O leitor escreve
Pesadelo profético
Quero parabenizar o sr. Jorge Baleeiro de Lacerda, pelo seu artigo publicado na Folha de Londrina, coluna O leitor escreve, de domingo último. Suas narrações não foram um sonho, mas
sim uma realidade que sabemos como começa,
mas não como termina. Tudo em economia é uma incógnita. Os próprios economistas não se entendem. O economês está na mídia, cujo vocabulário a população absorve todos os dias. Dizem os arautos desta nova era que a globalização é inevitável e a economia moderna, de livre mercado, prevalecerá a qualquer avanço social. O sistema de partilha e justiça social não tem lugar dentro da economia de livre mercado. Marx foi ingênuo em suas idéias quando previu no seu contexto social que tudo era abundante. A escassez dos recursos prevê limitações, onde a desigualdade é vista com naturalidade.
Fazer justiça é tratar os desiguais de forma desigual. O que nós não entendemos são os avanços tecnológicos correndo a velocidade do som e a qualidade de vida do homem a passos lentos, ou até mesmo regredindo. Será que a humanidade não está incorrendo num outro erro? Dizem alguns que a felicidade está nas coisas mais simples. Parece que os nossos antepassados viviam melhor, sem tanta sofisticação.
- JOÃO AMBRÓZIO DE OLIVEIRA, Londrina.
Tempo de presentes
Até que enfim a folhinha começou a marcar o tempo de dar presentes. Para a esposa, filhos, parentes, amigos, os que nos podem abrir uma porta para o êxito social ou profissional. É praxe. É uso. É costume. É prova de boa educação. Todo mundo está contente por entrar na equação de um uso, de um costume, de uma praxe. Permutam-se presentes e ouvem-se risos de satisfação e gritinhos de prazer, em meio a um misto de sofisticação e de artificialismo, numa sociedade sofisticada, artificial e egoísta.
Sociedade egoísta, sim. Pois não é Natal? E Natal não é a festa dele?
Mas Ele veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam. Foi o que disse o evangelista João. Não há lugar para Ele na hospedaria. Negam-lhe um lugar à mesa, entre a alegria dos filhos dos homens. Com que eloquência fácil seria possível ampliar esta frase desoladora! Não há lugar para Ele. Nem na família, nem na sociedade, nem na política, nem na escola, nem na fábrica, nem nas instituições públicas, nem no fundo das almas pecadoras. No entanto, Ele vem para todos. Chegada a plenitude dos tempos, Ele toma carne de homem, nasce de mulher, veste-se de pobre e bate a cada porta, pedindo um lugar à mesa. Mas escorraçam-no, lançam-no para fora, pois a festa precisa continuar.
Que Ele apareça outro dia. Será que Ele não percebe que Sua presença nesta hora não vem facilitar as coisas? Será que Ele não vê que está nos constrangendo, nos inibindo, nos tirando a espontaneidade, tão necessária para um evento social? Não, é melhor mesmo que Ele se vá. Talvez O recebamos em outra ocasião. Ele continua Sua solitária jornada noite a dentro. Ele sabe que o mundo, apesar da aparência festiva e multicolorida, é um mundo muito, muito doente. Doente do coração, doente de inafetividade, doente de desamor.
Ele sabe que os mesmos homens que agora O escorraçam, amanhã pronunciarão Seu santo nome, na tentativa de justificar uma ordem social, política e econômica que dizem ser cristã. Outros colocarão o símbolo de Sua vitória, a Cruz, nos lugares onde o pobre é escarnecido pela filantropia mecânica e legalizada, onde a justiça e o direito são vilipendiados pela força do dinheiro ou dos interesses escusos.
Mas Ele não desanima. Prossegue imperturbável a Sua peregrinação, pois sabe que outros, muitos outros, aqui e em todo o mundo, não hesitam em jejuar, passar uma noite em oração, privar-se do necessário ao repartir o seu diminuto pão com o irmão faminto, na esperança talvez utópica de abrir um espaço para Ele, entre os companheiros e companheiras que agora O rejeitam.
- AROLDO DE OLIVEIRA, Barbosa Ferraz
Autonomia universitária
Declaramos nossa insatisfação com a maneira pela qual o Governo trata a questão da autonomia universitária. Ele tem demonstrado, através da imprensa, a intenção de enviar o projeto à Assembléia Legislativa, até 10 de janeiro. Nossa insatisfação reside no fato de que este governo não está cumprindo o acordo firmado com as entidades representativas da comunidade universitária, em reuniões dias 10 e 22 de outubro, ocasião em que a Casa Civil e a Secretaria de Ensino Superior garantiram que não iriam enviar aquele documento à Assembléia Legislativa sem prévia consulta e discussão com a comunidade.
Em matéria publicada, dia 23 de novembro, na Folha de Londrina o Secretário de Ensino Superior afirma: Não haverá surpresa e nenhum projeto relacionado à autonomia das instituições deverá ser encaminhado na calada da noite. Isto é maluquice. Caso o Governo remeta o projeto ao Legislativo estadual nos próximos 30 dias, como pretende fazer, haverá tempo suficiente para que a comunidade universitária conheça e discuta a proposição? É mister que o Governo torne pública sua proposta e a discuta com a comunidade do ensino superior e toda a sociedade, a fim de que seja elaborado um projeto que atenda os reais anseios de todos que nele tenham interesse.
- ITAMAR ANDRÉ RODRIGUES DO NASCIMENTO, presidente em exercício da FETESPAR - Federação dos Trabalhadores do Ensino Superior Público do Paraná, Londrina
Papai Noel
Personagem lendária, distribui brinquedos e doces a crianças na noite de Natal. Na Europa, sua história reúne traços das lendas de Santa Klaus ou São Nicolau, padroeiro da Rússia, que em cada Natal chegava à Holanda montado num cavalo branco e distribuindo presentes. Sofreu influência também do Bonhomme - Noel de tradição francesa que descia do céu no Natal, com presentes e guloseimas para crianças. Papai Noel não se introduziu na península ibérica nem na Itália. Aqui era substituído pela bruxa Befana, que, vestida de negro, montava uma vassoura e carregava um saco repleto de dádivas.
A representação do Papai Noel data do século 19. Na América, o mais antigo desenho publicado no Harpes Magazine foi composição do bávaro (naturalizado norte-americano) Thomas Nast. Essa obra foi e é modelo para as cópias na Europa e continente americano. A divulgação do Papai Noel no Brasil é bastante recente, posterior a 1930. (Fonte Delta Larousse)
- GUSTAVO LESSA FILHO, Londrina
Erramos
Na matéria Óleo de ovos melhora a saúde, publicada na página quatro da última edição da Folha Informática, Ciência e Tecnologia, o correto é ran-yu, e não ran-hu como saiu. Ran-yu, como notou assídua leitora da Folha de Londrina, é a grafia correta para óleo de ovo.





