Mesmice
Passada a turbulência das piores administrações municipais, visualiza-se o aceno de mudanças, transformações. Aliás, isso se tornou uma rotina em Londrina, onde o sucessor critica tudo e todos, porém não tem competência para melhorar e só piora a nossa cidade. É politicagem pura. Nos discursos, a palavra de ordem é a pluralidade, sociedade organizada, sindicatos, igrejas.
Ah, igrejas! Não é conflitante ou até incoerente um padre ou pastor tornar-se cabo eleitoral para apoiar mentiras, corrupções, falcatruas, coisa comum nos meios políticos para atingir o poder? Na maioria das vezes só se visa a interesses espúrios, distribuição de cargos para apaniguados, sucateamento geral. O papel da igreja não seria de combater estas críticas maléficas? Jamais tomar partido? Porque a igreja tem tanto interesse em riquezas, poder, se a Bíblia diz que a salvação é gratuita, um dom de Deus?
Na prática vemos uma tumultuada eleição na Câmara denunciada pelos próprios vereadores com acertos de cargos, vantagens. Mudou alguma coisa? Houve sim distribuição de cargos, foram contemplados cidadãos criticados na campanha, incluídos nas promessas que seriam abolidos da vida pública definitivamente. O que mais continuará? Esperamos ‘‘austeridade’’, moralização, respeito à cidadania, valorização e acesso do cidadão à saúde, geração de empregos, educação, segurança, etc.
Fica muito bonito nos discursos, enriquecem o vocabulário do orador, porém, isso tudo tira a única fonte do cidadão que é a esperança por uma vida melhor. Espero que nada disso se repita. Que haja mesmo o início de uma caminhada esquecendo o passado, partindo para o futuro com decisões simples, que efetivamente fará de Londrina uma metrópole.
Para isso, votei, bem como todos que os elegeram. Não nos decepcionem, não frustrem o sonho, não tirem a única esperança que temos, pois não temos esta certeza ao vermos o perfil desta administração até o momento com a mesmice de sempre. Honrem os nossos votos, resgatem a cidadania e o respeito pelo povo londrinense.
- MOISÉS DOS SANTOS, Londrina
União estudantil
A Coordenadoria Geral do Diretório Central dos Estudantes da UEL não reconhece a legitimidade do congresso realizado no dia 21 que elegeu uma outra diretoria e aprovou outro estatuto para a União Paranaense dos Estudantes (UPE).
A realização do congresso no período de férias, quando a maioria dos diretórios das universidades paranaenses não havia sido convocada, revela o caráter golpista do evento. Ferindo os princípios democráticos, as decisões tomadas nesse congresso não encontram respaldo algum perante a comunidade universitária, posto que são resultantes de um processo que exclui a participação e o debate dos estudantes.
Nesse momento em que o movimento estudantil do Estado se reorganiza, denunciando e lutando contra as políticas governamentais que não têm outro objetivo senão acabar com a universidade pública, a reestruturação da UPE está na agenda dos principais diretórios acadêmicos do Estado, inclusive no da UEL.
Reconhecemos, no entanto, o estado de inoperância e de desestruturação em que se encontrava a UPE. Mas não podemos conceber o método aplicado por esse grupo que, deliberadamente, cerceou a atividade representativa, demonstrando sua ligação direta com setores autoritários da sociedade paranaense.
Um congresso para eleger uma diretoria e aprovar diretrizes deve ser precedido por um intenso trabalho nas universidades, com tempo para divulgação e apresentação de propostas. A forma e organização devem ser discutidas e previamente aprovadas por um número representativo num próximo Congresso. Assim podemos garantir um processo democrático com participação de todas as universidades paranaenses.
- VINÍCIUS GESSOLO DE OLIVEIRA, membro do Diretório Central dos Estudantes da UEL
Propina
A privatização das rodovias paranaenses representou a solução para inúmeros problemas em nossas estradas, porém resta ainda uma questão a ser resolvida. A cobrança de propina por parte da Polícia Rodoviária a fim de liberar motoristas infratores continua sendo uma prática comum nas rodovias do Estado.
Basta o motorista tentar se explicar ao ser flagrado numa infração de trânsito e alguns policiais não demoram a propor o pagamento de um ‘‘caf钒 a fim de isentá-lo da multa. Muitos motoristas não denunciam esse tipo de corrupção nas rodovias do Paraná, pois preferem pagar ao invés de arcar com multas e perda de pontos na carteira.
A atitude dos policiais corruptos impede que o motorista infrator seja devidamente punido, e ao mesmo tempo, denigre a imagem de toda a corporação da polícia rodoviária estadual ou federal, composta em sua maioria por profissionais sérios e honestos.
Para que se ponha fim ao problema é necessário remunerar melhor os policiais rodoviários, bem como criar um sistema de denúncia contra agentes corruptos que abusam do poder para extorquir dinheiro de motoristas nas rodovias do Paraná.
- ROBERTO CARLOS SIMÕES GALVÃO, Apucarana
Previsões
Com a recente eleição presidencial americana, o mundo todo volta suas preocupações e expectativas sobre o novo governo de um dos países mais importantes do mundo.
Após a exibição de uma retrospectiva chamada ‘‘Os anos Clinton’’ durante a semana retrasada, a rede de segunda maior audiência nos Estados Unidos apresentou, em duas etapas na última semana, o debate intitulado ‘‘2015’’. O debate poderia mais ser considerado uma entrevista entre um dos repórteres da rede e quatro pessoas, dentre as quais o presidente da Agência Central de Inteligência (CIA), em que se faziam previsões sobre os próximos 15 anos nos EUA, e sua relação com o resto do mundo.
Entre os pontos apresentados pelo representante da CIA, estava a preocupação com o armamento de países em desenvolvimento que hoje, segundo a organização, faz com que o risco de um ataque a mísseis americanos seja maior que nos tempos da Guerra Fria. Junto a isso, com a globalização o terrorismo está se sofisticando e o perigo de ataques dessa natureza aumenta nos EUA, já que se torna mais difícil localizá-los. E a lista dos inimigos, possíveis ‘‘atacantes’’ incluía não somente Irã, Iraque, como também a América do Sul, questão na qual o Brasil também se envolve através do narcotráfico colombiano, portão de entrada da Amazônia, segundo os americanos.
Para o cidadão comum americano, de quem inúmeras vezes ouvimos perguntas do tipo ‘‘Onde fica o Brasil, perto de Londres?’’ ou ‘‘Vocês falam espanhol, não é mesmo?’’, a variação dos impostos é assunto muito mais importante que a política externa do governo.
De onde então esperamos defesa contra a carta branca que é liberada sob o argumento do ‘‘perigo’’ que representam os países em desenvolvimento? Não deveríamos nós, abrirmos os olhos e procurarmos driblar a falta de informação, ao invés de nos preocuparmos com as indicações para o Oscar? O que sabemos, por enquanto, é que muitas coisas acontecerão antes de 2015, e se temas com a globalização ou o neoliberalismo continuarem sendo palavrões para a maioria dos brasileiros, a solução será como Raul Seixas previra, alugar o Brasil, para dá-lo de presente, como vem se fazendo e deixando fazer.
- RAKELLY CALLIARI SCHACHT, universitária brasileira, Nova York
- As cartas devem ser datilografadas, assinadas, vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço, telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade, endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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