Dinheiro
Concordamos em parte com o artigo ‘‘Quem quer dinheiro?’’, de Walmor Macarini, veiculado no dia 23, de que ‘‘tudo está na cabeça das pessoas’’ e de seu condicionamento e predisposição para as coisas que se pretende fazer ou conseguir. Trata-se de condicionamento mental e físico em si. Mas não é somente por culpa das próprias pessoas e sim da educação e da estrutura de preparo e ensino (cultura) dos brasileiros. O próprio programa de Sílvio Santos demonstra isso: universitários que deveriam ser o espelho da cultura e conhecimento são os principais responsáveis pelo insucesso daqueles poucos que conseguem chegar à condição de candidato a respostas para obter o prêmio de R$ 1 milhão (‘‘Show do Milhão’’). Praticamente nada sabem.
A cultura e o ensino no Brasil não estão mais preparando os brasileiros. O Estado deixou cair para um nível sofrível o ensino, e até podemos saber o porquê: quanto mais ignorante for o indivíduo, mais fácil a sua manipulação, convencimento e direcionamento, com fins eleitorais, é claro, e também com relação à ocultação de fatos e atitudes que (o Estado) pratica e que hoje são denunciados abertamente na mídia.
Parabenizamos Sílvio Santos pela inteligência, competência e bom saber de como conduzir seus empreendimentos e ainda e através de seu programa de TV poder estender alguns benefícios monetários para a população.
- RICHARD FONTANA, empresário, Londrina
Invenção do piano
Em artigo publicado no dia 22, o padre Aristides Deretti lembrou muito bem o Dia do Músico, cujo patrono universal é Santa Cecília Metela. Entretanto, como estudioso da história da música universal, faço uma observação quanto à citação de que o inventor e construtor do primeiro piano foi o padre Domingos de Mella em 1739. É sabido que Bartolomeo Cristofori (1655-1731), um florentino fabricante de cravos a serviço de Fernando de Medici, foi mais conhecido por sua invenção do piano, um dos quais, pelo menos, foi concluído em 1700. Atualmente, três pianos Cristofori sobrevivem, datados de 1720, hoje em Nova York, outro de 1722, em Roma, e o terceiro, datado de 1726 em Leipzig. O dia 22 de novembro é considerado o Dia da Música e foi quando no ano de 225 d.C., Santa Cecília, ‘‘mulher de rara beleza, tocava muito bem a lira’’.
- ARISTIDES MAKOWICH, médico, Arapongas
História de Londrina
O jornalista Nelson Sato trouxe largo comentário na Folha2 do dia 10, a respeito de dois livros novos lançados em Londrina. Ele deduz que a ‘‘epopéia manca’’ da história de Londrina vai sendo desmontada por ‘‘trabalhos acadêmicos’’ que colocam em cheque a ‘‘papagaiada ufanista’’ em torno de um ‘‘éden prometido’’. Cabe-me lembrar que as cidades do mundo inteiro nasceram, cresceram e se tornaram grandes ou pequenas através de personagens contraditórios e de conflitos inevitáveis. Estes como aqueles provocaram controvérsias. Houve empenhos generosos e audazes e, paralelamente, degradação e indignidades. Correram páginas negras e vermelhas de sangue. Ambas fruto da criatura humana e de suas potencialidades, tanto positivas, quanto negativas. Ora a árvore produz frutos doces e nutritivos, ora produz frutos amargos e deletérios. É só conferir a história desde os tempos pré-históricos. Quem leu a Bíblia conferiu certamente a dualidade do bem e do mal desde Caim e Abel. De um e de outro, nem ilustres sábios e potentados gananciosos fugiram.
Aqui em Londrina procurou-se sim, e não há como negá-lo, plantar um éden ou, como disse o professor Tomazi, a ‘‘terra da promissão’’. É inadmissível crer que outras intenções tiveram os valentes ‘‘pioneiros’’. Procurou-se, através do trabalho, levantar uma árvore que derramasse frutos bons. E é ousadia negar a Londrina a frutificação abundante e permanente. Os casos negativos, as manchas negras e vermelhas, as baixarias e as usurpações, a prostituição e os crimes, não desmentem nem desmontam as belezas e as bondades. Alguns, como eu, que amam Londrina, preferem compor a melodia suave e florida. Outros acentuam as notas discordantes, o que na opinião dos próprios músicos, ressaltam a grandeza da ópera. Concordo e aceito o que façam. Discordo categoricamente – e eles, os livros, sem dúvida não pretendem fazê-lo – que se ponha ‘‘em cheque’’, o que de belo, de bom, de rico e de orgulho o homem plantou nos primórdios da que foi e, infelizmente hoje não o é, a ‘‘capital mundial do caf钒.
