O LEITOR ESCREVE
Pedágio (1)
Trafegando pelas estradas do Noroeste do Paraná, deparei com a primeira praça de pedágio do itinerário e observei em sua tabela de preços que já estava inserido o reajuste nas tarifas. No meu caso, veículo leve, desembolsei R$ 3,60 pela travessia ao Éden do chão preto.
Observando mais abaixo da referida tabela, constatei que os condutores dos veículos pesados acima de três eixos, são surrupiados em R$ 18,60 por toque. Que sejamos fortes e persistentes, como nos dizeres de Padre Vieira em seus Sermões: Não hei de pedir pedindo, senão protestando, pois esta é a licença e a liberdade de quem não pede favor, senão justiça. Afinal, nós usuários haveremos de ser unânimes e indistintos na busca de nossos direitos constitucionais e que esse consenso resulte na quebra dessa hegemonia arrecadatória, extirpando de vez por todas, esse sacrilégio em nossas estradas paranaenses, caso contrário, cairemos no consolo do adágio: Feliz foi Adão que não teve sogra nem caminhão.
- DONIZETE RUGERI, vereador, Rondon
Pedágio (2)
Em abril, as tarifas do pedágio no Paraná foram aumentadas em 110%, depois que as concessionárias ganharam na Justiça o direito do aumento. Direito que só elas têm e mais ninguém. Ninguém teve a iniciativa de levantar protestos agudos e eficientes, de protestar e criticar de forma eficaz, agressiva e resolvidamente, com exceção do Conselho Regional de Representantes (Core) e do Sindicato dos Transportadores, relutando não só contra o aumento, como o próprio pedágio.
Em março, num fórum realizado em Londrina, o próprio governo federal constatou que os contratos são cheios de equívocos, erros e autoritarismo. Que as concessões foram implantadas com contratos secretos (como pode uma coisa pública ser tão secreta?), em estradas de vias únicas e sem opção de outra passagem.
O capítulo primeiro da Constituição Federal de 1988, diz no seu artigo quinto, inciso XV: É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz. Cadê esse direito? Cadê o cumprimento das leis por parte dos governantes? Não há. O governo Lerner está fazendo proselitismo ao dizer que está questionando o aumento determinado pela Justiça, que está simplesmente determinando o cumprimento do contrato que o próprio governador assinou.
Não esqueçamos que há obras efetuadas pelas concessionárias sob suspeita, argumentações de deputados, entre eles o ilustre Nereu Moura, de superfaturamento, sem contar o jogo de cena exercido sobre este tema, obras não realizadas, sendo o que já existe, as rodovias atuais, foram construídas com dinheiro público em governos anteriores, sem cobrar sequer um centavo.
Em se tratando de pedágio, acho que no final das contas, o valor de R$ 2,30 é pouco. Pouquíssimo. Deveria ser sem sombra de dúvida R$ 10, pois há toda essa polêmicas a respeito da implantação, e se está certo ou errado, mas ninguém reclamou ativamente.
Responder em síntese, nesta perspectiva, agora, não irá alterar esse quadro. Mas que sirva num futuro próximo, como elemento para eliminar nossa submissão social relativa a esta questão incrédula.
- MARCELO NICASTRO ANSELMO, representante comercial, Arapongas
Pedágio (3)
Fui a Curitiba antes da alta do pedágio e voltei após a alta. E descobri o porquê das viações de transporte de passageiros não estarem nos protestos contra a tal cobrança. Ora, o único trabalho que tiveram foi colocar o item pedágio na passagem e cobrar dos passageiros.
E a estrada? Há trechos que parecem rua de paralelepípedos de tanto que treme o veículo. Mas eu já imaginei o porquê deste déspota, inimigo do povo, teve que fazer o povo pagar mais uma vez para arrumar as estradas.
Ele aplicou todo o dinheiro nas montadores e em propaganda própria. E os homens do pedágio trabalhando, só cortam mato e obturam alguns lugares e pintam. Cheguei a pensar que o dinheiro pilhado é assim repartido: 50% pró-labore, 20% para os funcionários, 20% para fazer lobby, e os 10% restantes para comprar tinta. Eu acho que o Jaime Lerner não se elege nem mais para síndico.
Agora ele tenta enganar o povo dizendo querer acabar com o pedágio. Será que vai conseguir de novo? Eu já fui enganado uma vez, outra eu não serei.
- MÁRCIO DICESAR BENASSI, Sertanópolis
Combustíveis e pedágio
A população já não aguenta a onda de aumentos. Passadas as eleições municipais, o governo mudou o discurso e começou a anunciar a alta nos combustíveis, o que gerou, consequentemente, o aumento do custo de vida. Para aliviar os efeitos dessa medida, o presidente FHC mandou os técnicos segurarem o quanto puderem o reajuste dos combustíveis, que acabou ficando entre 7% e 10%.
A alegação foi a de sempre. Necessidade de equilibrar os preços internos com o mercado internacional. Nesta onda de aumentos, vale até a argumentação de que o preço baixo para eles (é claro dos combustíveis) provoca o aumento do consumo, prejudicando a balança comercial do País. Desse jeito, o presidente FHC vai enrolando a opinião pública. O governo do Paraná não fica atrás das políticas federais.
Por aqui o assunto do dia é mais uma alta do pedágio. Comprometido até o pescoço com as concessionárias das principais estradas do Estado, o governador prometeu uma recomposição dos preços para este final de ano. Neste jogo, como sempre, quem vai arcar com o prejuízo é a população. Em março, o governo elevou em 112% as taxas do pedágio. Agora, os preços subiram 20%. Enquanto isto, os trabalhadores têm que se contentar com reajustes salariais entre 5% e 7%. E assim caminha a estabilidade econômica do governo FHC.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
Promessas
A maior lacuna no sistema eleitoral brasileiro é a inexistência de severíssima punição, a qualquer tempo, para o não justificado descumprimento, em prazo razoável, das promessas de campanha.
Se estelionato é crime e se, no caso, fala-se em estelionato eleitoral, que efetivamente é, por que o Código Eleitoral não dá importância a tamanha demonstração de desonestidade? O mínimo de sanção política, que impede cominar, é a revocabilidade do mandato, por vício insanável na manifestação de vontade dos mandantes, assim traiçoeiramente induzidos a erro.
Reforma da legislação eleitoral que não torne pública a fonte dos financiamentos de campanha para obstar a sujeição dos poderes públicos a interesses opostos aos do Estado, e não invalide os mandatos obtidos por meios indecorosos, desleais, não valerá um dedal de mel coado, é melhor que não se faça, ficando tudo como dantes no quartel de Abrantes.
Por estas e outras, é que me parece arriscado o eleitor confiar em candidato com promessas, mas sem currículo, com parentescos, mas sem passado personalíssimo de dedicação aos interesses públicos, nas vidas públicas e/ou privada. Há que se perguntar o que já fez aquele sujeito, que ora nos apresenta tão pródigo em promessas.
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, juiz aposentado, Brasília
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