O LEITOR ESCREVE
Horário do comércio
Londrina, segundo dados do último censo, tem uma população na sua área de influência de cerca de 4,5 milhões de pessoas. É um número expressivo como todos os números referentes a Londrina o são. Londrina infelizmente não tem uma base industrial acentuada, o que seria um grande gerador de empregos. Tem no comércio e prestação de serviços a mola impulsionadora de seu progresso. É no mínimo um pensamento tacanho, prender essa mola, em horários e procedimentos arcaicos, que em nada condiz com o que acontece no restante do país e do mundo.
Cercear a abertura de estabelecimentos é uma atitude feita sem se imaginar as consequências disso para a cidade, tão necessitada da criação de novos postos de trabalho.
Aos que lutam para que não haja mudanças, uma pergunta: em que horário a população da zona rural pode fazer compras? É claro que após os horários convencionais ou em fins de semana. Senão existe quem os atenda, essa população migra para outras cidades, mais flexíveis e com certeza mais sintonizadas com os novos tempos. Enquanto os poucos shoppings centers da cidade têm seus horários livres e até isenções fiscais, o resto do comércio fica amarrado e preso. Esse contraste deveria e deve ser modificado, para o bem da cidade, para o bem de sua população, para a criação de novos empregos, geração de mais impostos e é claro, o uso desses recursos na melhoria de condições de vida dos habitantes de Londrina.
A abertura do comércio faria também que outro segmento, o do turismo, crescesse, fazendo com que a cidade, que parece abandonada nos finais dos semanas, tivesse um incremento na rotatividade das pessoas de outras cidades que aqui vem nos visitar.
- LUIZ CARLOS PIELAK, revendedor de combustíveis, Londrina
Pedágio (1)
Escrevi, e a Folha publicou dia 21, que a ação do MP contra o pedágio iria encontrar resistência, e que os aliados deles eram muito poderosos, mas não contava que o governo do Estado fosse um deles, ou fosse parte interessada. É o que se depreende da ação do Estado tentando restabelecer o pedágio suspenso na praça de Corbélia.
Por outro lado, esta atitude expõe, definitivamente, a verdadeira face do (des) governo do nosso Paraná. O corte no valor do pedágio foi uma fraude arquitetada em conjunto com as concessionárias. Imaginemos o seguinte diálogo surreal, entre o governador, os seus secretários, assessores e as porteiras, por que ninguém sabe quem são os proprietários delas: Eu corto o valor pela metade. Como vocês não estão fazendo nada, além da capina e da operação tapa buracos, dá pra continuar assim. Aí vocês contestam na Justiça. Eu ganho as eleições, o Estado cumpre a decisão judicial, tudo volta ao normal e todos ficamos felizes. E ainda poderemos rir muito da cara de bobo do eleitor.
No último aumento o governo fingiu outra ação, mas já afrouxou os prazos, só falta abrir mão das multas. Agora que tem a possibilidade de sair da confusão ilegal em que se meteu, o Estado que deveria defender os interesses dos cidadãos, mais uma vez, com dinheiro do erário público, vem defender os interesses particulares, mais especificamente da Viapar, tentando restabelecer o pedágio da porteira de Corbélia.
- TARCÍSIO MARTINS, Londrina
Pedágio (2)
Sobre as respostas do secretário Rafael Greca sobre o pedágio, tentando apresentar justificativas: ele comete inúmeras asneiras, como seu chefe, o governador. Ele se esqueceu de dizer que as duplicações das rodovias paranaenses foram feitas sem o pedágio e que elas foram entregues, antes da privatização, em bom estado se conservação. Some-se ainda o fato que em Santa Catarina primeiro se fez as obras de duplicação, para depois construir as praças de pedágio.
Senhor secretário: pode até ser que o programa de privatização faça parte de uma decisão maior, mas a arrecadação é muitas vezes maior ainda, pelo mínimo ou quase nada, até agora, feito pela concessionária que rapina os norte-paranaenses. Se quiser números, aqui vão alguns. Ela publicou em jornais, que já investiu mais de R$ 9 milhões em melhorias na rodovia BR 369 e duplicou 4 quilômetros, da barranca do Rio Tibagi até um trevo próximo.
