O LEITOR ESCREVE
Sal da terra
Apenas os visionários e os sonhadores não perceberam que os tempos mudaram e que o amadorismo está reservado a uns poucos diletantes capazes de suportar o ônus de seu passatempo, brinquedos e vaidades. Os conceitos de economia e mercado têm evoluído com uma rapidez capaz de entontecer aqueles que se deixam estagnar no tempo, transformando em dinossauros condenados à extinção. O patrocinador romântico e o mecenas desinteressado, apesar da boa intenção, causam mais males do que
benefícios.
A época é de conquista de mercado, de venda de imagem, de jogadas estratégicas, de lances mirabolantes que prendam a atenção do consumidor, que vendam uma marca, que despertem reações positivas, que forcem mudanças de atitude, que mexam com sentimentos profundamente enraizados e façam o consumidor fazer o que se espera dele: consumir.
A época do chapéu na mão já passou. O mendigo foi substituído pelo negociador, que resgata o orgulho próprio de uma instituição e transforma a esmola em investimento, o pedinte em empresa, o ofertante em beneficiário. O lucro passa a ser necessidade para assegurar seu investimento e a sobrevivência do empreendimento. Em troca projeção para a instituição, projeção para o município, glória e alegria para os investidores.
Trocando tudo isso em miúdo, nossa admiração à Sociedade Amigos do Londrina pela coragem e pelo arrojo na mudança da imagem de um time de futebol que nos deu tantos motivos para termos orgulho de ser paranaenses. A mesma visão empresarial pode
ser aplicada em outros setores da cidade, desde uma instituição de caridade falida e carente, até instituições maiores e igualmente falidas. À SAL da nossa terra, parabéns pelo exemplo.
- FÉLIX RIBEIRO, Londrina
Defensores dos municípios?
O FEF - Fundo de Estabilização Fiscal - está prestes a ser votado no Congresso Nacional, através de emenda constitucional. Há dois anos o FEF foi criado pelo governo federal com diversos recursos, entre eles parte do FPM dos municípios. A razão era a de garantir a estabilidade econômica, possibilitada pelo Plano Real. Assim, cada município do País abriu mão de verbas que eram suas, para ajudar o governo federal. Agora o governo pretende a prorrogação do FEF. Os valorosos prefeitos têm lutado para impedir essa sangria dos municípios e algum resultado positivo já conseguiram. O que surpreende é que o governo passa a idéia de que, se o FEF não for aprovado, o Plano Real corre sério risco. Em outras palavras, se o FEF não for aprovado, os municípios serão os culpados pela inflação que eventualmente houver. Será?
Não. Não é. O FEF é formado por diversos recursos (PIS-PASEP, Fundo de Participação dos Estados, etc.) Do bolo inteiro do FEF a participação dos municípios é de apenas 3,5%. Assim, se o Congresso excluir os municípios do FEF, o Fundo continuará ainda com recursos superiores a vinte bilhões de reais. Aquilo que para a União é muito pouco representa verdadeira fortuna para os municípios, principalmente os pequenos, nos quais mais da metade de sua receita provém do FPM, como acontece na nossa região.
Por exemplo, o município de Umuarama, se o FEF for aprovado, irá perder 50 mil reais por mês. Num ano serão 600 mil reais. Como o FEF terá duração de mais de dois anos, a perda será de um milhão e duzentos mil reais. Se se considerar que o FEF já tem dois anos, acrescentando mais dois teremos uma perda, só do município de Umuarama, de dois milhões e quatrocentos mil reais. Só no ano a perda representa mais de seis pás-carregadeiras. Para um município que encontra dificuldade para adquirir uma, já se vê a sangria. Cestas básicas, daria para distribuir mais de 1.500 por mês. Seriam mais de 1.500 famílias ou mais de 4 mil pessoas melhor alimentadas.
Esse mesmo raciocínio se aplica a todos os municípios. Nenhum município vai perder mais de 100 mil reais por ano. Quando sabemos que os municípios não dispõem de recursos para a saúde, para a educação, para melhorar o salário dos servidores, é ilógico sacrificar sua receita ainda mais. É o primo rico roubando o primo pobre. Nossos deputados federais precisam reagir contra isso.
- OSMAR JOSÉ SERRAGLIO, diretor da Faculdade de Direito da Universidade Paranaense - UNIPAR, Umuarama
Retificação
A matéria jornalística escrita por Carmem Murara na ‘Folha’, intitulada ‘Curitiba inaugura em 120 dias o Estação Plaza Show’, encontra-se com alguns detalhes que não condizem com a verdade e tampouco com o que foi falado na entrevista. A referida notícia está nos trazendo problemas comerciais e gostaríamos que fosse imediatamente ratificada no que se refere aos empreendimentos e projetos para o Parque da Mônica.
Gostaríamos que fosse informado novamente que o Parque da Mônica a ser construído na cidade de Curitiba terá como empreendedora a empresa Wings - Eventos Artísticos e Culturais Ltda. e como operadora a empresa RTS - Empreendimentos e Participações Ltda. (empresa empreendedora e operadora do atual Parque da Mônica da cidade de São Paulo). São projetados mais um Parque da Mônica para a cidade de São Paulo e outro para o Rio de Janeiro - RJ, que terão como empreendedor e operador a RTS - Empreendimentos e Participações Ltda. Estão em estudo, para a cidade de Miami (Estados Unidos), conceitos e planos de um Parque da Mônica naquela localidade e que ainda serão objeto de desenvolvimento futuro pela Mauricio de Sousa Produções Ltda.
- MAURÍCIO DE SOUSA, presidente da Mauricio de Sousa Produções, São Paulo
NOTA DA REDAÇÃO A Folha retifica a informação, admitindo que houve uma troca do nome da operadora do Parque da Mônica. Ao contrário do que foi publicado, a Wings Eventos Artísticos e Culturais Ltda não é operadora, mas empreendedora, em Curitiba. A RTS - Empreendimentos e Participações Ltda é a operadora dos parques temáticos de São Paulo (em atividade) e Curitiba (em construção). A matéria, entretanto, deixa claro que a Maurício de Sousa Produções está investindo em outros projetos em São Paulo e Rio de Janeiro, além de Miami.
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