Vila Rica e Londrina
Ontem, fecharam-se mais dois patrimônios de nossa história: os Cines Londrina e Vila Rica, que ficarão na memória de muitos londrinenses. É até natural que isso tenha ocorrido, afinal, nossa cidade já possui salas com recursos infinitamente superiores.
Não escrevo este texto a fim de negar a modernidade. Acredito, sim, que o fechamento dessas duas já saudosas portas, como de tantos outros locais que fazem parte da história de nossa Londrina, seja o preço do progresso que, mesmo sendo natural e necessário, muitas vezes tira-nos tantos momentos simples, mas agradáveis.
Isso porque é muito comum ouvir que cinemas mais modernos, além de infra-estrutura superior e segurança apresentam detalhes de conforto que, infelizmente, há mais de 30 anos não estavam ao alcance da tecnologia (certamente não é esse o vocábulo mais adequado) da época. Ou mesmo os especialistas não pensaram em peculiaridades como não enxergar o companheiro da frente ou no espaço reservado ao descanso das pernas masculinas (que são consideravelmente mais longas).
Entretanto, ainda que os cinemas do século 21 apresentem uma tela maior, ou melhor, recursos audiovisuais de última geração, poltronas ultraconfortáveis e espaçosas, e até mesmo garçonetes servindo guloseimas fresquinhas no espaço interno das salas, que nós, londrinenses, não deixemos de lembrar e valorizar aquela decoração antiga, as poltronas gastas, o silêncio que tantas vezes nos faz falta, a solidão de, inúmeras vezes, ao perambular pelo centro de nossa cidade, assistir a um filme por acaso, e, em especial, as antigas músicas tocadas anteriormente às sessões.
Ao estar presente no Cine Vila Rica, às vésperas de seu fechamento, de certa forma como despedida, infelizmente percebo que, pelo dia-a-dia tão repleto de responsabilidades, pouquíssimas pessoas prestigiaram os últimos dias desses dois locais.
Vivo, hoje, o que outras gerações sentiram com o fechamento do antigo e saudoso também Cine Londrina, hoje Banco Itaú, e concluo dizendo que, assim como na história de meus pais estão os Cines Londrina, Jóia e Augustus, na minha história ficarão os Cines Vila Rica e Londrina.
- ANA ELISA DE ARAÚJO, professora, Londrina
Socorro nas estradas
Face à publicação, no último dia 29, de uma correspondência enviada pelo senhor José Vieira da Silva, de Nova Esperança, em que foram feitos comentários sobre o serviço de atendimento com guincho prestado
por esta concessionária, gostaríamos de fazer um necessário esclarecimento.
Tendo tido problema mecânico na BR-376, entre Maringá e o município de Mandaguaçu, na noite do último dia 20, o veículo do usuário foi removido por uma de nossas unidades até o Posto Mônaco, na entrada dessa segunda cidade, onde ficou em segurança.
Ao fazer isto, a concessionária cumpriu exatamente o que determina o contrato de concessão de rodovias, ou seja, prestar atendimento ao usuário, retirando seu veículo da estrada e transportando-o até um local mais próximo, onde possa ficar em condições de segurança.
Embora tivesse sido atendido, o usuário reclamou que a unidade de socorro não levou o veículo e ele próprio para o destino final, Nova Esperança.
Importante citar que seria realmente ótimo se a Viapar pudesse conduzir todos os usuários cujos veículos apresentam problemas nas estradas que administra, durante as 24 horas do dia, até o final de suas viagens. Mas isto, além de não constar do referido contrato de concessão e ser um serviço que inexiste no sistema de concessão rodoviária do País e do mundo, é absolutamente impraticável.
Todos os dias, nossa concessionária realiza em média 125 atendimentos dos mais diversos, incluindo dezenas de socorros com guincho. Para se ter uma idéia, somente no período de junho de 1998 a dezembro de 2000, a Viapar realizou 33.422 atendimentos a usuários em dificuldades, cujos veículos, a exemplo do que ocorreu com o do senhor José, foram guinchados pela empresa a locais seguros.
No mesmo período, as equipes de inspeção de tráfego registraram 79.638 atendimentos, enquanto os profissionais do serviço de atendimento médico pré-hospitalar (detentor do Certificado de Qualidade ISO 9002) prestaram socorro a 3.007 vítimas de acidentes.
Ao contrário do que fez o senhor José, centenas de usuários encaminharam cartas ou telefonaram para agradecer a presteza e a qualidade dos serviços oferecidos pela concessionária, bem como a simpatia dos nossos funcionários. Podemos assegurar que a Viapar desenvolve um amplo esforço no sentido de prestar os melhores serviços a seus usuários.
- CLÁUDIO VELOSO MOREIRA, diretor de engenharia e operações das Rodovias Integradas do Paraná S/A (Viapar), Maringá
Hanseníase
Dia 30 de janeiro foi comemorado o Dia Mundial Contra Hanseníase. Infelizmente a hanseníase se alastra pelo Brasil e pelo mundo; a cada minuto aparece um novo caso de lepra, uma das mais antigas doenças conhecidas na história da humanidade, encontrada inclusive na Bíblia.
Por que o homem com toda a sua capacidade e inteligência não conseguiu erradicá-la? Falta de vontade? Indisposição por parte do governo em resolver o problema? Ou opção em deixar que os pobres sofram ou morram?
É lamentável e revoltante que, em pleno século 21, uma pessoa morra por causa da hanseníase, como ocorreu com Maria Anideje de Melo.
Ao perceber as manchas, ela procurou atendimento pelo SUS e um determinado ‘‘doutor’’ disse ser micose. Não satisfeita, ela procurou outro posto de saúde, obteve encaminhamento para um dermatologista. A espera de consulta para essa especialidade é de aproximadamente seis meses.
Diante da preocupação, ela marcou consulta particular para o dia 20 de novembro do ano passado. Fez exame, pesquisa de Baar. E no dia 24/11 recebeu o resultado confirmando a hanseníase.
O tratamento foi iniciado dois dias após no setor especializado de hanseníase, no Centro Integrado de Doenças Infecciosas. No dia 12 de dezembro ela fez novo exame de pesquisa de Baar, com resultado negativo.
O que ocorreu no período de 26/11 a 11/01, dia do seu falecimento? Por que sua morte? Vontade de Deus ou incompetência do Estado por não orientar seus médicos a respeito da doença e possíveis reações da medicação? A falta de exames preliminares quando das queixas dos pacientes? Incompetência médica? Negligência hospitalar?
- MARIA GISELDA DE LIMA, Londrina
Pitoresca
Muito pitoresca a metáfora do brilhante Luiz Geraldo Mazza na Folha de ontem: ‘‘PPS, o PCB com filtro.’’ Prosseguindo, dá para afirmar que, com filtro ou sem ele, o perigo de câncer é quase o mesmo.
Por outro lado, é bom lembrar a coincidência: o Partido Comunista Cubano, existente desde 1925, em 1944 travestiu-se em Partido Popular Socialista.
- ÊNIO JOSÉ TONIOLO, professor aposentado, Londrina
Correção
- Título da matéria da página 4 da Folha Esporte de ontem contém erro ao afirmar que ‘‘Rexona estréia contra Ourinhos’’. Na verdade, é o Paraná Basquete que enfrentará o time paulista pelo Campeonato Nacional Feminino de Basquete.
- As cartas devem ser datilografadas, assinadas, vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço, telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade, endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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