Luzes de Natal
Londrina está mais triste neste Natal. Aquela euforia de anos anteriores, que levava boa parte da população a enfeitar as fachadas de suas casas com luzes e outros adereços natalinos, não se repetiu. Por que será? As luzinhas ficaram mais caras este ano? Não! A energia elétrica subiu? Sim, isto é verdade. Mas acredito que este não é o real motivo para deixar o Natal deste ano mais escuro do que os anteriores.
Passados vários meses das investigações sobre a pilhagem de dinheiro público em nossa prefeitura e seus órgãos auxiliares, parece que o londrinense ficou mais triste. Não vale mais a pena passear à noite para ver as luzes de Natal, como fazíamos antes, e lembrar que viver em Londrina é bom demais. Parabéns, Belinati. Até isso você conseguiu tirar de nós. Espero que as poucas luzes que sobraram iluminem nosso caminho nos próximos anos para que possamos enxergar melhor como agem nossos administradores.
- ARMANDO DUARTE JÚNIOR, jornalista, Londrina
Barulho na Concha
A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 5º, inciso VI, diz que ‘‘é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos cultos religiosos e a suas liturgias’’. Diante disso, deixamos claro que a nossa indignação não é contra a religião, mas ao ruído provocado pelas manifestações públicas em locais públicos que estão interferindo diretamente na vida privada das pessoas dentro de seus apartamentos, que não conseguem descansar, estudar, assistir à televisão, ouvir música, conservar, devido à altura do som externo que chega ao interior de suas residências. Nós, moradores do Edifício Associação Rural, solicitamos que seja usado um volume adequado nas promoções realizadas na Concha Acústica. Vivemos em sociedade e sabemos que o direito de um se limita quando começa o direito do outro.
- MORADORES DO EDIFÍCIO ASSOCIAÇÃO RURAL, centro, Londrina
Desigualdade
Em meu primeiro ano de banco acadêmico, um professor me respondeu: ‘‘Meu caro, direitos não são iguais’’. Fiquei tentando descobrir o significado daquela frase. Na última semana, soube da história de um ‘‘manezinho’’ muito conhecido em nossa cidade, sujeito simples, trabalhador, honesto, que estava desempregado e já lhe faltava até o que comer. Neste estado de necessidade, ele teve a razão vencida pela emoção, e principalmente pela fome, e furtou uma bela galinha caipira da vizinha. A mulher chamou a polícia, e o ‘‘manezinho’’ só teve tempo de cozinhar e pôr a galinha no prato, mas não saboreá-la, pois os policiais o prenderam em flagrante, colocando-lhe algemas e levando-o arrastado para o camburão. Do lado de fora, centenas de pessoas observavam a cena, vaiando e aclamando o pobre faminto, que saiu de camburão com sirene ligada pelas ruas da pequena cidade.
Dois dias depois, neste mesmo país chamado Brasil, um fato me fez lembrar o caso. O conhecido e renomado Dr. Nicolau, aquele que furtou alguns milhões de reais do povo brasileiro, parece que resolveu se entregar, ou melhor, como dizem sobre bandidos ricos ‘‘se apresentar’’, mas com algumas condições, pois como tem família, o juiz não queria que esta passasse por uma situação vexatória. O juiz colocou como condição para sua rendição que não fosse algemado, não fosse posto em camburão e não fosse filmado. Para isto estava negociando com a polícia, para chegarem à melhor maneira de efetuarem a prisão.
Parece que após essa notícia, entendi completamente o significado da frase do professor. Ou será que a galinha que o ‘‘manezinho’’ furtou vale mais do que os milhões roubados por Nicolau? De uma coisa podemos ter certeza: os direitos são iguais; agora, sua efetiva aplicação varia de caso a caso, de pessoa para pessoa, ou melhor, de interesse em interesse.
- FRANCISCO BONI, universitário, Santa Cruz de Monte Castelo
Liberdade
Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido liminar que pretendia a suspensão dos efeitos da decisão da 1ª Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro que impôs restrições à veiculação da novela ‘‘Laços de Família’’, da Globo. Permaneceu íntegra a decisão judicial de revogação dos alvarás que permitem a participação de crianças nos programas. Trata-se de questão controvertida, que admite ponderosos argumentos tanto a favor como contra a decisão judicial. É um daqueles assuntos que dão ensejo à debates acalorados.
A liberdade de imprensa e de criação artística são valores fundamentais de uma sociedade democrática, pois permitem a livre manifestação e a permanente vigilância sobre o exercício do poder.Contra a decisão é possível entrever-se o perigo da volta da censura antidemocrática e violadora dos valores fundamentais do homem, justamente aquilo que a Constituição de 1988 procurou afastar definitivamente de nossa sociedade.
Os valores éticos e sociais da pessoa e da família devem prevalecer em detrimento da ética do mercado e do lucro das grandes corporações e dos mega-interesses mercadológicos. Durante estes anos de democracia e liberdade de imprensa, as redes de TV não foram capazes ou tiveram interesse em criar uma auto-regulamentação da programação televisiva, deixando um vácuo que foi ocupado pela Justiça.
Além disso, como o relatado pelo ministro Pádua Ribeiro, ao lado do direito de liberdade de imprensa e criação artística, existem outros no mesmo plano constitucionalmente assegurados como o de difusão de programas educativos, artísticos, culturais e informativos e o respeito aos valores éticos.
O debate está aberto e a sociedade deve discutir sobre a regulamentação do conteúdo dos programas de rádio e televisão, que não pode ficar exclusivamente sob o arbítrio de interesses econômicos.
- VICENTE DE PAULA MARQUES FILHO, advogado, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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