O LEITOR ESCREVE
Dia do Aposentado (1)
Comemora-se hoje, no Brasil, o Dia Nacional dos Aposentados. Esta é a data em que foi instituído o Instituto de Previdência. É também consagrada em homenagem a Eloi Chaves, cuja lei tem o seu nome. Ele foi ferroviário, trabalhador de São Paulo e que muito batalhou pela melhoria das condições de vida dos inativos. Com isso, iniciou-se um movimento de trabalhadores que, organizados, criaram os primeiros institutos de aposentadoria de diversas categorias, entre os quais IAPC (comerciários), IAPB (bancários), IAPI (industriários).
Muito tempo se passou e, infelizmente, as condições de vida dos aposentados têm se deteriorado muito. Dentre alguns exemplos acintosos dos ataques aos aposentados, podemos citar a redução do teto dos benefícios, que era de 20 salários mínimos, caindo para 10 salários mínimos. Outro massacre ocorreu com a desvinculação do reajuste dos benefícios, em relação ao reajuste concedido ao salário mínimo.
Recentemente, o ex-ministro Reinhold Stephanes provocou um genocídio ao promover as alterações na Previdência Social, aumentando o tempo de contribuição, a idade-limite para concessão do benefício, e outros inúmeros malefícios aos aposentados.
Diante desse quadro desesperador por que passam os aposentados e corroborado com a ineficácia das entidades que se criaram para defender estes trabalhadores, resolveu a Força Sindical, central que mais cresce no Brasil, criar o Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas.
O objetivo do sindicato é resgatar a cidadania e a dignidade dos aposentados, proporcionando-lhes aposentadorias e pensões dignas e melhoria nas suas condições de saúde. Algumas atividades já estão sendo definidas e dentre elas destacamos a parceria que foi feita com os representantes das indústrias farmacêuticas, pela qual os aposentados e os pensionistas poderão adquirir os remédios com desconto de até 55%.
O primeiro cartão de associado, que dará direito a este e outros benefícios, será lançado em São Paulo no dia 8 de março. Outra iniciativa do sindicato será a sua participação no projeto de iniciativa popular que tenta fazer com que os reajustes dos benefícios voltem a ficar vinculados ao salário mínimo.
Queremos ainda que os aposentados tenham um tratamento digno na hora de receber seus benefícios. Vamos lutar para acabar com as filas nos postos e agências bancárias e também queremos mais segurança nos dias de pagamento dos benefícios, pois as estatísticas mostram que o número de assaltos aumenta nos dias de pagamento dos beneficiários do INSS. Precisamos de melhorias no transporte público e quanto ao lazer faremos convênios com instituições para que possam oferecer lazer barato ou gratuito e de qualidade. Enfim, além destas iniciativas, outras serão implementadas visando a melhoria de vida de quem tanto lutou pelo progresso do País. Vamos trabalhar para restabelecer a dignidade e o respeito dos aposentados e pensionistas.
- PAULO JOSÉ ZANETTI, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical, Curitiba
Dia do Aposentado (2)
-
Seguindo a tradição nacional, o dia 24 de janeiro foi designado como o Dia Nacional do Aposentado, uma merecida homenagem àqueles que já ofereceram à sociedade o melhor de suas capacidades de trabalho. Todavia, um ato muito pouco significativo diante do tratamento dispensado aos aposentados e da política equivocada da época, já então sofrendo os efeitos nefastos da legislação que em 1975 detonou o conhecido INPS e criou o Sinpas, que desintegrou o sistema transformando departamentos em novas entidades (Iapas, Inanps, novo INPS etc.), as quais passaram a ser instrumentos de barganhas políticas.
Na realidade, nada a comemorar e muito a se lamentar, servindo entretanto a citada data como uma referência para reflexão e possíveis iniciativas no sentido de uma nova postura por parte da classe, que infelizmente se faz tão ausente e dispersa, a ponto de não conseguir identificar-se como um segmento social organizado e politicamente respeitável.
A política praticada pelo atual governo, fiel aos princípios do neo-liberalismo, sinaliza para o desmonte do sistema previdenciário em vigor, tendo como objetivo a sua privatização, ficando a cargo do poder público uma espécie de aposentadoria de subsistência, representada por benefícios inexpressivos.
Entre as lideranças nacionais que lutam contra a efetivação deste processo, está a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), que em sua última manifestação reafirmou ao governo federal a pauta de reivindicações, contando inclusive com o apoio de parlamentares que integram a Frente Parlamentar em Defesa da Previdência Pública.
Relacionamos a seguir alguns itens da pauta: 1) Recuperação das perdas salariais (33,47%) para os que ganham acima do salário mínimo; 2) Restabelecimento da data-base do reajuste anual para primeiro de maio; 3) Fixação do teto de contribuição e benefício em 10 salários mínimos; 4) Previdência complementar para quem ganha acima de 10 salários mínimos, com opção para pública ou privada; 5) Concursos para vagas disponíveis no INSS e reforma de suas instalações.
Esses são apenas alguns pontos reivindicados pela nossa entidade máxima, que não tem encontrado a necessária vontade política de atendimento. É indispensável e urgente maior coesão e incremento do movimento organizado da classe, inclusive partindo de suas bases, que são as associações locais.
Saudamos todos os aposentados e pensionistas de Londrina e região, em especial aqueles que ainda se preocupam com o futuro de nosso País, para os quais nossas portas estão sempre abertas.
- MOACYR PIANTAVINI, presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Londrina (Asapel)
Usina Central
Como ex-morador de Porecatu, cidade em que nasci e na qual vivi por 26 anos, fiquei indignado com os acontecimentos envolvendo a direção e os trabalhadores da Usina Central Paraná. Não chegou a me surpreender a falta de respeito que esta empresa sempre teve com seus empregados, prática costumeira dos seus gananciosos diretores.
Desta vez, o que me causou revolta foi a omissão do novo prefeito Dionísio de Souza, uma voz oposicionista que sempre foi a esperança de mudança para as pessoas esclarecidas daquela cidade.
Sua justificativa de não se envolver nesta queda de braço tão desigual foi, no mínimo, covarde. O patético argumento de que seria um ato de oportunismo intervir a favor dos trabalhadores é ridículo.
Ora, em grande parte, estes trabalhadores o elegeram esperando uma postura diferente da adotada por todos os ex-prefeitos, sem exceção, que sempre preferiram se aliar à usina, pagando o altíssimo preço de manter a cidade mergulhada no atraso e na dependência exagerada de um só grupo econômico.
Um prefeito tem mecanismos de sobra para mudar este estado de coisas. Como primeiro prefeito eleito do Partido dos Trabalhadores, é razoável supor que ele enfrente este desafio e livre a cidade desta letargia que beneficia os poderosos e deixa a população na miséria.
Que tal, prefeito, usar a força do seu partido, o grande vitorioso das últimas eleições municipais, para não deixar impune os desmandos desta empresa, que há décadas usa espertos expedientes para driblar o Fisco, o INSS, o Ministério do Trabalho e outras tantas instituições sérias? Ou fomos enganados e o senhor é apenas mais um medíocre na cadeira de prefeito?
- LUIZ RODRIGUES, auxiliar administrativo, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





