Usina Central
Gostaria de tecer algumas considerações a respeito da reportagem ‘‘Porecatu é refém da Usina Central’’, publicada pela Folha no dia 21. Para quem conhece de longa data os problemas que ocorrem em Porecatu, causados pelo poderoso Grupo Atalla, é até surpreendente a reação dos operários, pois estes desmandos ocorrem há mais de 20 anos e nenhuma providência foi tomada sobre as arbitrariedades em todos os níveis que são cometidas pelo referido grupo.
Como foi dito na reportagem, todos na cidade têm medo de retaliações dos prepostos dos Atalla. Os sindicatos que congregam o principal contingente dos empregados da usina, o de Trabalhadores Rurais e da Indústria de Alimentação, são presididos pelas mesmas pessoas há mais de 20 anos e ambos são pelegos. Precisou um sindicato de outra cidade, o dos Rodoviários de Londrina, para ‘‘peitar’’ o poderoso grupo.
As dívidas da usina com FGTS, INSS, Banco do Brasil e Banestado vêm de longa data. Aliás, as relações de maiores devedores, divulgados pela imprensa, que fazem parte da ‘‘parte podre’’ do Banestado e que ficaram para o governo do Estado receber, por ocasião da privatização, não fazem referência a nenhum débito do grupo. Será que as dívidas foram perdoadas pelo governo do Estado? Ou foram recebidas? Duvido.
Como se pode ver, os tentáculos do Grupo Atalla são poderosíssimos. Tudo isto com o beneplácito dos últimos prefeitos do município, que sempre foram eleitos com apoio da usina. Nesse tempo todo, onde estavam as fiscalizações do INSS, FGTS, do Ministério Público e o próprio Poder Judiciário? Será que todos também são reféns dos Atalla? A dependência do município de tão nefasto grupo sempre foi nociva. Quem conhece a cidade pode constatar que a mesma regrediu e a decadência é visível. Esperamos que agora com uma administração municipal oposicionista e com novos ares de moralidade que bafejam o Paraná e o País, seja dado um basta neste estado de coisas.
- JOSÉ EDMUNDO MOURA, Ribeirão do Pinhal
Menores
Parabéns à Folha pela publicação de reportagens nos dias 18 e 19 de dezembro de 2000 sobre o trabalho do Núcleo Espírita Irmã Scheilla. Esse trabalho permitiu que quase 300 menores saíssem de uma situação de risco muito grande, em uma região da periferia de Londrina, para um ambiente mais sadio, dentro de empresas, com carteira assinada e boas oportunidades de crescimento profissional, moral e espiritual.
O trabalho mais importante do núcleo não é o oferecimento de cursos técnicos, mas sim a importância de incluir na maneira de ser de seus alunos as qualidades pessoais que os empresários procuram. Para isso, o núcleo tem buscado no Evangelho de Jesus os exemplos maravilhosos do Nazareno. Adaptados ao ambiente das empresas atuais, esses exemplos resultam em um profissional mais honesto, mais responsável, mais leal, mais humano, mais ético, mais solidário, qualidades indispensáveis e reconhecidas pela maioria dos empresários de sucesso.
Antes de ser um bom profissional é preciso ser uma boa pessoa. Esse princípio nos conduzirá a uma sociedade melhor. Mas é necessário que esta idéia se espalhe para todas as instituições de ensino, e a Folha está colaborando para que isto aconteça ao abrir espaço para reportagens dessa natureza, que divulgam experiências bem sucedidas para que elas se multipliquem. Infelizmente, muitos meios de comunicação ainda dão ênfase ao sensacionalismo e a notícias negativas, que nada acrescentam de positivo na construção de uma sociedade melhor.
O livro ‘‘Sementes para um mundo melhor’’, do professor Ivan Dutra, explica com mais detalhes o trabalho do núcleo. Este se encontra à venda na Livraria Chico Xavier no Shopping Royal Plaza e sua renda se destina a manutenção e ampliação desse trabalho.
