O LEITOR ESCREVE
Que país é esse!
A omissão é talvez o mais ignóbil dos atos humanos. Porém, convenhamos que é também árduo opor-se àqueles senhores que se empenham, no dia a dia, a perpetuar o homem subjugado, manso, apático, massificado, acrítico e vencido. Rebeldia, nem pensar. O saco de maldades, no dizer dos homens do presidente, é enchido nos gabinetes fechados, artificialmente iluminados e onde respiram ar condicionado, pois eles têm horror à luz do dia e ao ar puro, tal é o vício de encher os sacos. E se alguém se atreve a confrontar-lhes, às vezes serram as pernas dos atrevidos com motoserras, outras vezes baixam medidas provisórias multando pesadamente os encarregados de resguardar os bens da Viúva. Por que interessaria à gentalha saber como foram feitas as privatizações de empresas públicas e as concessões para pagamento de pedágio nas rodovias públicas? Aliás, o senhor presidente disse certa vez que nem tudo pode ser dito ao povo.
Se Midas tinha o poder de transformar tudo o que tocasse em ouro, os homens públicos (vereadores, deputados, prefeitos, governadores e presidentes) e a cumplicidade dos servidores públicos (que mais se servem do que servem), mancomunados com os donos do poder econômico, no Brasil, transformam tudo em podridão. Os atos inconsequentes desses homens têm sido a causa maior do atraso econômico e social em que vive grande parte da população deste colosso chamado Brasil. Lá se vão 500 anos de cegueira e crueldade. E apesar de tudo, o povo brasileiro, ainda que ignorante, humilhado, maltratado, esquecido e diariamente roubado, mantém a chama da esperança acesa porque amanhã há de ser outro dia.
Como professor de universidade pública, portanto servidor público, tenho presenciado tantos atos infames no serviço público, que não tem como negar a cumplicidade do servidor público como causa da podridão dos órgãos públicos, no Brasil. E sinto dizer que tenho me comportado como um omisso. Meus sinceros parabéns à Folha do Paraná, pois esse é o jornal que mais tem contribuído para mostrar a podridão da coisa pública no Paraná.
- UESLEI TEODORO, professor, Maringá
Recomeçar
Deixou-nos um célebre cardeal alemão o lembrete: Todas as manhãs ao despertar devemos gritar: Recomeçar. Bom lembrete para os primeiros dias do ano novo. De certa forma é um recomeço. Deixamos para trás muita coisa: algumas boas, outras menos boas. Pouco importa o que ficou. A todos interessa o que está por vir. Cabe-nos, com otimismo e persistência, enfrentar os labores que vão surgir. Vivendo o labor de cada dia.
O escritor argentino Constâncio Vigil deixou escrito para o filho: Para o teu bem, meu filho, levanta-te com o sol e traça o plano de teu dia. Tem um sorriso na hora certa, e uma palavra bondosa no momento certo. Avança em linha reta até os teus objetivos. Prepara-te para viver um dia ou 10 mil dias. Esta atitude, esta tranquila e corajosa atenção diante do impenetrável, é a suprema dignidade do homem. Sem dúvida, é um ótimo alerta para os primeiros dias de 2001. Coloquêmo-lo na nossa mente. Fixêmo-lo na nossa vontade, não nos precipitemos. Cada dia traz sua malícia. A encaremos com confiança, nos lembrando que cada degrau escalado nos avizinho do topo.
A cada hora baixa uma mensagem do céu, que não se perca no espaço. No derradeiro dia do 2001 teremos o alforje transbordando e a alma triundante da caminhada. Felizes nos sentiremos e felizes os que recolherem das sobras.
- EDUARDO AFONSO, professor, Londrina
Nova ética
Não podemos pensar no século XXI como aquele em que a humanidade, finalmente, se vê confrontada, não apenas com a possibilidade, mas com as condições capazes de permitir a construção de uma vida digna para todos. Para que isso ocorra, faz-se necessário uma opção política pela transformação produtiva com igualdade social.
As reformas econômicas demonstram uma tendência em causar impacto nas conquistas sociais, gerando desigualdades absurdas, tanto quanto entre as nações e entre as pessoas de cada nação. Países como o Brasil tem hoje uma agenda com tendência a uma evolução produtiva: a agenda estrutural destinada a promover condições que possibilitem a competitividade numa economia mundial, de forma acelerada rumo a um processo de globalização.
No entanto, quando se trata da igualdade social, o perfil do quadro é diferente. O que se vê são políticas com interesses pessoais, desarmônicas e desarticuladas umas das outras, são imperceptíveis, destacando-se uma mera inserção de uma nota na página política econômica. Este é o quadro que precisa ser revertido para que o Brasil possa entrar de cabeça erguida no século XXI.
Não se trata de propor que magicamente o País reverta todos seus problemas sociais, tornando-se um paraíso, erradicando seus indicadores sociais negativos. O que se faz necessário na atual conjuntura é que nosso país assuma, consigo mesmo, o firme compromisso ético na implantação determinante na erradicação dos problemas sociais. Além de uma nova política de transformação produtiva com igualdade social, o Brasil necessita urgentemente de uma nova ética de responsabilidade, que para ser concretizada é necessário a co-responsabilidade entre o setor governamental e o setor empresarial, áreas predominantes na vida nacional.
Somente a união solidária desses dois setores com projetos estratégicos e com a cabeça erguida, sem utopia, são capazes de gerar a igualdade social. Esses dois setores têm as rédeas do País nas mãos, e somente eles são capazes de acelerar a transição de nosso País de hoje para o país que queremos em nosso futuro.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
Abandono
Passamos alguns dias em Londrina. Pudemos analisar o progresso e a beleza de tão jovem e completa cidade. É sui generis. Mas, mos indignou a falta de zelo com as praças e jardins. Estão abandonados! As barraquinhas próximas ao Musesu Histórico de Londrina ofuscam sua beleza. O Calçadão deixa a desejar. Também as calçadas, principalmente no grande centro, estão em péssimo estado. Há até mato crescendo. Faltam coletores de lixo e os poucos existentes estão deteriorados. Há necessidade de se plantar árvores nos espaços vagos.
Portanto, devem ser realizadas campanhas de conscientização para que os proprietários de imóveis colaborem, reformando as calçadas. Também causam mal-estar e poluição visual, os erros crassos de nossa língua portuguesa. Atenção: ao escrever em placas de pequenas, médias, grandes empresas, monumentos etc., devem ser consultados dicionários. É para isso que eles servem. Citamos um mau exemplo: em um monumento do Rotary Club está escrito Seja Benvindo. Corretamente se escreve seja bem-vindo, com hífem, por ser palavra composta.
Os problemas mencionados não requerem grandes quantias de dinheiro e são de fácil solução. Eles existem em praticamente todas as cidades brasileiras. É um vergonha nacional. Na esperança de estarmos colaborando, criticando no sentido construtivo, desejamos ao povo dinâmico e hospitaleiro de Londrina contínuo progresso. Parabéns.
- FRATERNO MARIA NUNES, aposentado, Campo Mourão
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





