O LEITOR ESCREVE
Reforma fiscal
O governo tem comemorado, o tempo todo, recordes de arrecadação tributária. Os números representam bem mais que o dobro dos picos de seis ou sete anos passados. E como a sonegação e a evasão fiscais nunca, como hoje, estiveram em níveis tão elevados, os bilhões a mais estão saindo dos bolsos dos mesmos 50% de contribuintes, justo os de menor renda, que o fisco não se cansa de escorchar.
A despeito disso, todas as propostas em curso com vistas a introduzir alterações na legislação tributária não perseguem a justiça fiscal, nem visam a inviabilizar a sonegação, nem objetivam aliviar a carga que ora pesa sobre uma minoria, mas invariavelmente, se apresentam como meios de se incrementar ainda mais a arrecadação, isto é, de acelerar a sangria dos poucos que pagam.
O desconto-padrão só seria dos anunciados 20% para renda anual não superior a R$ 40 mil. Se ela for de R$ 80 mil, já cai para 10% e assim por diante, resultando num engodo.
Que tal aplicarmos à matéria idéias não tiradas do saco de maldades?
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, juiz aposentado, Brasília
Onda de aumentos
A população já pode se preparar para nova onda de aumentos. Passadas as eleições, o governo mudou o discurso e decide a alta nos combustíveis, que vai gerar aumento no custo de vida. A alegação é a de sempre: necessidade de equilibrar os preços internos com o mercado internacional. O governo argumenta que o preço dos combustíveis, sendo baixo, provoca o aumento do consumo, prejudicando a balança comercial do País. Desse jeito, o presidente FHC vai enrolando a opinião pública para anunciar às vésperas do Natal mais um aumento. O governo do Paraná não fica atrás. Por aqui o assunto é mais uma alta do pedágio. Comprometido até o pescoço com as concessionárias das principais estradas do Estado, o governador Jaime Lerner prometeu uma recomposição dos preços para este final de ano. Neste jogo, como sempre, quem vai arcar com o prejuízo é a população. O último aumento, em março, elevou em 112% as taxas do pedágio. Agora, vão subir mais 20%. Enquanto isto, os trabalhadores têm que se contentar com reajustes salariais entre 5% a 7%. E assim caminha a estabilidade econômica do governo FHC.
- ANTONIO CARLOS DE MELO, bancário, Porecatu
Religião
Com o surgimento do Cristianismo, a humanidade teve um alento, teve uma luz no fim do túnel, teve algo para seguir e tentar melhorar a sua vida, quer material, quer espiritual, era o sonho que se tornava realidade, era o Messias que chegava e que logo partiria.
Com o crescimento exacerbado, com o gigantismo das instituições religiosas, perdeu-se totalmente a noção do que foram os ensinamentos do Cristo Jesus. A humanidade tornou-se cordeiro nas mãos de poderes inescrupulosos.
Foi ensinando ao povo que divida o pão, mas não o pão do povo, não o pão da igreja, foi ensinando que para se alcançar o céu tem que ser pobre, sofrer, sem nunca ensinar a esse mesmo povo que existe a lei do carma, a lei da ação e da reação, deixando a humanidade na ignorância sublime dos mistérios de Deus, porque o povo ignorante não sabe questionar.
O cristianismo está morto e foi morto através da enganação do poder político, financeiro e militar, está morto porque até hoje não tiramos nosso Cristo ensanguentado da cruz, porque vivemos e convivemos com a fome, com a violência, a miséria, a doença física, mental e religiosa, está morto porque não tiramos ainda a venda dos olhos da justiça e achamos que assim foi e sempre será e isso é muito cômodo.
Tiremos o Cristo da cruz, assim nós também desceremos dessa cruz de pecado, tiremos a venda da justiça para que olhe para os injustiçados e os impunes. Como vamos fazer isso? Fazemos abrindo nossos olhos e mente para o universo que temos à nossa volta, deixando de seguir ídolos de barro, falsos profetas. Fazemos isso tirando nossa própria verdade, não a verdade que nos impõe as religiões e seus dignatários que exigem que interpretemos doutrinas como eles interpretam, fazendo isso deixamos de ser cordeiros cegos e massa manipulada e sim uma humanidade que pensa por si só tirando sua própria verdade.
Cristo está aqui dentro de nós, deixemos de ser inconscientes e encantados para sermos conscientes e alertas, Cristo Jesus disse: Orai e vigiai pois não sabeis quando a hora é chegada. Busque e encontrarás, bata e se abrirá!
- AROLDO PILITI, Londrina
Casamento
A natureza dita regras. A civilização tenta modificá-las. Por exemplo, em nossa cultura ocidental se convencionou o casamento monogâmico como modo de se formar família. Mas, o homem sendo animal age movido pelo instinto e poucas vezes pela razão. Já é fato corriqueiro a infidelidade conjungal. Extra oficial, às escondidas e de longa data, há a poligamia e até a poliandria.
Também há poucos anos, aqui no Brasil, os casamentos eram automaticamente por lei, no regime de comunhão de bens, de alguns anos para cá passaram a ser realizados com separação de bens. Até mesmo por motivos banais, casamentos estão sendo desfeitos. Sendo assim, não se justifica matrimônios com pompa e formalidades civis e religiosas, com documentos e juras vãs.
Estatísticas mostram altos índices de desquites e divórcios em todas as classes sociais. Segundo psicólogos, filhos de pais separados sofrem a falta de afetividade e traumas irreversíveis.
Diante de tanta hipocrisia, de tanta falta de honestidade, as pessoas inteligentes não devem se casar seguindo os ditames legais. Havendo confiança, respeito, compreensão, felicidade e amor, casais devem se unir informalmente, ter filhos e viver a efêmera vida.
Casamento é como amizade, pode ser breve ou duradouro. Neste mundo, nada é permanente. As pessoas mudam de comportamento, tudo se modifica, se altera e se acaba. Só mesmo a morte é eterna.
- FRATERNO MARIA NUNES, aposentado, Campo Mourão
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