- SILVÉRIO DA SILVA, Londrina
Ética
Segundo o que aprendemos dos gregos, a palavra ‘‘ética’’ significa o lar, nossa morada, a maneira com que organizamos os nossos utensílios. Sem dúvida, a agressão e o descaso com que tratamos o nosso lar comum, a natureza, não deixam de refletir o quanto somos antiéticos, incapazes de avaliar a importância que representam para nós e para as futuras gerações, o cuidado e o zelo para com nosso habitat natural.
A escalada das agressões que cometemos contra o meio-ambiente oscilam entre variáveis minimáximas, a partir da observação simplista de que estamos nesta terra apenas para obter das potencialidades naturais o máximo possível de vantagens.
Independentemente de perfis ideológicos, socialismo e capitalismo têm contribuído de forma perversa para o agravamento do problema ambiental, impedindo que se consiga implementar convenientemente estratégias mais consentâneas com a manutenção necessária e inadiável do equilíbrio entre exploração econômica da natureza e a sua degradação.
Para tanto, todas as instituições devem evoluir. Escolas, igrejas, governos, ordem jurídica e econômica, tudo deve ser visto a partir de agora sob novas dimensões, sob novas perspectivas que façam brotar um humanismo participativo e desprendido.
Não obstante, como estancar ainda as forças colossais da poluição industrial e destruição em massa de árvores e animais? Como mudar políticas sólidas de hegemonia nacional e econômica forjadas à custa da exploração desmedida? A gravidade do problema está em que não se trata só de uma questão de grau, mas de natureza: não se trata apenas de diminuir a intensidade, mas de modificar as formas básicas de atuação.
Herbert de Souza, em sua Carta da Terra, denuncia as chagas da terra dividida, cercada pela ganância proprietária. Utopias à parte, sempre pode ser encontrado o equilíbrio do meio termo, onde a idéia do contrato social pudesse ser substituída pela de um contrato natural, sugerido pelo filósofo Michel Serres. Segundo ele, trata-se do estabelecimento de uma nova relação do ser humano com o seu meio-ambiente, de admiração e cuidado. Não conseguiremos humanizar o homem enquanto não pudermos colocá-lo em condições adequadas de relacionamento com o seu meio-ambiente.
- ANTÔNIO CELSO MENDES, professor, Curitiba
INSS
Os inescrupulosos detratores do INSS frequentemente o acusam de dar ao Tesouro um prejuízo anual de invariáveis R$ 10 bilhões. Criaram, por causa disso, aquele absurdo ‘‘fator previdenciário’’, que retarda a aposentadoria dos que completaram os 35 anos de contribuição, mas o fictício déficit de R$ 10 bilhões continua o mesmo. Intentam à viva força, empurrar goela abaixo dos trabalhadores, uma tal de previdência complementar, que de previdência social nada tem pois os patrões não contribuem.
Entretanto, todo o mal de que padece o INSS provém do fato de ser saqueado pelo ‘‘governo’’. De nada lhe vale ser um sanguessuga dos empregadores e dos próprios segurados se, por sua vez, é impiedosamente sangrado pela ‘‘Viúva Negra’’. A contribuição previdenciária, no Brasil, é a segunda mais elevada do Mundo: 34,75% em Portugal, 31% no Brasil, 17,15% na França e 12,4% nos EUA. Como se pode, honestamente, falar em déficit num sistema previdenciário de tal modo escorchante? O que há é assalto e o principal dos assaltantes é o ‘‘governo’’.
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, juiz aposentado, Brasília
Correção
- Os contratos de locação de máquinas feitos pela Prefeitura de Umuarama com a empresa Sandra Regina Terraplenagem somam R$ 405,6 mil e não R$ 1 milhão como a Folha publicou na edição de sábado. Segundo levantamento feito pelo ex-vereador Osni Santana (PT), a prefeitura gastou nos últimos quatro anos R$ 1,3 milhão com aluguel de veículos e máquinas, divididos entre várias empresas. A Sandra Regina Terraplenagem teria recebido a maior quantia. A empresa vai ser investigada pelo Ministério Público Federal por suspeita de sonegação fiscal.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade, endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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