Carta ao governador
Governador Jaime Lerner: não votei no senhor em 1994 e 1998 para governador. Espero que isso não seja motivo para o senhor deixar de ler essa carta. É que em entrevista à revista ‘‘Playboy’’ no começo da última década o senhor declarou que gostaria de ser eternamente prefeito de Curitiba, e sinceramente acho que o senhor está quase realizando esse sonho, embora seu mandato, graças a Deus, não é eterno. Ironias à parte, gostaria de apelar ao seu bom senso, senão à sua consciência. Toda atividade de monopólio obrigatório deve ser responsabilidade do Estado. Monopólio obrigatório é quando a atividade não oferece condições físicas para a concorrência. Nesse caso, trata-se de serviço de utilidade pública.
O tratamento e abastecimento de água está nesse contexto. É totalmente inviável manter diversas redes de abastecimento de água e de esgoto. Nosso subsolo viraria um queijo suíço e seria economicamente improcedente. Por outro lado, a alma do capitalismo, a medula da livre iniciativa é a concorrência. Basta o senhor comparar o tratamento dado a usuários de ônibus urbano e passageiros interestaduais. Os primeiros que são submetidos a uma ou no máximo duas empresas, são transportados como reses; já o mesmo usuário, quando vai viajar de ônibus, e tem várias opções a sua escolha, é tratado como cliente e civilizadamente.
A atividade de supermercados, à qual o Estado nunca se meteu a dar protecionismo, caminha de vento e popa. E assim poderíamos discorrer várias laudas dando exemplo de que serviços sob pressão da concorrência são muito mais baratos e eficientes. Mas o que não dá para ter concorrência, como garantir a eficiência e custo baixo? Ainda mais um Estado fraco como o nosso em que um ministro denuncia grilagem de um mero empreiteiro e o mesmo bravateia na imprensa ameaçando o ministro. Fosse nos Estados Unidos (país que o senhor conhece bem), antes do ministro denunciar o FBI já estaria no encalço dele para enquadrá-lo. Governador, não por mim, mas pelo povo paranaense que merece viver (água é vida), não privatize a Sanepar. É serviço de utilidade pública e não privada.
- JOSELITO TANIOS HAJJAR, Londrina
Medida provisória
Ao editar medida provisória que controla o Ministério Público em ações de improbidade sem sustentação, o governo acabou se atingindo. Primeiro frustrou a expectativa da opinião pública em ver mais ‘‘Lalaus’’ atrás das grades; e depois abriu precedentes para inúmeras especulações do tipo ‘‘o governo não lesa mas deixa lesar’’.
O Ministério Público é instituição permanente, atua na defesa do ordenamento jurídico, do regime democrático, dos interesses do cidadão, e conhece bem as leis que já existem e que controlam o seu funcionamento. O serviço prestado por seus membros é inestimável ao país, principalmente nos crimes contra a administração pública e na proteção do patrimônio nacional pertencente a cada um de nós.
Para um governo que não anda tão bem com os números de popularidade e uma política econômica que não cresce substancialmente, querer editar agora medida tão impopular e tão eivada de nulidades é pedir para ser derrotado duplamente: uma na opinião pública e outra na Suprema Corte (STF) em ação direta de inconstitucionalidade.
- ANTONIO NEVES DE AZEVEDO, engenheiro, Santa Cruz do Monte Castelo
Conscientização (1)
O acúmulo de lixo em Londrina aumenta cada vez mais. Sabemos que a limpeza deve ser executada pela Autarquia do Meio Ambiente (AMA) da prefeitura pois pagamos impostos e outras taxas. Temos conhecimento que as máquinas e equipamentos da prefeitura estão em condições mínimas de uso ou mesmo sucateadas, problema este herdado da última administração. Tudo isto inviabiliza por hora qualquer ação imediata de nossos novos governantes e devemos compreender esta situação.
Portanto, nós temos o dever de não deixar que este problema se agrave ainda mais, devemos ter a consciência de que a medida que jogamos ou deixamos jogar mais lixo em terrenos próximo de nossas residências as consequências serão ainda maiores, isto aumenta a incidência de variados tipos de insetos, roedores etc., prejudiciais à nossa saúde, e principalmente, deixa nossos bairros menos atrativos para novos moradores e novos empreendimentos, e principalmente desvalorizando ainda mais nossos imóveis.
Temos que nos tornar vigilantes constantes do nossos bairros, e denunciar qualquer ato feito por essas ‘‘pessoas’’ que fazem esse tipo de coisa, se é que podemos chamá-las assim. Seguindo o ditado ‘‘a união faz a força’’, somente assim é que teremos condições de enfrentar este que é um dos principais problemas de nossa cidade.
- WILHIANS PEREIRA CARDOSO, funcionário público municipal, Londrina
Conscientização (2)
Dizemos, e com razão: nossa cidade é grande e bela. No atacado, sim. No varejo, não. Basta repassá-la nas minúcias, o que eu e muitos outros já fizemos repetidas vezes. É sempre bom insistir, é a insistência que provoca atenção e empenho. Vamos aos melindres.
O Lago Igapó, enriquecido nas suas margens de limpeza, flores, luzes e outras coisas, indubitavelmente, um deslumbrante cartão de visita. Urge o cuidado primoroso de nossas praças e jardins. Na verdade não há nenhum que chame admiração, muito pelo contrário. Há mato, bancos feios, nada de flores e sujeira.
Desdouro da cidade são nossas calçadas, de ponta a ponta, do centro à periferia. Quebradas, esburacadas, mal pintadas, desiguais na frente de cada residência. Hoje, mal se salvam as dos prédios. Admito que nenhuma cidade do mundo tenha uma arborização tão falha e tão disparatada como a nossa. Em certos quarteirões ergue-se uma única árvore, noutros uma árvore da Mata Atlântica ao lado de um arbusto de jardim. E quantas de raízes poderosas alevantando derredor calçadas de pedras.
Quanto à iluminação, uma tristeza. Fora o centro e outros focos de boa luz, o mais é escuridão. Há de se lamentar as datas abandonadas sobretudo na parte central. Verdadeiras possilgas, ninhos de ratos e baratas, e cobras também. Comandando a feiúra, o enorme quarteirão do antigo Londrinense com as ruínas do ex-famoso Ginásio Colossinho.
E a limpeza da cidade deixa muito a desejar. Pelo que a gente vê, pesa o descaso dos moradores e transeuntes, que vão jogando a direito e à esquerda, o que lhes sobra de imprestável nas mãos. Lamentável.
Londrina, grande e bela, mas sem donaires. Como aquela mulher, tão linda mas desfigurada. Sem adereços, sem pintura, sem brilho, sem primor. Nova administração, novos responsáveis, quem sabe? O que fizerem, pouco que seja, terá aplausos de uma população que quer ufanar-se de sua cidade, e gozar-lhe a beleza e fidalguia.
- EDUARDO AFONSO, professor, Londrina
Correção:
O telefone correto do Spa Santa América, em Bela Vista do Paraíso, é o (43) 347-2120 e não como foi publicado ontem no caderno Folha Cidades.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade, endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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