírito de brasilidade.
As expectativas estão por conta do desejo de que todos os bandidos sejam pegos e as apreensões pela idéia de que os processos sejam arquivados em consequência de pressões. Há, com certeza, justificativas para que o povo se preocupe com o andamento da carruagem, já que estes procedimentos indicam nossa porta de salvação, o caminho da moralização e esperança de uma limpeza geral na nação.
Gostaríamos, é claro, que todos os bandidos já estivessem presos e o dinheiro roubado devolvido, mas, sob o aspecto jurídico a coisa não é tão rápida como queremos e temos que, apesar da vigília, ter paciência. Pessoas da Justiça envolvidas nesses processos precisam amealhar provas demoradas, munir-se de documentos incontestáveis, ficar atentos às manobras e ainda se confrontar com poderosos grupos que apóiam e protegem o banditismo.
Até aqui, os lucros que a Nação está tendo com as ações em curso já são enormes, considerando o fato de que, a medida que alguns poucos são presos e os processos pipocam, milhares de bandidos habituês param de meter a mão no dinheiro do povo por medo de serem apanhados com a boca na botija.
É uma pena que nosso presidente que nos premiou com a Lei de Responsabilidade Fiscal, tão importante para a sociedade, não aproveite a oportunidade para de viva-voz dizer ao povo que apóia a Justiça, ao invés de editar medidas provisórias pretendendo punir os membros do MP.
Esta questão de prestigiar o MP não deve ser encarada como bajulação ou pela bela imagem do pessoal envolvido e, isto sim, por patriotismo e interesse próprio, pois só não pagamos imposto pelo ar que respiramos porque os governos ainda não descobriram aparelhos para medir o que entra nos nossos pulmões. Em consequência de tudo isso, a sonegação prolifera e vai apagando o sentido de comunidade que deve existir em cada um de nós.
- EDSON HERINGER, Londrina
Dinheiro público (3)
É incrível que um país como o Brasil que volta e meia necessita de ajuda financeira externa se dê ao luxo de gratificar seus congressistas com um extra de R$ 16 mil para que votem em algumas seções de suas merecidas férias de janeiro. Ora, eles já não estão lá para isso? Também quero receber um extra para ter que ir votar nas eleições, já que também é meu dia de descanso!
- EDSON RIOS, promotor, Curitiba
Dinheiro público (3)
E a mulher do ex-prefeito de Maringá (afastado e processado pela Justiça por golpe contra o povo) Jairo Gianoto, heim? Que facilidade! Segundo disse o Ministério Público, houve vez em que dona Neusa até mandou a secretária buscar a mesada na prefeitura. Coitada, talvez tão ocupada. E dizer que achava que quem lhe mandava o dinheiro era o marido é uma resposta que bem traduz a desfaçatez das otoridade para com a população. Imagine se alguém pega uma caixinha mensal dessas para pagar besteirinhas e nem comenta com o marido! Como a gente é boba.
ALICE LAIR MEESANTE, Maringá
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