- EDUARDO AFONSO, professor, Londrina
Violência
A violência no Brasil é a mentira: mente o governo que diz que vai começar a luta contra a violência e nos violenta todos os dias com sua corrupção e sua escandalosa incompetência. Para as 20 viaturas novas que desfilam buzinando para os eleitores, há outras 200 sem gasolina e sem pneus, tão iguais às estradas que inaugura e não conserva, como os prédios de escolas que constrói e deixa desabar na cabeça de professores que nomeia e não paga e dos alunos que diz que estudam e apenas frequentam a merenda rala.
Mente o industrial que reclama dos roubos de suas cargas da estrada porque não paga o imposto que pagaria o policial; mente o rico a si mesmo se escondendo no condomínio, preso no luxo de grades supostamente confiáveis. Mentem todos os isolacionistas que sempre julgaram poder ver, com segurança e sem se misturar com povo, da janela do seu edifício, um mundo estanque de favelas que não lhe chegariam nunca à sala; nem sentiriam o fedor do morro sem esgoto, apenas uma paisagem para sua janela seu aristocrático nariz estaria sempre incólume, como se o vizinho de lá, embora à sua porta, fosse um alienígena visto por telescópio.
Mentem os que são criminosos por se dizerem obrigados ao crime quando a grande maioria foge das drogas, foge dos crimes e só não foge da vida miserável via melhor trabalho porque já lhe roubaram a saúde, a educação e a economia do País. Esta mentira em que todos nos chafurdamos é o caldeirão de todos os males: mente o regime que se diz democrático apenas porque permite que votemos nos mesmos canalhas de sempre; mentem os que se dizem partidos e são apenas siglas de aluguel.
Mentem os que dizem que não há solução porque o que querem dizer é que se aproveitam bem do caos e se nutrem da podridão. E calar-se é mentir; dentro da covardia do silêncio de casas e apartamentos gradeados mentimos todos a nós mesmos na ilusória segurança porque mentimos todos ao dizer que o Brasil não tem jeito. Um jeito que só não se resolve se a mentira prevalecer.
- JOSÉ MACHADO BOTELHO, aposentado, Londrina
Consciência
Sabemos que antigamente os reis usavam simbolicamente uma coroa. Era a coroa da majestade, do poder, da arrogância, dos déspotas. Havia também dentro do reinado os homens que trabalhavam, ou melhor, que se sacrificavam, e os que desfrutavam destes sacrifícios. Estes eram todos que participavam da nobreza, título adquirido pelo ‘‘quantum’’, e aqueles eram os eternos condenados pelo materialismo humano.
Não vemos mais as coroas em suas formas tradicionais, na cabeça daqueles que têm o dever-poder de guiar nossos Estados. Hoje em dia vemos atos legalizados que as representam e os aproximam muito daqueles reis (um exemplo são as medidas provisórias). Devido, entre outras coisas, a tais atos, o mundo passa por transformações enormes. Muito mais mudará nos conceitos e nas atitudes. O tempo do esperar já está indo, chega o tempo do agir, do chamar a responsabilidade para si. Jamais as pessoas e principalmente a juventude ficarão ociosas como há alguns anos, esquecendo-se dos ensinamentos que a história nos mostra.
Hoje em dia o boné é a coroa da juventude. A coroa que deve ser consagrada a uma juventude latente que não espera os acontecimentos sentada, ou não deveria; a uma juventude que precisa ser despertada ainda mais para a solidariedade, para a filantropia, para a ajuda aos mais necessitados, que são muitos; a uma juventude que enxergue diariamente o clamor que sangra os olhos dos desafortunados em nossas ruas, em nossas cidades.
Se a fria coroa de metal daqueles tempos tem um sentido pejorativo, a escaldante coroa de pano usada hoje tem um significado enorme, que é o engrandecimento de uma consciência humana e coletiva.
- JOSSAN BATISTUTE, estudante, Londrina
Correção - Legenda da foto principal da página 12 do primeiro caderno de ontem (Mundo) contém erro. O correto é: ‘‘Vítima. Menino palestino ferido em confronto caminha amparado por muletas, ao lado de policiais palestinos’’.
- Parte final da chamada de primeira página de ontem sobre a cantora e compositora Ângela Rô Rô contém erro. O correto é: ‘‘Ela faz show hoje em Curitiba’’.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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