Num cálculo extremamente modesto, com base em apenas 20 mil veículos/dia, entre carros, utilitários, caminhões, carretas e ônibus, transitando somente na praça de rapina, digo, pedágio, em Jataizinho, e o valor médio seja de R$ 5,00 por veículo, temos R$ 100 mil por dia, R$ 3 milhões por mês, R$ 36 milhões por ano e até agora, acumulado no melhor negócio de sua excelência, o governador Jaime Lerner, chega-se ao valor de R$ 108 milhões arrecadados em três anos de rapinagem, digo, cobrança de pedágio.
Quer, vossa excelência, que se inclua nessa missiva o outro local de cobrança, Andirá, ou já percebeu que a cobrança de pedágio no Paraná, é melhor que ter um cartório ou ganhar sozinho o prêmio acumulado de loteria? Quer outro motivo de chacota? A concessionária que não realizou as obras, como castigo, não terá reajuste! Que Megasena acumulada que nada! Bom mesmo é a concessão do pedágio, pois é para sempre. Como secretário de Comunicação do governo, quem sabe o senhor saiba responder: qual a data de constituição da Econorte? Ela visa lucro ou vai fazer caridade? Qual é o critério utilizado para o valor do pedágio?
- TADEU ARILSON STULZER, advogado, Londrina
Conurbação curitibana
No longínquo ano de 1721, o ouvidor Rafael Pires Pardinho, proveu que daqui por diante nenhuma pessoa com pena de 6 mil réis para o conselho faça casas de novo na vila sem pedir licença à Câmara, que lhe dará e lhe assinará chãos em que as faça continuando as ruas que estão principiadas e em forma que vão todas direitas por corda, e unindo-se umas com as outras, e não consintam que daqui por diante, se façam casas separadas e sós, porque além de fazerem a vila e povoação disforme ficam os vizinhos nela mais expostos a insultos e desviados dos outros vizinhos para lhe poderem acudir em qualquer necessidade que de dia ou de noite lhe sobrevenha.
Trata-se dos primeiros passos rumo ao planejamento urbano da antiga Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. O tempo passou e Curitiba sofreu uma urbanização muito acelerada nos últimos 20 anos. Hoje é notável um distanciamento substancial entre ricos e pobres, como característica na maioria das metrópoles.
A nossa capital está dividida. A primeira é a cidade legal, habitada pela população de classe média e mais abastada. A outra é a cidade clandestina, composta por invasões e favelas. Nas linhas limítrofes, entre o centro histórico e embrionário com o perímetro conurbado, as duas cidades convivem bem de perto. Um percentual bastante elevado da população é excluída dos benefícios da infra-estrutura mínima.
A atual administração municipal de Curitiba, reeleita à queima-roupa, caso queira reverter as intempéries viciosas da sua origem embrionária, deve lembrar-se das críticas feitas a forma arbitrária que enfiou goela abaixo na Câmara Municipal a Proposta de Lei do Uso e Ocupação do Solo.
A democracia é uma palavra que não consta no dicionário muito menos nas ações da administração tecnocrática da cidade-modelo. A participação popular no diagnóstico das necessidades, na definição das prioridades políticas e na fiscalização dos gastos públicos é muito restrita ou inexistente.
Penso ser esperança de todo curitibano que os reeleitos não cometam os erros do primeiro mandato, deixando, não só a população mais bem servida, como não propiciar ao antigo Ouvidor Rafael Pires Pardinho um irrequieto revirar na cova sepulcral.
- MARCO ALZAMORA, arquiteto, Curitiba
Correção
- A inflação acumulada em 2000, de acordo com o IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas, é 9,95%, e não 11,88%, como foi publicado na edição de ontem na Folha Economia.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





