O LEITOR ESCREVE
Siate
Na semana passada, quem foi ao Centro de Exposições de Londrina, teve a oportunidade de ver um pouco do trabalho que o Siate realiza. Escrevo esta carta pois conheci de perto esses equipamentos, e essas pessoas que seguem a primeira carta de São João 3,18: Não amam com palavras, mas com atos e em verdade. No dia 13 de julho desse ano, às 7 horas, quando eu e minha esposa cruzávamos a esquina das avenidas Rio de Janeiro com JK, um carro cruzou o sinal vermelho e nos atropelou, fazendo com que nosso carro virasse com duas rodas para cima.
Só quem já passou por isso sabe o que um ser humano sente numa hora dessas. É um sentimento terrível, onde a dor física, a dor psicológica e o desespero se misturam. Nesse momento, alguma boa alma ligou para aqueles que mudariam nossa vida para sempre. Ao me sentir jogado na calçada, com minha esposa presa nas ferragens do carro, a sirene do Siate soou como música para meus ouvidos. Durante o tempo em que estivemos nas mãos daqueles homens, quando um deles tirou sua própria blusa e a pôs sobre mim, que tremia, não sei se de frio ou dor, lembrei-me da promessa de Deus, quando no Salmo 90, diz: Porque aos seus anjos Ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos.
Esses anjos de Deus, passaram poucos minutos conosco, mas graças a eles, nesse Natal, meus filhos têm o maior presente do mundo: um pai e uma mãe. Presente esse que eles não teriam se esses anjos vestidos de vermelho não passassem pela nossa vida. Nosso carro está no ferro velho, mas nós não. Estamos vivos e ótimos pela graça de um Deus generoso que se utiliza de pessoas maravilhosas para cuidar de seus filhos.
Não sei nem o nome dos que cuidaram de nós nesse dia, mas prefiro chamá-los de bênçãos, assim como a todos os outros que ajudaram e ajudarão muitas pessoas nesse trabalho magnífico. O que posso dizer é um simples obrigado. Meu, de minha família, de todos os que nos amam. Vocês, amigos e instrumentos de Deus, estarão sempre em nossas orações!
- DERCI MARTINS, técnico em segurança do trabalho, Londrina
Distribuição de renda
O Brasil é um país subdesenvolvido com muitas diferenças sociais, isto ocorre por causa da má distribuição de renda e pela falta de consciência de muitos quanto às graves consequências que isso pode causar, como manifestações das organizações não-governamentais. No Brasil o movimento mais importante atualmente é o MST, que protesta contra a falta de dignidade a que está submetida a maioria da população brasileira, muitas vezes, ocasionando conflitos fatais.
Essa má distribuição também tem outras consequências piores, neste país onde o salário mínimo mal dá para as pessoas se alimentarem, o grau de marginalidade, principalmente nas grandes cidades é muito elevado, o que torna nosso país um dos campeões em violência de todos os tipos. As soluções para resolver esses problemas não são fáceis e levam anos, porém se não começarmos logo, mais difícil ficará essa situação. As cabíveis soluções são óbvias. Uma melhor distribuição de renda através de salários mais justos aos trabalhadores, pois o salário mínimo é uma vergonha nacional.
Para isso será necessário uma reestruturação do sistema governamental porque a população não está contente com a situação da maneira que está, tanto que partidos de esquerda obtiveram grande êxito na conquista de prefeituras em inúmeras cidades brasileiras.
- DÉBORA GOMES DE SOUZA, estudante do 2º ano do ensino médio, Inajá
Educação
Quem semeia vento colhe tempestade, é o velho ditado que todos conhecem, menos o nosso ministro da Educação. Tal como o governador do Paraná acha que é possível tapar o sol com propaganda. O ano inteiro o Menino Maluquinho veio em centenas de intervalos mostrar como nossos filhos como eles deveriam encapar os cadernos e os livros, como se nenhum professor ou pai fizesse isso em todo início de ano. O ministro veio mostrar como estavam melhorando os salários dos professores no Nordeste. Entregou milhões para a Fundação Cesgranrio para que se responsabilize pelo Enen e o Provão, e para que aumente o número de candidatos; torce o entendimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, transformando os resultados do Enen em possibilidade de ingresso nos cursos superiores, e mentindo que os alunos que não fizerem o Provão não receberão diploma. Não negamos que os municípios têm recebido recursos do Fundef, mas poderiam receber muito mais, bastaria economizar em propagandas inúteis e na confecção de milhares de livros sobre o PCN.
A prática do Ministério da Educação de hoje nos remete aos objetivos do Ministério de Educação e Saúde do governo Vargas, sob a autoridade do fascista Francisco Campos, centralização e fiscalização, só falta reinstalar as Inspetorias Federais de Ensino. Essa prática vai exatamente contra a corrente da atualidade, onde o ensino deve partir da realidade do aluno e não da realidade de várias comissões centradas em Brasília.
Melhorar o ensino não é tarefa fácil, mas ela começa, sem sombra de dúvida, na diminuição do número de alunos em salas de aulas e pela melhora dos salários dos professores, e não com o menino maluquinho se despedindo do livro e engordando as contas das redes de televisão.
- TARCÍSIO MARTINS, professor, Londrina
Correção O veículo da foto da reportagem CRT começa a fiscalizar auto-escolas, em Maringá, publicada na última quarta-feira, e que pertence à Auto-Escola Cidade Canção, foi meramente uma ilustração. A empresa, que pode ser identificada pelo logotipo na lateral esquerda do carro, não sofreu nenhuma punição da Controladoria Regional de Trânsito.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





