Leis ambientais
Nesta quinta, dia 14, a Folha publicou carta de meu amigo Pedro Cornélio Seg Seg, cacique caingangue da Reserva das Marrecas, vice-presidente do Conselho Nacional dos Povos Indígenas. O tema: a defesa dos índios guarani, provenientes da Argentina, que invadiram o Parque Nacional do Superagui no Litoral Norte do Paraná e que lá estão vivendo. Em seu texto, ele lembra do histórico de agressões sofridas pelos povos indígenas nos últimos séculos, menciona que os índios vivem em harmonia com o ambiente, classifica a legislação ambiental de autoritária e tenta desqualificar os ambientalistas que solicitam a retirada dos índios do parque.
É certo que no Brasil, Américas do Sul, Centro e Norte, África e Oceania, o avanço da dita civilização dizimou povos autóctones, alguns totalmente. Quanto ao passado, devemos desculpas que jamais conseguiremos resgatar. Mesmo agora, no Brasil de hoje, fazemos muito pouco pelo resgate da dignidade dos povos indígenas, e seria preciso incrementar as políticas públicas multisetoriais que encurtassem a distância temporal gigantesca existente entre o momento da sociedade brasileira/paranaense em que vivemos e o estágio em que se encontram os nossos povos indígenas. Para que isto possa acontecer, é preciso um esforço de compreensão das características das comunidades indígenas, na ótica da solidariedade, da generosidade e – por que não – compaixão.
No contrato socioeconômico que hoje nos governa existe pouco espaço para a natureza, para os povos primitivos e para a sensibilidade. A reflexão sobre esta lógica indica que os que argumentam em defesa destes temas deveriam estar juntos. Nem sempre é o que ocorre.
Para nos aprofundarmos nestas questões, criaram-se comissões no Conselho Nacional do Meio Ambiente e ainda nos ministérios envolvidos. Em 14 de setembro deste ano, aconteceram as primeiras reuniões dos grupos de trabalho e está marcada para a segunda quinzena de fevereiro o seminário interno em Brasília, para que sejam expostas as políticas e necessidades de conservação da natureza e ainda, as características e necessidades dos povos indígenas que habitam unidades de conservação. Teremos a difícil tarefa de parir soluções.
Até lá, caberá a cada um dos participantes buscar informações, consultar as entidades que representam, visitar as áreas críticas, conceber soluções e buscar diálogo com as comunidades. Precisaremos muita paciência, criatividade e persistência para conceber e executar solução que nos eleve. A sociedade do futuro, de certa forma, deu à todos nós essa missão.
Quanto aos argumentos do amigo Pedro, manifesto que não concordo com a política de invasões, que humanos (dos coletores caçadores aos cibernéticos) se apropriando sim do ambiente, e que as leis ambientais foram concebidas e votadas em período democrático.
- JOSÉ ÁLVARO CARNEIRO, membro da Liga Ambiental do Conama, Curitiba
Natal
Aproximando-nos do Natal do ano 2000, celebramos o mesmo acontecimento tanto histórico quanto religioso, uma vez que essa data, que divide a história, marca o nascimento de Jesus Cristo, homem incomum, profeta e Filho de Deus. Entremos nesse clima natalino recordando todo o seu grande significado na vida humana. O Livro do profeta Isaías, na Bíblia, apresenta imagens do que seria a felicidade dos tempos messiânicos, isto é, tempo em que viria o Messias, o tão esperado Salvador. São imagens maravilhosas, riquíssimas e ao mesmo tempo simples e possíveis, prefigurando principalmente a paz, a convivência fraterna, a possibilidade de mudanças radicais, onde a justiça e a igualdade seriam possíveis através da chegada do novo rei, o qual viria como criança – um menino, o Emanuel, cujo significado é ‘‘Deus conosco’’.
A era messiânica era descrita com acontecimentos almejados por todos, principalmente pelos pobres e oprimidos, que ali viam possibilidades de mudar radicalmente, passando das trevas para a luz, da miséria para a fartura, do deserto para a abundância de água. O Messias era comparado (descrito com rara beleza) a um rebento, a um broto, o qual cresceria entre o povo transformando-lhe a vida. Quando Jesus Cristo viesse e aqui estabelecesse seu reino, eternamente, haveria paz, tranquilidade, harmonia entre as pessoas. A natureza se abriria em flor e formosura com a presença de seu Criador.
A promessa de Deus ao seu povo foi cumprida. Jesus nasceu e era toda essa perfeição. Com um detalhe – na maior simplicidade, como deve ser a vida, trazendo a alegria, como o traz o nascimento de uma criança. Mas só aos humildes foi dado compreender, sentir essa alegria divina e dar glória a Deus. Muita gente não entendeu nada daquela realeza tão contraditória. Preocupou-se em assegurar o poder.
Até hoje é difícil para nós compreendermos o sentido do Natal – ou melhor, é tão fácil que nos confundimos procurando maneiras complicadas para o explicar. E nos preparamos exteriormente, derrubando uma avalanche de coisas materiais e por que não dizer, comerciais, para revivermos, a cada ano, a chegada do Rei Salvador prometido: é 13º que já chega comprometido, dinheiro, presentes, festas, realizações.
O Natal acontece, outra vez. Com as mesmas possibilidades de mudança. Com a mesma promessa de Salvação. É ‘‘Deus conosco’’, propondo-nos a paz, a convivência fraterna, a ajuda mútua, a simplicidade, a beleza do amor compartilhado. Oxalá, no decorrer do próximo século, o tão esperado novo milênio, possamos viver, real e plenamente, a tão desejada felicidade dos tempos messiânicos.
- ESTELA MARIA FREDERICO FERREIRA, Londrina
Manifestação
O Partido dos Trabalhadores do Paraná vem apresentar veemente repúdio sobre a agressão sofrida por um dos seus militantes em Curitiba. O fato ocorreu na Rua XV, enquanto uma barraquinha do PT estava instalada. Além de agressões físicas sofridas pelo nosso militante, todo nosso material foi apreendido.
Gostaríamos de nos manifestar dizendo que não permitiremos este tipo de ação por parte da Prefeitura de Curitiba contra qualquer tipo de manifestação, pois somos um partido organizado e com respaldo popular, principalmente em Curitiba, onde as urnas apontaram nosso respaldo popular.
Exigimos que o prefeito Cassio Taniguchi se manifeste publicamente e apresente, se puder, justificativas quanto a este ato repugnante. Estaremos presentes nas ruas em contato com a população, pois nossa barraca já faz parte de nosso tradição.
- MÁRCIO PESSATI, presidente estadual do PT-PR
Correção
- O crédito correto da foto publicada na página 6 do caderno Cidades de ontem, na notícia ‘‘Alunos têm aula dentro do banheiro da escola’’, é de Daniel Motta/Kodacolor
- A eleição indireta para escolher os diretores das escolas estaduais começa hoje, dia 16, e não ontem como informou equivocadamente o título da notícia publicada na página 6 do caderno de Cidades. As informações obtidas pelo repórter Dimitri do Valle estão corretas.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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