‘‘Caso’’ Renault
Parabéns à ‘‘Folha’’ pelo tratamento destacado e luminoso que deu ao libelo (é o nome adequado) do sr. Luiz Claudio Romanelli sobre o ‘‘affair’’ Renault’’. Trata-se de uma das melhores peças que já lemos, tanto no conteúdo irrefutável e das insuspeitas fontes citadas, como pelo tratamento severo e equidistante com que analisou a fantasia que o Poder frequentemente assume por aqui, em lamentável mescla de imperador-caudilho-mágico, e que ultimamente vem abusando desabridamente da autopromoção e do endeusamento, tudo às custas do erário. Conheço suficientemente bem o Primeiro Mundo para lembrar que por aqui nada há, nem de longe, semelhante a tal despropósito comparativo. Claro que nossos governantes e seus alegres áulicos sabem disso, se prestam alguma atenção a suas ambíguas e inacabáveis mordomias turístico-comerciais, aliás todas elas pagas pelos nossos bolsos raros e esfiapados de um Terceiro Mundo de duras realidades.
O tal Primeiro Mundo, e o afirmo claramente, é inteiramente falsificado, inexistente no Brasil, no Paraná e em Curitiba. Nada justifica o uso de tamanho despropósito, pura e enganadora mágica circense barata. Nem ufanismo o é, e sim humilhante e cínica embromação da ignorância e da crendice popular, a esconder privilégios e discriminações regionais. O artigo lúcido que a tantos abalou denuncia e aponta coisas que nunca ocorrem impunemente no Primeiro Mundo, onde a transparência e a defesa dos direitos do cidadão são garantidas por Justiça eficaz e rápida, severamente exigida por uma cidadania culta e sempre alerta a arreglos com os dinheiros públicos. Palácio, ali, só para turistas...
Nunca discriminei as pessoas em situacionistas ou oposicionistas; isto é coisa de mentes mal-intencionadas e suspeitas, pois revela a intenção de separá-las, confissão insolente de espírito antidemocrático, além de ser o contrário do que os políticos eleitos berraram em palanques enfeitados e musicados. Penso que o sr. Romanelli presta um enorme serviço educativo ao povo quando se pergunta: se tudo isto é, claramente, um assalto ao Tesouro (já é palavra que me lembra coisa de pirata), o que não deverá estar por trás do impublicado? Será impublicável? Como pagadores dos impostos, e consumidores destes fraquíssimos pratos e produtos que nos vêm do Palácio (e aqui monarcas e cortes, contemporâneos de piratas), acho que todo aquele que aponta para tais chagas sangrentas do nosso corpo democrático, para os absurdos regionalistas e claramente suspeitos, merecem destaque e apoio da imprensa, que cresce merecidamente nestas horas.
- LINCOLN BRASIL E SILVA, Londrina
Dia do Amigo
20 de julho é uma data festiva, para aqueles que aprenderam a cultivar amigos em sua vida. E essa não é uma lavoura fácil. É preciso paciência, ignorando defeitos e valorizando as pequenas virtudes, vencendo a barreira defensiva com que as pessoas se protegem e tentam manter as outras afastadas. Tem que ser chato, às vezes, insistindo sempre e ao máximo para conseguir fazer desabrochar uma amizade. Só que isso não significa que o trabalho está terminado, porque a amizade é exigente, quer tudo e, ao mesmo tempo, pode se contentar com pouco ou nada. Como aquela árvore de madeira de lei, que demorou para se formar, desenvolver, crescer e se consolidar, a amizade está, enfim, pronta para
enfrentar as tempestades da vida
com a mesma galhardia com que enfrenta o suave desabrochar das flores na primavera. Dará frutos, porque uma amizade estéril é uma amizade triste. Tem que haver um constante intercâmbio de energias e de forças para que ela se mantenha produtiva e viva, expandindo-se como o universo, rumo ao infinito.
Uma amizade apenas é pouco, mas já pode, sozinha, realizar obras importantes. Na medida em que elas, como rodas de uma engrenagem, vão se juntando num mecanismo afinado e coordenado, movido numa só direção, com um só objetivo, temos o conjunto, a força e a decisão para mudar o mundo. E como o nosso mundo precisa de mudanças. Tanto quanto precisamos de amigos. Que tal se todos nos uníssemos para cultivar amigos? Penso que seria um bom começo para mudarmos o mundo.
- FÉLIX RIBEIRO, Londrina

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