Novo milênio
Ontem chegamos finalmente ao término verdadeiro do milênio e parece que ninguém deu a mínima. As previsões apoteóticas de catástrofes como inundações, choque de meteorito ou falta de champanhe nos supermercados não foram sequer cogitadas. Encerramos o milênio de forma tranquila, quase melancólica. Se relembrarmos todo o alarde feito no ano retrasado, chegaremos a conclusão de que o apelo de marketing foi muito mais importante do que o rigor científico.
A culpa pela glamourização da embalagem em detrimento do produto talvez esteja no papel que os meios de comunicação desempenham na vida moderna. Os fenômenos e as catástrofes da natureza que nos chegam pela televisão vêm tão bem editados e acompanhados pela voz macia de uma repórter de rosto lindo e pernas longas que fica difícil acreditar que aquilo não sejam apenas efeitos especiais. Minha querida avó morreu sem que ninguém conseguisse convencê-la de que o homem realmente havia pisado na lua.
Mas talvez esse cabo-de-guerra entre forma e conteúdo seja apenas mais uma das idiossincrasias do ser humano e tenha existido desde sempre. É de se supor que a principal qualidade de um guerreiro tribal tenha sido sua coragem e sua habilidade em esmigalhar o crânio dos adversários. Mas o poder crescente estava sempre associado a uma rebuscada paramentação, cujos cocares vistosos cheios de penas coloridas é apenas a parte que mais lembro. E o que dizer daqueles ingleses metidos em roupas cheias de dobras e pregas e com uma peruca branca na cabeça? Nesse aspecto, a principal vestimenta da Feiticeira pode ser feita de silicone, mas parece bem mais natural.
Na verdade, sempre é possível tirarmos alguma lição dessa vitória da prática sobre o romantismo. O marketing, seja empresarial ou pessoal, é extremamente útil para nos diferenciar da concorrência. Num mundo atulhado de produtos e pessoas, e tendendo só a piorar, parecer diferente é uma forma de ser notado, ser comprado, ser contratado. Mas cuidado: também pode dar cadeia, se você aparecer por aí de Lamborghini e tiver um cunhado linguarudo.
- KLEBER BOELTER, engenheiro, empresário e escritor, Porto Alegre
Paz
Paz! É este o sentimento desejado por parte de muitos pais que vivem na região do Oriente Médio ao verem seus próprios filhos morrerem à luz do dia. Paz! Este é o objetivo primordial pelo qual foi criado a Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945. Paz! São as alianças a que se propõe os govenantes palestinos e israelenses, porém que logo são quebradas em detrimento do poder. Paz! Uma palavra simples, composta de três letras, porém que em termos de conceito e aplicação nunca existiu entre ambas nações.
Não existe cessar-fogo. Na semana passada, o primeiro-ministro Yasser Arafat, que por várias vezes assinou tratados de paz, foi filmado com uma minimetralhadora nas mãos. Jerusalém, a cidade onde o maior revolucionário de todos os tempos surgiu, pregando o amor ao próximo, agora conta os números de vítimas e o saldo da destruição.
No entanto, devemos saber que este cenário atual em que se encontram ambos os países é descrito pela própria palavra de Deus. O palestino, pela sua genealogia descende de Ismael. Neste texto bíblico é chamado de homem bravo, a sua mão é contra todos israelitas e a mão de todos contra ele.
Seria Deus portanto o responsável por esta guerra sem fim? Não. Ele simplesmente vela pelo cumprimento de sua palavra. Deus tinha prometido dar um filho para Abrãao e sua esposa Sara, seria o seu nome Israel, de qual descendem os israelenses. Porém este desobedeceu ao Senhor e teve com sua escrava, Agar, o filho da incredulidade, chamado Ismael, de qual descendem os palestinos. ‘‘Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar, assim diz o Senhor.’’
- ADRIANO VICENSI, seminarista, Londrina
Acorda Paraná
Realmente é com essa frase que devo anunciar que no próximo dia 10, os comandantes do Paraná, por sinal sem visão de futuro, desejam através de audiência pública, concretizar um projeto monstruoso de construção de usinas hidrelétricas no Rio Tibagi, o terceiro rio mais importante do Estado e o último a manter-se a muito custo, ainda intacto até agora.
Se o Estado do Paraná fosse deficitário de energia elétrica, a remota idéia desse empreendimento poderia ser cogitada, mas o Estado é superavitário como a própria Copel já disse. Então, qual o propósito de se construir usinas hidréletricas de alto impacto como a que se deseja construir em São Jerônimo da Serra, no Rio Tibagi?
Esta usina além de tudo irá acabar com um dos pontos turísticos mais lindos do Paraná, o Salto de Apucaraninha, sem falar da questão dos índios e suas terras e do próprio meio ambiente que será completamente alterado. Com isso nós pesquisadores da UEL usamos esse espaço para que os paranaenses saibam desse terrível fato que poderá ocorrer em seu Estado e assim, compareçam no dia da audiência, ou enviem uma mensagem para o Ibama para que não realizem esse crime. O Estado do Paraná não deve mais pagar o preço de destruição ambiental em prol do desenvolvimento de outros Estados e países.
O mais grave é que as autoridades responsáveis marcam a audiência pública em data que a maioria das pessoas está de férias. Por isso espero que este sério jornal divulgue esta situação e que possa atingir o máximo de pessoas possível.
- MÁRIO ORSI, biólogo, Londrina
- Boas-festas
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- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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