Reforma (1)
Os cidadãos paranaenses vêm acompanhando com certa perplexidade a anunciada reforma do secretariado do governo Jaime Lerner. Do ponto de vista de educadores, a mudança na Secretaria de Educação vem sendo aguardada com ansiedade, visto que o nome do substituto não foi ainda anunciado. Essas alterações vêm acompanhadas de inquietações porque sabemos que a melhoria da educação pública depende da continuidade de políticas a médio e longo prazo, incompatíveis às vezes com ganhos políticos imediatos que pairam no horizonte dos governantes.
Independentemente de quem assuma o importante cargo, as conquistas e avanços alcançados não deveriam ficar comprometidos mesmo por um eventual substituto que tente imprimir identidade pessoal as diretrizes do governador. Uma das iniciativas atualmente em curso, é o programa de capacitação de profissionais de educação, com atividades voltadas para professores de língua inglesa.
Assim, foi constituído em setembro um comitê consultivo composto pela presidente da Associação de Professores de Língua Inglesa do Paraná (Apliepar) por representantes de sete instituições de ensino superior (UFPR, UEL, UEM, UEPG, Unioeste, Unicentro e Fecilcam), um representante da Superintendência de Gestão de Ensino e um da Universidade do Professor, ambos ligados à Seed. O grupo tem a finalidade de assessorar a definição e implementação do Programa de Melhoria do Ensino de Línguas Estrangeiras Modernas.
Representar as aspirações dos professores em instâncias consultivas é um avanço que não deveria ficar prejudicado em função da troca de secretários. A manutenção do comitê asseguraria não só a representação das aspirações dos professores de inglês do Estado do Paraná para os quais as iniciativas são propostas, mas funcionaria também como importante elemento na transição para a próxima gestão.
O trabalho das universidades paranaenses no sentido de garantir a educação continuada dos professores é um ganho que não deveria ser menosprezado, sob pena de retrocedermos na caminhada pela melhoria da qualidade de ensino em nosso Estado.
- GLADYS CAMARGO, presidente da Apliepar, Londrina
Reforma (2)
A falta de vontade política e a insensibilidade social do governador Jaime Lerner em pôr fim aos conflitos do campo, fez mais uma vítima, novamente na Região Noroeste do Estado. Sebastião Maia, de 38 anos, casado, pai de família, uma liderança com grande admiração pelo trabalho que realizava, não sobreviveu a mais uma emboscada das milícias privadas. É, no mínimo, uma piada do secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Pretextato Taborda Ribas e do secretário de Segurança Pública, José Tavares, ao dizerem que sempre se buscou o diálogo para solucionar os problemas de reforma agrária no Paraná. Na prática, o que tem prevalecido é a arrogância e a truculência.
Emperrando e protelando a reforma agrária, com a entrega do controle do Incra aos latifundiários, Jaime Lerner entra para a história como um governo comparável aos mais frios e truculentos que o mundo conheceu. Desde 1995, quando iniciou o seu primeiro mandato, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrou 16 assassinatos de trabalhadores rurais, 31 tentativas de assassinato, 7 torturados, 322 feridos e 470 presos, em 130 ações de despejo. Estes números mostram que Lerner e seu partido (PFL) tornaram-se os principais artífices da estratégia nacional de criminalização e repressão aos trabalhadores e ao MST.
Esta é a quarta liderança assassinada no Noroeste nos últimos três anos e até agora nenhum assassino ou mandante foi parar na cadeia. Por outro lado, fazendeiros e jagunços usando armamento de grosso calibre transitam pela região sem que sejam punidos. Se é verdade, como coloca a nota do governo, que sempre se buscou o diálogo, perguntamos: o que o Estado faz para evitar os despejos violentos realizados pela Polícia? O que o Estado faz para coibir os assassinatos cometidos pelas milícias dos fazendeiros? O que o Estado faz para ajudar as famílias assentadas e acampadas?
- UBIRACI STESKO, membro da coordenação estadual do MST, Curitiba
Bom devedor
Nossa raiz brasileira, ao contrário do resto do mundo, impõe-nos a crença de que todos são culpados até que se prove o contrário. Classifico a grande maioria dos devedores como ‘‘bons devedores’’. É aquele que ficou devendo por circunstâncias alheias à sua vontade. Uma demissão inesperada, um negócio que malogrou até pela situação econômica do País, enfim, uma situação absolutamente não programada.
O bom devedor luta, não sepulta seus compromissos. Se ele for levado ao Cadastro de Devedores, seja Serasa, Vídeo Cheque, ou qualquer outra forma de restrição creditícia, para limpar seu nome tem que pagar quase o valor do débito para que a instituição que o colocou na restrição mesma o exclua.
Independentemente dos valores das dívidas, poderá ocorrer que o bom devedor tenha que pagar taxas que podem facilmente extrapolar em muito o valor de seu passivo. Tanto as instituições financeiras, o BC, bem como os órgãos de defesas do crediário cobram taxas por item, não atrelando nenhuma correlação lógica entre a taxa a ser paga e o valor do débito. Ademais, a instituição que pune o devedor com a inscrição de seu nome na entidade protetora do crediário, o faz de forma relâmpago. Acha que assim procedendo estará com seu problema resolvido.
Quando o bom devedor consegue quitar seu débito, essa mesma instituição que cravou seu nome no rol dos culpados, não o retira com a mesma velocidade com que o colocou, alegando que ‘‘necessita de pelo menos 15 dias para isso’’. Por quê? Qual a justificativa? Punir dá mais prazer que absolver? Não conseguiremos jamais igualar a humanidade, mas também não poderemos sempre considerarmos todos vis.
- MÁRIO MARTINELLI, advogado, Curitiba
Epesmel
Completou 25 anos, Bodas de Prata de pleno funcionamento a Escola Artesanal do Menor de Londrina (Epesmel), benemérita instituição que vem cuidando eficientemente da educação moral, espiritual e profissional da criança e do adolescente de Londrina. Idealizada e comandada pelo dinâmico Arnaldo dos Santos, a instituição teve desde o início o apoio e a cooperação integral das autoridades e do povo londrinense. Sua direção foi entregue aos zelosos Josefinos de Murialdo e se firmou a escola no seu primordial objetivo que é, segundo o lema do fundador, São Leonardo Murialdo, ‘‘educar o coração’’.
E como o fazem bem os seus filhos espirituais! Aliás, é o forte trunfo da Igreja Católica: ter homens de exímias virtudes que geram o zelo de beneficiar os irmãos, sobretudo as crianças e os adolescentes, certeza de cidadãos dignos da família e honra da sociedade. Agradecemos a Deus ter mandado para Londrina a bandeira do Cristo nas mãos santas dos Josefinos. E guardemos na data feliz das Bodas de Prata da Epesmel, a lição sempre oportuna do fundador: ‘‘Não há pintor, não há escultor, que possa ser comparado àquele que possui a grande arte de modelar o coração dos jovens.’’ Sobretudo quando a modelagem é tirada do ‘‘coração manso e humilde de Jesus’’.
- EDUARDO AFONSO, professor, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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