O LEITOR ESCREVE
Pedágio (1)
Indignação! Foi assim que os paranaenses souberam da notícia do absurdo e vergonhoso aumento do pedágio ratificado por um governo alheio à verdadeira situação do povo. Na semana passada, em entrevista a uma emissora de rádio de Londrina, Rafael Greca, secretário de Comunicação do Paraná, referindo-se a notícia da Folha sobre o pedágio, afirmou que a verdade dos jornais servem para embrulhar peixe no dia seguinte. Seria muito bom que o digníssimo secretário dissesse para que serve a verdade do governo. Para embrulhar trouxas que acreditam em carochas?
Na situação em que se encontra o Paraná, não só os jornais, mas os próprios peixes e qualquer outra coisa têm muito mais credibilidade do que o governo, que parece estar à frente de um Estado virtual. Quem é que acredita nas propagandas do governo? Se desperdiça dinheiro público para mostrar na TV um Estado que não existe, reflexo apenas de fatos isolados muito aquém do cotidiano da grande maioria dos cidadãos trabalhadores, que sustentam uma onerosa máquina que os esfola cada vez mais. Porque a administração Lerner não mostra a estrada que liga Apucarana a Rio Bom, iniciada em fim de 1992 e até hoje inacabada?
E o ensaio de enganação continua. Esta história de vale-pedágio não passa de conversa fiada. A corda vai continuar arrebentando do lado mais fraco. Quem é que não conhece acertos trabalhistas em que o empregado devolve ao patrão, por fora, a multa dos 40% que o empregador paga sobre o FGTS? O mesmo acontecerá com o vale-pedágio: a grande concorrência e a necessidade de ganhar o seu sustento farão com que o caminhoneiro também negocie e continue pagando esta conta.
Na verdade, esta foi mais uma tentativa de o governo livrar a própria pele neste assunto tão desgastado e garantir mais uma boquinha para as concessionárias, que com certeza agradecem muito o presente de Natal.
O que mais dói nisto tudo é ver que a população simplesmente tem que acatar os desmandos dos seus governantes. Os deputados, que até se esquece que existem, não movem uma palha para reverter a situação, e o povo, cada vez mais espoliado, não suporta mais ouvir lorotas oficiais com pinta de seriedade e benefícios.
- ROMÃO ANTONIO MARTINI MARTINS, Londrina
Pedágio (2)
O aumento das tarifas do pedágio está aí decretado e sacramentado pelo governador do Paraná. O Paraná tem o melhor governo para aumentar e defender as tarifas do pedágio. Os governadores anteriores priorizavam a construção e manutenção de nossas rodovias. Hoje as privatizam e as que sobraram estão em estado de decomposição, esburacadas, sem a menor assistência.
Os meios de comunicação estão fazendo propaganda das concessionárias mostrando algumas de suas realizações no intuito de amenizar o aumento concedido, e nós ficamos com cara de palhaços assistindo isso tudo.
Não seria cabível uma auditoria ou uma CPI para averiguarmos o lado e a razão destes aumentos? Não vamos ser pessimistas, vamos em frente. Este não será nem o primeiro nem o último aumento. Feliz 2001.
- ANTÔNIO DE OLIVEIRA RIBEIRO, Londrina
Pedágio (3)
Gostaria de saber onde estão os princípios que regem a concessão dos serviços públicos em relação ao Anel de Integração, principalmente o da modicidade e eficiência. A concessão deve ser feita de modo que não prejudique o usuário, mas não é o que se tem visto, preserva-se o equilíbrio econômico-financeiro do contrato, que é claro, o concessionário tem direito, mas se esquece o direito dos usuários a uma tarifa módica e a um serviço eficiente. Somos obrigados a engolir um reajuste de 22,67% e ver que apesar de todo o dinheiro despendido com pedágio a qualidade dos serviços não está melhorando, conforme pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes.
- SABRINA ELOISA DE FREITAS, estudante de direito, Londrina
Pedágio (4)
Com certeza os senadores Roberto Requião e Alvaro Dias, bem como os membros do PT estão rindo à toa. O presente que receberam, juntamente com o povo do Paraná, de Jaime Lerner e equipe (aí incluída a base de sustentação na Assembléia Legislativa) com o aumento do pedágio, tornará, nas próximas eleições, bem mais fácil do que parece o enterro político definitivo do governador e seu grupo.
- VALDIR ANTONIO DOS SANTOS, aposentado, Arapongas
Combustíveis
Dia 21, o governo federal autorizou o aumento do preço dos combustíveis e a volta do velho gatilho, só que em vez de ser em benefício da proteção salarial do trabalhador, como era no passado, agora é para expropriar mais ainda esta classe. No entanto, o aumento nos preços desse produto era esperado logo após as eleições municipais porque com a limitação da produção de petróleo pela Opep para forçar seu aumento no mercado externo aliado ao conflito entre Israel e Palestina, fez e está fazendo o preço do petróleo oscilar muito para compra. Porém o governo, que de bobo não tem nada, deixou para aumentar seu preço e decretar o gatilho no momento pós-eleitoral.
Agora, como é do conhecimento de todos, quando os combustíveis sobem seu preço, imediatamente os produtos e serviços aumentam junto ou antes mesmo de entrar em vigor o novo preço, portanto os salários devem ser corrigidos toda vez que há o aumento deste produto, já que toda vez que isto ocorre o trabalhador passa a ser ainda mais explorado.
Mas neste País, como afirmou o deputado Aluísio Mercadante ao ministro Pedro Malan, o salário mínimo é tratado com absoluta displicência deixando milhares de brasileiros à mercê da própria sorte. O salário contribui para aumentar a cada ano o número de excluídos da sociedade, mantendo como afirmou o sociólogo Florestan Fernandes, uma sociedade calcada em muitos privilégios para poucos, e poucos privilégios para muitos.
- DAVID TEIXEIRA DE SOUZA, professor, Inajá
Correção
Por erro técnico, a tabela com os valores de recolhimento da Previdência Social, publicada ontem na página 4 da Folha Economia, suprimiu as duas primeiras classes.
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