O esforço do salário
As discussões entre o governo e o Congresso sobre o novo salário mínimo atraíram a atenção do País. O povo vem acompanhando o desenrolar de uma verdadeira epopéia em torno da proposta de aumento para R$ 180,00. Tudo começou com o embate entre os candidatos a paternidade, ou seja, aqueles que reivindicaram para si a proposição do aumento. Até agora não se tem total certeza se a iniciativa foi do próprio governo ou se partiu dos caciques do Legislativo.
Depois de concretizado o novo valor do mínimo, já no bolso do trabalhador, toda essa querela importará bem pouco. Em meio ao tramite das negociações, o imaginário coletivo volta-se para os números do mercado, da farmácia, dos postos de combustíveis a que se destinam os reais do mês trabalhado. A preocupação não está tanto no receber o aumento, mas em como pagar todas as despesas que sobe num ritmo bem mais acelerado.
Toda a movimentação política para que os R$ 180,00 sejam viabilizados torna-se quase nula. O salário valerá tanto quanto o antigo na medida que as dificuldades financeiras forem as mesmas.
No entanto, essa mudança está longe de acontecer e continuará presente nos domínios da utopia. Se o aumento de R$ 30 vem provocando enormes terremotos, imaginem o que causariam somas bem maiores. Com certeza as nossas estruturas políticas e econômicas, com deficiências originárias do nosso cambaleante percurso histórico, não suportariam. Seria demais para um país ancorado na desigualdade social.
Já que o valor ideal permanece distante do bolso brasileiro, deve-se elogiar o esforço político de nossas lideranças em encontrar os meios para que o mínimo se aproxime de US$ 100. Não é preciso acrescentar mais nada. Os números falam por si.
- PAULO CEZAR BASÍLIO, professor, Pinhão
Mazza
A imprensa livre, independente, séria e corajosa, é a maior força dos países democráticos, no seu dia-a-dia, denunciando o crime e os criminosos, os aproveitadores do erário, a rapinagem, os negócios escusos, os políticos inescrupulosos, ávidos da apropriação, do lucro fácil, do poder.
Luiz Geraldo Mazza, o baluarte da imprensa, o arauto demolidor das negociatas, dos escândalos camuflados, dos conchavos para iludir, enganar, esconder a verdade, é o ardoroso jornalista da Folha, cuja matéria esclarece, disseca, condena os desmandos, a safadeza, a farsa dos maus governos e das aves de rapina, que o acompanham.
Luiz Geraldo Mazza é sinônimo de coragem cívica, escrevendo crítica objetiva, da política paranaense e brasileira. Jornalista linha de frente, enceta sua luta contra os farsantes, os poderosos incrustados no governo, e que com este negociam, trapaçam, defraudam, consomem com o dinheiro público, num festim interminável de escândalo, desde o Banestado, Del Paraná, Leasing, Sercomtel, Copel, FonteCindan, Maringá, Londrina e muito mais.
É o jornalista sereno, é a verdade que denuncia as mazelas, os corruptos, que demonstra os delitos dos insensatos e clama justiça, é o guardião do patrimônio público, como o foram Carlos Lacerda, Hélio Fernandes, Carlos Castello Branco, Villas-Boas Correia, David Nasser, Júlio de Mesquita Filho, Carlos Chagas.
É patrimônio paranaenses, reserva moral, trincheira democrática, que martela incansável, que não se rende, nem se vende, suas colunas são reportagens políticas, acusações de arrogância, de abusos, de corrupção, de desvio de poder, desde que os governantes, os parlamentares, os legisladores, podem servir à nAção ou a si mesmos, porque o poder, é o produto mais comercializável que existe.
E como diria o bravo jornalista norte-americano Jack Anderson: o jornal, acima de tudo, é a sentinela do país, é o cão de guarda, que quando esbraveja, late e fere, está cumprindo seu dever na eterna vigilância, e quando contempla, cala, deita e dorme, é enfeite, é adorno, é peça de museu.
- WALTER GASTALDI, advogado, Londrina
Altruísmo
Todo ser humano deve ter um sonho, um ideal, um objetivo. Alguns querem apenas ser ricos. O individualismo e o egoísmo podem conduzir a isso. Outros são altruístas e sonhadores. Dizia Gandhi que a Terra tem condições de prover comida a todos, só não tem para a ganância. O salário da sobrevivência é indispensável, mais sem sonho o homem já morreu.
A Pátria é a mãe de todos. Se progredir haverá salários e oportunidades para todos. Se regredir haverá desemprego e miséria para todos. Sem o sonho do altruísta não sei como isso seria possível.
- OSVALDO BAPTISTA DO PRADO, advogado, Londrina
Incerteza
A incerteza que ronda os países emergentes é a causa maior do medo. Democracias frágeis e um judiciário carcomido pela corrupção, onde o poder econômico se sobrepõe a qualquer conquista e garantias individuais dos cidadãos. O direito adquirido que custou muitos anos de luta, suor e lágrimas, muitas vezes é derrubado por uma simples medida provisória de ajuste fiscal.
A morosidade da Justiça, diante do emaranhado de leis e regulamentos, dá margem à chicana jurídica e não permite a reparação imediata do direito, provocando perdas que causam transtornos ao cidadão.
Países como o Brasil, sacudidos por sucessivos planos econômicos deixaram para trás, rastros de injustiças e inquietação. Se sou aposentado, não tenho a certeza que irei receber os reajustes devidos em minha aposentadoria. Se opto por fazer uma poupança bancária, estarei correndo o risco de ser confiscado a exemplo do Plano Collor I. Se estou empregado, amanhã poderei estar desempregado e assim como uma imensidão de incertezas que nos trás, principalmente, os países emergentes.
O sistema predominante hoje é o de livre iniciativa, onde a concorrência é o ponto alto da questão, tanto para as pessoas físicas, como jurídicas, se digladiam nessa arena globalizada. Vence o melhor. A Nação não pode quebrar se faltarem recursos. Mesmo que seja por incompetência administrativa de alguns, seus concidadãos são chamados para o aporte desses recursos, mas se cada um de nós nos tornarmos inadimplentes, não teremos a quem recorrer. Por essas e outras razões, o medo continua.
- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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