Devassa
Todo o minucioso trabalho de bisbilhotagem que a Receita Federal se diz disposta a fazer, assim que legalmente autorizada, para dar combate sem tréguas à gigantesca sonegação fiscal, em verdade já está sendo feito e publicado, apenas com a precaução de não citar nomes. De modo que só há necessidade de oficialização de devassa realizada.
Sobrevindo, pois, a legalização de uma operação pente-fino já realizada, não haverá mais desculpas para tergiversações e o que a nação espera são resultados concretos e imediatos, não mais parolagem.
É um tanto suspeito, porém, que se prometam resultados tão pífios em termos de arrecadação. Pelo que tem sido publicado sobre a quantidade de grandes empresas que não pagam imposto, sobre o montante das quantias movimentadas por isentos etc., pode-se esperar, a médio prazo, que a arrecadação tributária pelo menos dobre.
No entanto, só o que prometem é um bilhãozinho ou dois para ajudar no custeio do prometido salário-mínimo de R$ 180.
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, juiz aposentado, Brasília
Projeções da economia
A economia brasileira, como as demais economias do mundo consideradas em desenvolvimento, terminaram o segundo milênio com muitas turbulências, mas ingressaram no terceiro milênio com muitas esperanças de melhorias na ordem econômica mundial. Pela ordem econômica, entenda-se sem as ocorrências bruscas de choques, a exemplo da crise do México em 1994/95; crise asiática em 1997; crise da Rússia em 1998 e a crise brasileira em 1999 com a maxidesvalorização do real frente ao dólar americano.
Atualmente o Brasil opera seu mercado dentro da economia aberta, portanto, dependente de choques externos e mudanças nas regras da política econômica interna. Geralmente dentro da política monetária, alterando bruscamente para cima as taxas de juros.
Neste milênio, a longo prazo, o Brasil terá a boa oportunidade de ser o grande fornecedor e usuário de combustível renovável, que é o álcool, extraído da cana-de-acúcar. Os países já desenvolvidos, possivelmente optam por outros tipos de combustíveis, exemplificando o hidrogênio ou outro qualquer, mas de complexidade superior na produção e utilização, comparados ao álcool vegetal. Desta forma, o campo agrícola do Brasil pode ser determinante nos próximos 100 anos no fornecimento de combustível do grupo energético, para o funcionamento de veículos automotivos, bem como das usinas termelétricas, que são construídas em todo território nacional.
A curto prazo, está havendo facilidades de adaptações das empresas brasileiras na inserção da nova economia, isto é, empresas de serviços de alta tecnologia, conjugadas às empresas de produção na velha economia, ou seja, produtora de bens de capital ao lado de produtos acabados para o consumo humano. Atualmente, a renda per capita no Brasil está em torno de US$ 3 mil, muito distante da japonesa, acima de US$ 40 mil ao ano. No entanto, vale lembrar que em 1959, a renda per capita japonesa era de apenas US$ 318,00 nominais. A variável tecnologia foi determinante no processo de passagem da sociedade pobre para a rica, ocorrida em apenas 40 anos.
Assim sendo, o cenário que se desenha é altamente promissor, tendo em vista as condições favoráveis dos fatores mencionados, assim como as variáveis macroeconômicas ligeiramente alinhadas em melhores condições que anos passados. Resta, portanto, decisão política da sociedade brasileira na tomada de decisão para a alavancagem de um novo modelo de desenvolvimento econômico como opção inteligente de um novo padrão de vida para o povo brasileiro.
- ISMAEL MOLOGNI, economista, Londrina
Lambari
Peixe nativo do Brasil, sirvo de indicador de água limpa, faço a alegria do pescador, da criançada, porém estou morrendo. Da lavoura vem a terra da enxurrada e o veneno dos agrotóxicos. Da cidade a sujeira, o esgoto e o chorume dos lixos, do céu a chuva ácida. Para onde fugir? Ficam lá os seres humanos brigando entre si, de quem é a culpa, e a poluição aumenta a cada dia. Ainda podemos ser salvos. Isso depende do entendimento e da união das pessoas, do índio ao cientista, do analfabeto ao internauta, da criança ao velho, do ‘‘João Ninguém’’ ao prefeito.
Debate, fórum, seminário, congresso, sei lá que nome bonito queriam dar, a discussão tem que acontecer urgente e ninguém pode ficar de fora. Como seria bom o político atendendo uma questão social e ambiental, recebendo aplausos, a mídia tendo assunto de primeira, o povo sendo envolvido e motivado, a criança aprendendo a gostar e a defender o nosso espaço presente e futuro. E o lambari de volta ocupando seu lugar no equilíbrio da natureza.
- DANIEL STEIDLE, presidente da ONG Movimento Nossa Terra, Rolândia
Informática
No mundo atual, a informática, em todos seus aspectos, é uma das mais importantes atividades do homem. É sinônimo de progresso, de cultura, de poder, de qualidade de vida e de desenvolvimento entre os povos. A informática permite, em segundos, conversar com o mundo, integrar informações e buscar soluções. As cirurgias à distância estão aí, no nosso cotidiano, para nos confirmar este ganho na área da saúde. A informática se desenvolveu com tal rapidez que deixa desatualizado aquele que acha que já a domina.
A universidade deve se manter em um processo contínuo, na busca do aperfeiçoamento, do compromisso social, de participação e de envolvimento da comunidade em busca da modernização. Albert Schweitzer, em sua obra ‘‘A Ética’’, disse que ‘‘cada indivíduo que está sofrendo no mundo representa um fracasso da sabedoria e do sentido comum da humanidade’’. O saber é fruto de pesquisa e se nutre da humildade na mesma medida em que reconhece a própria dimensão.
Ensinar é educar no seu mais completo conceito, pois sabemos também que ‘‘educar é buscar a vida lá mesmo em sua fonte, no interior de cada um de nós. É liberar esta fonte, fazê-la jorrar, senão para que outros possam ter benefícios com os frutos do saber, pelo menos para respeitar o princípio da vida’’. Educar é abrir os caminhos da educação, fazendo com que a pessoa adquira capacidade de determinar seu ritmo a partir de suas necessidades, desejos, vocações.
Acredito que estamos amadurecidos não só pelos ensinamentos recebidos ou transmitidos na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC), mas também pelo espetáculo que a vida moderna nos propicia aos estarrecidos olhares diante da televisão e do computador que nos mostram, ao vivo, os acontecimentos diários, seja dos espetáculos esportivos, artísticos, sociais e culturais, dos assuntos políticos, das CPIs do Congresso, das catástrofes nacionais e internacionais, enfim, de tudo o que se passa no mundo.
É para isso que devemos estar preparados cada vez mais, pois as nossas crianças, jovens e adultos são espectadores ativos dessas inovações diárias.
- SÉRGIO RICARDO SCHNEIDER, diretor da PUC-PR, Curitiba
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